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Charlie Chaplin - Ator - Diretor - Produtor - Roteirista - Parte 1


 

 

Existe uma palavra que os japoneses utilizam com muito respeito denominada “kimochi” (quimotí = pronúncia), que numa tradução mais próxima, pode estar ligada ao “humor e a sensação” e poderia ser também compreendida ocidentalmente, até talvez como “sentimento”, que é a essência de todas as coisas, essência essa que não fala somente do lado bom, do ruim, dos grandes momentos ou dos piores, mas que diz respeito ao todo, e essa, acredito eu, seja a verdadeira porção mágica que move a humanidade.

 

 

E, isso me fez lembrar Chaplin, o velho Carlitos, com suas roupas surradas, um chapéu que vivia sendo amassada, a bengala e algumas vezes até o cachorrinho. A figura do vagabundo que ele imortalizou, que na realidade é a representação de um tipo comum a todas as épocas, onde diversas pessoas ficam vagando de um lado para outro, a procura de algo que nem mesmo sabe o que é, o mundo sempre girando por uma grande opressão, sempre um momento muito difícil, onde alguns poucos vivem bem, e a maioria esmagadora passa por grandes dificuldades, e onde até a esperança é muitas vezes matéria escassa.

 

 

Mas o que fazia dele um ser tão especial, na minha opinião, não era o fato dele ser engraçado, atlético, malabarístico, e às vezes até cruel e irascível, mas um homem que sabia como ninguém contar “sentimentos”, sem nem mesmo precisar das palavras. Aliás, Chaplin não contava histórias, expressava “sentimentos”, e isso fez dele um humanista, não apenas um homem que tentava ser o melhor em sua arte, mas aquele que procurava dentro dele e em outras pessoas a verdadeira essência das coisas, e talvez seja um dos poucos que tenha realmente encontrado.

 

Foto - Hannah Harriet

 

A história da vida de Charles Spencer “Charlie” Chaplin começa bem antes de seu nascimento, quando Hannah Harriet Hill Pedlingham, lá pela sua mocidade deu a luz a uma criança que recebeu o nome de Sydney John Hill no dia 16 de março de 1885. O nome do pai sempre foi um mistério e alguns dizem que ele se chamava Hawkes, mas não existe nenhuma certidão de casamento entre Hannah e esse tal de Sr. Hawkes.

 

Foto - Charles Spencer Chaplin, Sr.

 

Mais tarde, quando sua mãe Hannah se casou com Charles Spencer Chaplin no dia 22 de junho de 1885, Sydney passou a usar o sobrenome Chaplin. Do casamento de Hannah com Charles nasceu o pequeno “Charlie” no dia 16 de março de 1885, em East Streat, Walworth, Londres, Inglaterra. Naqueles tempos Hannah e Charles (pai) eram dois artistas que trabalham no Music Hall e ela usava o nome artístico de Lily Harley.

 

Foto - Leo Dryden

 

Por volta de 1892, Hannah Chaplin conheceu um outro artista do Music Hall, chamado Leo Dryden e eles passaram a ter um relacionamento, e desse romance nasceu um filho que recebeu o nome de George Wheeler Dryden no dia 31 de agosto de 1892, levando ao colapso o casamento dela com Charles Spencer Chaplin. Eles se separaram logo depois do nascimento de George, que ficou sob os cuidados de seu pai biológico Leo Dryden, e Hannah com a tutela do pequeno “Charlie” e do filho mais velho Sydney.

 

 

Dizem que com o adultério, a separação de seu filho, Hannah passou a ter os primeiros surtos de doença mental. Foi também por essa época que Hannah começou a ter problemas na garganta e suas performances passaram a cada vez ficaram mais prejudicadas, obrigando ao jovem Charlie Chaplin, por volta de seus cinco anos de idade, a começar a se apresentar para assim poderem sobreviver, assim como seu meio-irmão Sydney.

 

 

Com o decorrer do tempo, a doença mental de Hannah começou a piorar, até que em 1895, teve uma forte crise e em junho de 1896, Hannah e seus dois filhos, Charles e Sydney deram entrada na Lamberth Workhouse, que era uma instituição ou algo semelhante a um hospício onde as pessoas incapazes de se sustentarem eram levadas e assim recebiam atendimento e alojamento.

 

 

Algumas semanas depois, enquanto Hannah era atendida na Lamberth Workhouse, Charlie e Sydney foram levados para a Hanwell School, uma escola destinada a órfãos e crianças carentes. Dois anos depois em 1898, Hannah passou por uma outra crise mental e nesta época Charlie e seu meio-irmão Sydney foram morar um tempo com o pai, Sr. Charlie Chaplin e de sua amante. Essa é a parte mais controversa de toda a história.

 

 

No entanto, alguns autores dizem que o pai abandonou família e eles nunca se viram, e dizem inclusive que Chaplin afirmou muitas vezes isso, mas alguns biógrafos estudiosos da vida de Chaplin, dizem que não foi bem assim, que Charlie e Sydney passaram um curto período de tempo com o pai. Até onde se estendeu essa relação é um mistério.

 

 

Outros autores citam que por essa época o pequeno Charlie e Sydney foram levado pela amante do pai para uma espécie de escola orfanato, e lá os dois passaram a maior parte do tempo, e outros afirmam que eles foram enviados para trabalhar em pequenas peças burlescas, muito comuns na época.

