Carlos Zéfiro - O Underground Brasileiro - 1/2


 

 

Carlos Zéfiro era o pseudônimo de um funcionário público brasileiro, que em suas horas vagas e as escondidas, desenhava pequenas histórias em quadrinhos, semelhantes a um folhetim, que eram impressas clandestinamente, em preto e branco e que continham desenhos mostrando várias histórias envolvendo homens e mulheres em diversas "sacanagens" e que eram conhecidos com o sugestivo nome de "catecismos", durante as décadas de 50 até 70.

 

 

O autor dessa proeza foi um brasileiro muito criativo chamado Alcides Aguiar Caminha, nascido em 25 de setembro de 1921, no Rio de Janeiro, casado com a dona Serat Caminha, com quem teve cinco filhos.

 

 

Durante toda a sua vida como funcionário público no setor de Imigração do Ministério do Trabalho, ninguém desconfiou que o seu Alcides fosse capaz de ter tamanha genialidade e criatividade para escrever e desenhar umas dessas histórias em quadrinhos, que batiam a vendagem de qualquer revista daquela época. A estimativa era que esses “catecismos” chegavam a um colossal número de tiragens, cerca de 30.000 exemplares, capazes de deixar qualquer escritor atual com “dor de cotovelo”.

 

 

Apesar de serem mal desenhadas e terrivelmente impressas essas "revistinhas pornográficas" conhecidas como "catecismos" satisfaziam o prazer tanto dos adolescentes, bem como dos bem mais velhos, que podiam se deliciar do sexo explícito, se excitar e fazer a sua "masturbaçãozinha", sempre às escondidas nos banheiros ou em algum lugar mais reservado. Provavelmente não exista nenhum brasileiro, com mais de quarenta anos que não tenha, pelo menos, um dia ter se deliciado com esses magníficos "catecismos".

 

 

Dizem que essas publicações eram chamadas de “catecismos” porque eram feitas no tamanho certo para serem colocadas dentro destes, já que a maioria dos garotos as comprava quando saia da missa.

 

 

Esses folhetins contavam histórias de tudo quanto era tipo: transas com a empregada, dentro do caminhão, no mato, traições com cornos pra tudo quanto era lado, tudo isso mostradas de forma clara e em diversas posições, capaz de deixar qualquer Kama Sutra parecendo gibis para a criançada. As preferidas eram aquelas com sexo anal ou oral e Zéfiro sabia como ninguém colocar aquele "algo mais" em suas histórias.

 

 

Convêm lembrar que nos anos 50 a 70, eram raríssimas as revistas de sexo que temos atualmente e também havia uma repressão enorme cultural e social em relação ao sexo. Tudo era proibido e o pecado estava em tudo que se relacionava ao sexo. O moralismo imperava em todas classes sociais. Num mundo tão repressivo como eram aqueles tempos a “revistinha do Zéfiro” servia como uma boa "válvula de escape" para as fantasias sexuais e liberar libidos.

 

 

Os desenhos de Zéfiro não eram lá essas coisas. Tinha os traços e suas figuras humanas eram pobres e eram descalcadas de fotografias eróticas que depois passavam por um processo de modificação e adaptadas ao formato das histórias em quadrinhos, inclusive com os diálogos muito semelhantes aos gibis da época.

 

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