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Clóvis Graciano - Desenhista - Pintor - Cenógrafo - Gravador


 

 

Clóvis Graciano nasceu na cidade de Araras, interior de São Paulo, no dia 29 de janeiro de 1907, descendente de imigrantes italianos que vieram para o Brasil na tentativa de uma vida melhor. Aos 12 anos ficou órfão e para sobreviver começou a trabalhar em diversas coisas que apareciam e assim ganhar alguns trocados.

 

 

Desde muito cedo já demonstrava uma grande capacidade para o desenho e em 1927, depois de passar por vários empregos, conseguiu uma vaga na Estrada de Ferro Sorocabana, onde passou a função de pintar postes e tabuletas indicativas para a ferrovia. Por volta de 1934, foi transferido para a capital paulista, como fiscal de consumo, e por essa época começou a dividir seu tempo com o trabalho e também a desenvolver a sua arte.

 

 

Mais tarde, através de um amigo comum conseguiu conhecer o pintor Candido Portinari, que o incentivou a continuar a desenvolver o seu potencial. Pouco tempo depois passou a freqüentar o ateliê do pintor Waldemar da Costa, que se tornou um grande amigo e mentor, entre 1935 até por volta de 1937, e depois começou a fazer um curso livre de desenho na Escola Paulista de Belas Artes. Nessa época já havia feito diversos experimentos com desenhos, aquarelas até chegar a pintura à óleo.

 

 

Em 1937, consegue realizar a sua primeira exposição individual no estado do Pará e também cria um vínculo com outros artistas e passa a freqüentar o ateliê do pintor Francisco Rebolo e Mario Zanini, que também era freqüentado por diversos outros pintores.

 

 

A maioria deles formados por imigrantes e filhos de italianos como Fulvio Penacchi, Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, Humberto Rosa, mas também descendentes de espanhóis e portugueses como o Francisco Rebolo e Manuel Martins, entre outros. Essa confraria de amigos no ateliê de Rebolo passou a mais tarde a ser conhecida como Grupo Santa Helena.

 

 

Todos eles eram de origem humilde e autodidata, e para sobreviverem trabalhavam em atividades artesanais ou proletárias como pintores de parede, açougueiro, bordador, torneiro mecânico, jogador de futebol, entre outros. A união desse grupo perdurou por muitos anos, provavelmente devido a um enorme preconceito em relação a eles, aos imigrantes pobres, por parte não só das elites, mas também por parte dos imigrantes que tinham conseguido fortuna no Brasil. Esse preconceito ficou mais evidente quando os trabalhos do Grupo começaram a despertar interesse e ameaçar posições já definidas.

 

 

Em 1937, é idealizado um evento que ficou conhecido por Salão de Maio, na cidade de São Paulo, com vistas a consolidar as pesquisas artísticas modernas, após as diversas experimentações estéticas da década anterior. O primeiro salão contou com a participação dos grandes nomes do modernismo como Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Livio Abramo, Lasar Segall, entre diversos outros.

 

 

Essa exposição era constituída de um grupo fechado, de vanguardistas, com suas idéias próprias sobre a arte, mas por outro lado, não aceitavam aqueles que não estivessem de acordo com os seus conceitos e qualificações, indo de encontro principalmente ao grupo de artistas operários como os do Grupo Santa Helena, por exemplo. O Grupo Santa Helena por sua vez conseguiu o apoio de Paulo Rossi Osir e desta forma criaram a exposição denominada Família Artística Paulista, que aconteceu em novembro de 1937.

 

 

 

No entanto alvo, esta exposição foi alvo de muitas críticas dos jornalistas e críticos de arte, que passaram a acusar os pintores operários de estarem presos ainda ao velho tradicionalismo, fazendo uma arte arcaica e ultrapassada. Por sorte o grupo também passou a contar com o apoio de Mário de Andrade, um dos grandes defensores do Modernismo Brasileiro, que através dos jornais passou a defender o grupo dos ataques do pessoal do Salão de Maio.

 

 

A defesa do Grupo Santa Helena, de alguma maneira, fez com que se criasse uma certa abertura e assim alguns amigos do Grupo Santa Helena, como Volpi, por exemplo, teve também acesso ao segundo Salão de Maio, que aconteceu em junho de 1938, e no terceiro e último Salão realizado em 1939 estava presentes outros artistas operários como Clóvis Graciano e Fulvio Pennacchi, além de participações estrangeiras como de Alexander Calder, Josef Albers e Alberto Magnelli.

 

 

Foto - Alfredo Mesquita e Clóvis Graciano no

cenário da peça Fora da Barra

 

A partir da década de 40 sua carreira começa a tomar um rumo importante abrindo novas e grandes perspectivas, expondo no Salão Nacional de Belas Artes, onde recebe diversos prêmios como Menção Honrosa (1940), Medalha de Prata e Medalha de Ouro, em 1941. Também nesse mesmo ano faz uma individual no Centro Paranense em São Paulo, onde expõem seus desenhos a nanquim, guaches e monotipias. Somente a partir de 1943, que Clóvis apresentaria as suas primeiras pinturas a óleo.

 

 

 

Em 1942, Clóvis participa do concurso de desenho promovido pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, onde consegue o primeiro prêmio. A partir de então continua expondo em outros locais e aperfeiçoando cada vez mais a sua arte. Em 1948, recebe um prêmio de viagem ao estrangeiro e no ano seguinte embarca para a Europa onde permanece por dois anos conhecendo a França, Itália, Bélgica e outros países.

 

 

 

Durante essa viagem, Clóvis aproveita para aprender técnicas de produção de murais, incluindo trabalhos com mosaicos. A partir dos anos 50, começa a dedicar-se a pintura de mural, ilustração de obras literárias, a criar cenografias, assim como assume cargos públicos importantes como a direção da Pinacoteca do Estado de São Paulo, por volta de 1971 e também como adido cultural em Paris.

 

Foto - Mural no Edifício Nações Unidas na Avenida Paulista

 

Foto - Mosaico em Santos (SP)

 

Entre os seus trabalhos em grandes painéis estão o mural “Armistício de Iperoig” na Faculdade de Arquitetura Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1962; o painel “Operário” localizado na avenida Moreira Guimarães, em São Paulo; murais na Avenida Paulista (SP) e também no edifício do jornal Diário Popular, entre outras. Como cenógrafo, lecionou na Escola de Arte Dramática de São Paulo (EAD) e fez ilustrações diversas para jornais, revistas e livros como “Terras do Sem Fim” de Jorge Amado, e outras principalmente na década de 80.

 

 

Clóvis Graciano morreu em São Paulo, no dia 29 de junho de 1988, aos 81 anos de idade, e sempre será lembrado como um grande artista figurativo, escola que ela nunca abandonou em toda sua carreira. Um artista sem segundas intenções e que mostra uma arte quase sempre apresentada de modo simples em sua intencionalidade estética, mas com muita profundidade e sensibilidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais Fontes Bibliográficas

 

http://www.escritodearte.com/listarQuadros.asp?artista=14

http://pt.wikipedia.org/wiki/Clóvis_Graciano

http://www.pitoresco.com.br/brasil/graciano.htm

http://www.sampa.art.br/biografias/clovisgraciano/

http://mosaicosdobrasil.tripop.com/id18.html

 

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