 

 

Existe também uma outra versão, na qual diz que depois de Charlie e Sydney serem levados para a Hanwell School, o meio-irmão Sydney foi colocado no programa projetado para treinar meninos para tornarem-se marinheiros, e assim ele permaneceu por vários anos recebendo boas notas dos seus empregadores. Depois deixou o serviço e se juntou a Charlie fazendo teatro por volta de 1905. Enfim é o que dizem e essa parte da infância é uma tremenda confusão.

 

Foto - Chaplin em The Eight Lancashire Lads - 1899

 

Em 1901, o pai do pequeno Charlie morreu de cirrose, pois se conta que ele era um alcoólatra e por essa época, Charlie Chaplin, agora com 12 anos de idade, fazia parte de um grupo conhecido por Eigh Lancashire Lads, uma trupe de jovens dançarinos, que se apresentava em salões de música na Grã-Bretanha no final do século 19 e início do século 20. Eles formavam uma trupe muito bem-sucedida, e eles costumavam recrutar outros membros, dando uma chance profissional principalmente aos jovens mais talentosos.

 

 

Em 1903, Charlie Chaplin conseguiu um papel para interpretar Billy, o pagem de Sherlock Holmes, numa peça escrita por William Gillette, e que era protagonizado pelo ator britânico H.A. Santsbury, e dizem que foi com ele que Chaplin começou a ter realmente os primeiros ensinamentos sobre a arte de representar.

 

 

Durante maio a setembro deste mesmo ano, sua mãe Hannah teve outra crise e ficou internada na Lunatic Aslum Cane Hill, em Surrey, uma espécie de hospital psiquiátrico. O próprio Chaplin conta que certo dia, ele e o seu irmão Sydney foram visitar a mãe e vendo as péssimas condições que a mãe estava sendo tratada revolveram levá-la para Peckham House, um asilo privado.

 

Foto - Cane Hill

 

Dizem que ela ficou no local até maio de 1915, quando foi devolvida ao Cane Hill, por falta dos pagamentos semanais, e alguns autores afirmam que isto seja bem possível que tenha acontecido, pois naquela época Sydney não conseguia bons trabalhos e Charlie estava envolvido com uma série de problemas em sua carreira no cinema, e mal tendo notícias de sua mãe.

 

 

Alguns autores contam que a primeira grande paixão amorosa de Chaplin aconteceu por volta de 1904, outros citam mais tarde, pela bailarina Hetty Kelly, quando ela tinha 16 anos de idade e por pouco quase casou com ela. Isso só não aconteceu porque ela havia recusado. Em vista disso, eles resolveram não se verem mais e assim parece que aconteceu. Dizem que anos mais tarde, Chaplin ficou arrasado ao saber que ela havia morrido doente durante a pandemia de gripe que assolou a mundo em 1918.

 

Foto - William Gillette

 

Em 1905, o autor William Gillette chegou à Inglaterra com a atriz Marie Doro para estrear sua nova peça chamada “Clarice”. Por essa época a peça “Sherlock Holmes” foi substituída por “Clarice” e Chaplin se manteve fazendo o papel de Billy até a produção terminar em 2 de dezembro deste mesmo ano. Durante o tempo da produção, o próprio William Gillete pessoalmente treinou Chaplin com seu estilo contido de atuação.

 

Foto - Fred Karno

 

Em 1906, Charlie conseguiu um emprego no Court Circus Casey, onde passou a desenvolver suas habilidades cômicas e se saiu muito bem. Um tempo depois, seu irmão Sydney chamou Charlie para trabalhar na companhia de Fred Karno, onde Sydney trabalhava fazendo muito sucesso em números de mímica.

 

 

Fred Karno foi um famoso comediante e acrobata e mais tarde se tornou também um grande empresário teatral do British music hall, e a ele é creditado por inventar a famosa gag do “creme de torta na cara”. Quando se tornou empresário, ele manteve uma grande trupe que contava com uma grande quantidade de artistas, entre eles Charlie Chaplin.

 

 

Todos eles faziam parte do conhecido “Exército de Fred Karno”, que era uma frase utilizada ocasionalmente no Reino Unido para se referir a um grupo ou uma organização caótica. Com o sucesso cada vez mais crescente do cinema, os negócios de Karno começaram a piorar e ele foi a falência por volta de 1925. Karno faleceu pobre em 18 de setembro de 1941, de diabetes, aos 75 anos de idade.

 

Foto - Max Linder

 

Por volta de 1909, Chaplin fez a sua primeira temporada viajando com a trupe para Paris onde conheceu Max Linder, com quem teve os primeiros contatos com o mundo do cinema. Linder pode ser considerado como o pai da primeira geração de comediantes do cinema norte-americano, especialmente de Chaplin, que o estudou profundamente.

 

Foto - Chaplin e Max Linder

 

Linder gostava da linguagem, ainda que incipiente, do uso da câmera parada acompanhando tudo o que acontecia no quadro, movimento esse conhecido por “Teatro filmado”. Ele usava poucos cenários e em outra apenas uma peça única. Sua comicidade não se baseava em oscilações de extremos e no burlesco, mas sim pelo movimento expressivo e uma fina observação psicológica na criação do personagem, e isso Chaplin observou atentamente.

 

Foto - Chaplin e Max Linder

 

Por volta de 1916, Max Linder mudou-se para os Estados Unidos e foi contratado pela Essanay Studios, que também contava com atores como Charles Chaplin, que ele já conhecia. Mas, como não alcançou o sucesso esperado, retornou à França em 1918, onde passou a trabalhar em outras produções francesas. Também se tornou uma vítima da doença da depressão, que o levou a ficar dependente de drogas, e num momento de 31 de outubro de 1925, fez um pacto suicida com sua esposa Jean Peters. Max Linder cortou as veias delas e em seguida as suas.

 

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