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Companhia Cinematográfica Vera Cruz - Estúdio Cinematográfico Brasileiro - Parte 1


 

 

A história do cinema no Brasil começou há mais de um século atrás, no dia 8 de julho de 1896, no Rio de Janeiro e pouco tempo depois também nascia a primeira sala de cinema denominada de “Salão de Novidades Paris”, de propriedade de Paschoal Segreto e segundo alguns autores, o primeiro filme a ser realizado por aqui teria sido uma “Vista da baia da Guanabara”, em 19 de junho de 1898, pelo cinegrafista italiano Alfonso Segreto.

 

 

Mas a veracidade desta história ou se esse filme realmente existiu ou não, ninguém sabe ao certo, mas de qualquer forma o Dia do Cinema Brasileiro passou a ser comemorada no dia 19 de junho. Dessa época em diante muitas águas rolaram e o cinema brasileiro passou por poucas e boas, até que ao final dos anos 40, alguns empresários e banqueiros paulistas, passaram a ver o cinema sob uma ótica de um bom investimento, haja vista as grandes empresas cinematográficas norte-americanas que prosperavam a todo vapor.

 

 

A idéia central era a de criar uma companhia cinematográfica brasileira ligada diretamente ao conceito de tratar os temas brasileiros com a mesma técnica e linguagem ao melhor estilo que o cinema mundial, em especial a norte-americana. Sob este prisma e sonho a Companhia Cinematográfica Vera Cruz nasceu em 4 de novembro de 1949, na cidade de São Bernardo do Campo, no município paulista, tendo como principais acionistas o produtor italiano Franco Zampari e o empresário brasileiro Francisco Matarazzo Sobrinho.

 

 

Numa área de mais de cem mil metros quadrados, foi construído o estúdio, com todo material técnico das mais avançadas da época, e com profissionais que vieram até do exterior, e assim começou a funcionar a Companhia, que em pouco tempo de vida, tornaria a ser uma das mais importantes fontes cinematográfica do Brasil.

 

 

Dentro desse padrão internacional e base industrial nasceu o primeiro filme do estúdio chamado “Caiçara”, em preto e branco. Para quem não sabe, a palavra “caiçara” é de origem tupi e normalmente se refere aos habitantes das zonas litorâneas. O filme narrava o drama de uma jovem que se casa com homem muito autoritário numa aldeia de pescadores.

 

 

As filmagens tiveram início no começo dos anos 50, na Ilha Bela, litoral paulista, onde cerca de 70 pessoas, entre técnicos e atores passaram a rodar a película, que tinha no elenco principal Eliane Lage, Carlos Vergueiro, Mário Sérgio, Abílio Pereira de Almeida, Maria Joaquina da Rocha e Adolfo Celi, entre outros. Curiosamente, Adolfo Celi também foi um dos diretores do filme ao lado Tom Payne e John Waterhouse.

 

 

Os roteiros foram preparados pelo produtor Alberto Cavalcanti, Adolfo Celi, Ruggero Jacobbi, Gustavo Nonnenberg e Afonso Schmidt, e foi lançada no cinema do Brasil no dia 1 de novembro de 1950, com duração de aproximadamente 92 minutos. Assim foi feita a estréia da primeira semente desta novíssima produtora cinematográfica.

 

 

O filme ganhou alguns prêmios importantes como o Governador do Estado de São Paulo, na categoria de Melhor Produtor para Alberto Calvalcanti e como Melhor Filme Sul-Americano no Festival de Punta Del Este, no Uruguai em 1951, entre outros.

 

 

Pouco tempo depois, neste mesmo ano de 1950, foi realizada a segunda produção da Vera Cruz denominada “Terra é Sempre Terra”, em preto e branco, baseado na peça teatral “Paiol Velho” de autoria de Abílio Pereira de Almeida, que também foi o responsável pelo roteiro cinematográfico.

 

 

A música ficou a cargo do maestro Guerra Peixe e contou com a Orquestra Sinfônica do Teatro Municipal de São Paulo e também das canções “Nem Eu” de Dorival Caymmi, que também interpretou a música e “Qual o quê”, composição de Jucata e Guido de Morais e cantado por Alberto Ruschel e Renato Consorte.

 

 

O filme contou no elenco principal com Marisa Prado, Mário Sérgio, Abílio Pereira de Almeida, Ruth de Souza, Eliane Lage e Ricardo Campos, entre outros e narrava uma história numa plantação de café abandonada e onde um capataz chamado Tonico dirigia tudo e a todos com mãos de ferro. O espetáculo ganhou prêmios importantes e foi filmada na cidade de Indaiatuba e na Fazenda Quilombo em Campinas, interior paulista.

