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Anita Malfatti - Pintora - Desenhista - Gravadora - Professora - Parte 1


 

 

 

Anita Malfatti nasceu no dia 2 de dezembro de 1889, em São Paulo, filha de um engenheiro italiano chamado Samuel Malfatti e da norte-americana Betty Krug, e foi a segunda filha do casal, e nasceu com uma atrofia em seu braço e também na mão direita. Para tentar corrigir essa atrofia, seus pais a levaram para Lucca, na Itália, mas de nada adiantou, e Anita ficou com esse problema pelo resto de sua vida.

 

 

 

 

De volta novamente ao Brasil, teve a sorte de ter uma governanta chamada Miss Browne, que passou a ajudá-la a superar os seus problemas e ensinar-lhe a fazer outros afazeres com a mão esquerda, assim como lhe passou as primeiras noções sobre arte e a escrita. Em 1897, foi estudar no Colégio São José, de freiras, e mais tarde entrou na Escola Americana e se formou como normalista em 1906, pela Mackenzie College.

 

 

 

Por essa mesma época, seu pai Samuel Malfatti morreu e assim a família começou a ter problemas financeiros para o sustento da casa, e diante das circunstâncias, sua mãe Betty passou a dar aulas particulares de idiomas, assim como de pintura e desenho, após uma boa orientação do pintor Carlo de Servi, com quem aprendeu a ensinar a disciplina com bastante segurança. Durante essas aulas, Anita a acompanhava e assim ela também começou a também ter as primeiras noções das artes plásticas, e depois principalmente advindas de sua mãe.

 

 

 

Por volta de 1910, Anita através do seu tio e padrinho Jorge Krug, que lhe financiou uma viagem a Europa, ela e suas amigas, as irmãs Shalders foram para Berlim, na Alemanha, numa época em que o país estava envolvido com a Arte Moderna alemã. Desta forma, Anita pode entrar em contato com a vanguarda européia, através da exposição de artistas expressionistas, como a do grupo Die Brucke, e também conseguiu receber aulas do artista Fritz Bürger, um grande retratista e que dominava muito a técnica impressionista.

 

 

Também por volta de 1913, iniciou suas aulas com o professor Ernest Bischoff Culm, mas devido a grande instabilidade que a Europa estava passando, devido à aproximação da guerra, Anita retornou ao Brasil. Logo em seguida ele começou a fazer suas primeiras exposições de seus trabalhos coletivamente, mas que não representaram sucesso, pois o gosto no Brasil ainda era predominante pela arte acadêmica.

 

 

Em 23 de maio de 1914, Anita conseguiu montar uma exposição de suas obras que permaneceram até meados de junho. Nesta época, a intenção de Anita era novamente voltar aos seus estudos e viagens pela Europa, mas sem as condições financeiras necessárias, tentou conseguir uma bolsa junto ao Pensionato Artístico do Estado de São Paulo, mas devido a iminente eclosão da guerra na Europa, todos os pedidos foram cancelados. Mas, a sorte sorriu-lhe novamente quando seu tio, Jorge Krug resolveu ir para os Estados Unidos, e novamente ele financiou a sua viagem também.

 

 

 

 

Assim eles chegaram no início de 1915, em Nova Iorque e logo tratou em se matricular na tradicional escola Art Student´s League, quando passou a interessar pelo estudo da gravura, fazendo-a deixar um pouco de lado a sua pintura, mas logo percebeu que a sua arte se adaptava perfeitamente a essa nova técnica. Um ano depois, Anita já estava de volta ao Brasil e em 1917, Anita conseguiu promover a sua segunda exposição individual, mostrando uma pintura moderna, de aspecto original e bizarro.