 

 

Após o primeiro ano de funcionamento e balanço de suas atividades para as próximas produções, obrigaram a Vera Cruz a fazer um grande empréstimo diretamente com o Banco do Estado, o que mostrava claramente que não houvera um planejamento eficaz nos investimentos dos filmes em seu primeiro ano de existência.

 

 

Na época muitos jornais chegaram a denunciar essas deficiências de investimentos, levando a Companhia a fazer altos empréstimos bancários, bem como as dificuldades da colocação dos filmes para fora do Brasil, mas apesar de tudo isso, os administradores da Vera Cruz desmentiam esses fatos dizendo tratar-se apenas de boatos sem fundamente e que a Companhia estava bem e caminhava para uma situação melhor ainda.

 

 

Aparentemente os comentários dos jornais pareciam infundados, haja vista o sucesso de suas produções junto ao grande público. O filme “Tico-Tico no Fubá”, por exemplo, chegou a ser apresentado em 22 salas de cinemas simultaneamente, um feito inédito para um filme brasileiro até então. “Veneno” contou até com a presença da atriz mundialmente conhecida do cinema mexicano como Leonora Amar.

 

 

O outro que se destacou foi “O Cangaceiro” de 1953, que foi apresentado em 24 cinemas e representou o Brasil no famoso Festival de Cannes e chegando a ganhar o Primeiro Prêmio Internacional para Fitas de Aventura, sem falar de “Sinhá Moça”, que faturou o Leão de Bronze em Veneza, além de outros tantos.

 

 

Apesar de todas essas benesses aparentes, o sonho do cinema brasileiro caiu na realidade por volta de 1954, quando a Companhia entrou em declínio e ninguém mais escondia as dificuldades da empresa. Uma das grandes causas desse declínio da empresa residia na falta de uma idealização primária na criação de um sistema próprio de distribuição dos filmes produzidos pela Vera Cruz.

 

 

Tendo que repassar para outros distribuidores, a Companhia perdia quase de 60% de sua arrecadação, além do que havia muitas dificuldades de colocação dos filmes brasileiros no mercado internacional. Mesmo dentro do próprio território brasileiro a concorrência era bastante desigual em relação aos filmes estrangeiros.

 

 

Naquela época os ingressos das salas de cinema eram tabelados e a inflação vigente no país, fazia com que a arrecadação do cinema nacional ficasse bastante prejudicada, já que para os filmes estrangeiros norte-americanos, o governo pagava a diferença existente do dólar oficial e do paralelo.

 

 

Apesar disso, entre trancos e barrancos a Vera Cruz conseguiu sobreviver por um bom período. Em 1958, foram produzidos os dois últimos filmes da Companhia. Um deles foi “Ravina”, dirigido por Rubem Biafora, baseado numa história de Walter Guimarães Motta, numa co-produção com a Brasil Filmes Ltda., e tendo no elenco Carlos Alberto, Milton Amaral, Sandra Amaral, Hélio Ansaldo e Tito Livio Baccarin, entre outros.

 

 

 

O outro filme foi uma co-produção com a Paulistania Filmes, chamada “Macumba na Alta”, que narrava a história de um homem pobre atropelado por um jovem bêbado milionário e que depois passa a ser chantageado. O filme contou no elenco principal com Armando Bógus, Rosilda Mendes, Lucy Campos, Fábio Cardoso, Osmano Cardoso e Felipe Carone, entre outros.

 

 

Pouco tempo depois da execução desses filmes, a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, que atuava mais como uma distribuidora nos últimos anos, do que propriamente uma produtora, decretava sua falência. Acabava assim o sonho de um cinema genuinamente brasileiro, mas apesar de seu pouco tempo de existência formou uma escola de técnicos, atores e cineastas, que posteriormente vieram para o novo veículo chamado televisão, tornando-a uma das melhores do mundo.

 

 

Recentemente começou-se um trabalhoso projeto de recuperação desse precioso acervo da Vera Cruz, que acabou gerando um CD-ROM denominado “Vera Cruz e Seus Filmes”. Também foram realizadas diversas exposições fotográficas a partir do acervo, além de um livro em 2003, intitulada “Vera Cruz – Imagens e História do Cinema Brasileiro”.

 

 

Entre 2004 a 2005, através do apoio e incentivo fiscal da Prefeitura do Município de São Paulo, e com o patrocínio de uma empresa particular, foi realizado um restauro e digitalização de seu acervo iconográfico de mais dez mil negativos e documentos.

 

 

Em 2006, contando com o apoio da empresa REDECARD, deu-se o início da restauração de seu acervo cinematográfico. A partir de maio de 2010 o acervo da Vera Cruz pode também ser assistido através da Internet, gratuitamente, através da Elo Company, e até o momento já conta com 13 longas metragens e 5 documentários já estão disponibilizadas no canal online Elo Cinema, como uma grande contribuição para o patrimônio histórico e cultural do Brasil.

 

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