 

 

 

A exposição, porém, acabou sendo alvo das críticas do escritor Monteiro Lobato, num artigo publicado no jornal O Estado de São Paulo, em 20 de dezembro de 1917, com o título de “A propósito da exposição Malfatti”, que acabou gerando a devolução das telas vendidas, assim como a destruição de diversos de seus quadros. Por sorte, outros também saíram em sua defesa, como Oswald de Andrade, que começou a elogiar as obras de Anita, fazendo com que ela se aproximasse mais do grupo formando por Oswald e Mário de Andrade, Menotti Del Picchi e Guilherme de Almeida.

 

 

 

Em 1919, Anita começou a estudar com o pintor acadêmico Pedro Alexandrino, e também com pintor alemão George Fischer Elpons e foi nessa ocasião que conheceu e tornou-se muito amiga de Tarsila do Amaral, que também freqüentava as aulas do mestre Alexandrino. Apesar da enorme confusão causada por Monteiro Lobato, aos poucos sua vida retornou a normalidade.

 

 

 

Alguns autores citam que entre Anita e Lobato ficaram grandes mágoas e ressentimentos, mas outros, no entanto afirmam o contrário, já que Anita chegou a ilustrar alguns livros de Monteiro Lobato, assim como na década de 40, participou juntamente com Menotti Del Picchia e Monteiro Lobato, no programa “Desafiando os Catedráticos”, através da Rádio Cultura, onde os ouvintes podiam telefonar e fazer perguntas para um dos três responderem.

 

 

 

Alguns anos depois Anita reencontrou-se novamente com Tarsila do Amaral e juntas se uniram a Oswald e Mário de Andrade e também de Menotti Del Picchia num círculo modernista que ficou conhecida por Grupo dos Cinco, que acabou por se desfazer quase um ano mais tarde. Também Anita e outros artistas participaram da Semana da Arte Moderna, onde ela compareceu com 22 de seus trabalhos.

 

 

 

 

Em agosto de 1923, já com seus 33 anos de idade, Anita embarcou rumo à França e lá encontrou o fim dos hábitos e costumes da belle époque, por causa da guerra, que também ocasionou um grande abalo na arte acadêmica. O momento agora eram ocupado pela arte moderna, atraindo diversos artistas para a Europa e principalmente artistas brasileiros à Paris para atualizarem-se. Durante essa época Anita teve a oportunidade de experimentar diversas possibilidades, produzindo novas e interessantes obras.

 

Anita Malfatti sentada ao lado de seus alunos

 

 

Anita voltou para o Brasil em setembro de 1928, e encontrou um Brasil bem diferente daquele que ela deixara em 1923. Agora o número de artistas plástico havia crescido consideravelmente com novos adeptos e movimentos. Em 1929, Anita abre em São Paulo a sua quarta exposição individual e depois continuou a desenvolver a sua arte até por volta de 1932, quando passou mais a dedicar-se ao ensino, dando aulas na Normal Americana e também na Escola Normal do Mackenzie College.

 

 

 

 

Depois retornou novamente as suas pinturas, tornando-se uma das grandes expressões artísticas da década de 40. Também se tornou presidente do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo em 1942, e paralelamente a continuação de suas obras passou a lecionar desenhos em sua casa até por volta de 1953. No final de sua carreira, nos finais dos anos 40, Anita mudou radicalmente o seu jeito de pintar, abandonou as fórmulas internacionais e passou a pintar cada vez mais de forma simples, procurando retratar aspectos da vida brasileira e da vida cotidiana do povo, entre outros assuntos.

 

Foto - Tarsila do Amaral e Anita Malfatti

 

 

 

Aos poucos foi dedicando menos a pintura e após a morte de sua mãe retirou-se com sua irmã Georgina para uma chácara em Diadema, em São Paulo, mas ainda assim continuou a ter algumas participações comemorativas e a receber homenagens, dentro do panorama artístico brasileiro, e até lembrada com uma sala especial na VII Bienal de São Paulo, em 1963. Durante os seus últimos anos de sua vida passou praticamente alienada do mundo, cuidando de seu jardim e dentro de seus devaneios, até falecer no dia 6 de novembro de 1964, aos 74 anos de idade.

 

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