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Grande Otelo - Ator - Cantor - Compositor - Parte 1


 

 

Se alguém citar o nome Sebastião Bernardes de Souza Prata, provavelmente uma grande maioria de pessoas não saberá de quem se trata, mas se dissermos que esse era o nome do ator, cantor e compositor brasileiro Grande Otelo, aí as coisas ficam bem mais fáceis. Dizem que Grande Otelo nunca soube o dia exato que nasceu, sendo assim mais tarde ele próprio escolheu o dia de seu batizado, dia 18 de outubro de 1917, como sendo também a data de seu nascimento.

 

 

Grande Otelo era filho de Maria Abadia de Souza e de Francisco Bernardo da Costa, e ao contrário dos que muitos imaginam, ele não era um carioca, mas sim um mineiro da cidade de Uberlândia, interior de Minas Gerais. Dizem que Grande Otelo nunca conheceu o pai, que também era conhecido em Uberlândia como Chico dos Prata, pois trabalhava na fazenda da família prata, onde sua mãe era empregada doméstica. Conta-se também que Otelo teve mais um irmão, que tinha o mesmo nome do pai Francisco, mas que ele não teve oportunidade de conhecê-lo, e que morreu em Brasília, nos anos 70.

 

 

Dizem que Grande Otelo, além de escolher o dia de seu nascimento, também escolheu o seu nome que inicialmente era Sebastião Bernardo da Costa e acrescentou o nome Prata, porque seus pais moravam na fazenda da família Prata. Alguns outros autores citam que seu Francisco, pai de Otelo, morreu esfaqueado, em circunstância que ninguém sabe bem dizer como ocorreu e que sua mãe era cozinheira e que passava a maior parte do tempo alcoolizada.

 

 

Ao que parece, apesar dos pesares, o pequeno Sebastião passou sua infância tranqüila, como qualquer garoto, e que desde cedo já se mostrava como um garoto muito vivaz, aprendia rapidamente as poesias e gostava de declamar, cantar e dançar, principalmente em frente ao Grande Hotel de Uberabinha, onde geralmente os hóspedes gostavam e davam-lhe alguns trocadinhos, que ele as utilizava para comprar suas guloseimas.

 

 

Quanto ele completou oito anos de idade descobriu o que gostaria de ser na vida, ao assistir o filme “O Garoto” de Charles Chaplin. Ele ficou tão impressionado com o filme que assim que o circo chamado Serrano passou pela cidade, ele logo se apresentou aos donos e conseguiu um pequeno papel dentro do espetáculo.

 

 

Ao ver a versatilidade do garoto diante da platéia, os responsáveis pela companhia Iara Isabel e sua filha Abigail Parecis, ficaram encantados com o pequeno Sebastião, e rapidamente trataram de conversar com a dona Maria Abadia, mãe do pequeno Sebastião, se ela consentia em deixar eles adotarem o garoto e assim ensinar-lhe todos os segredos da vida artística. Assim foi feito, inclusive de papel passado e ele acabou vindo para São Paulo junto com a companhia.

 

 

Chegando em São Paulo, o pequeno Sebastião passou a morar na casa da família, onde moravam o pai João Manuel Gonçalves, a mãe Iara Isabel e a filha Abigail Parecis, que apesar de ser atriz tinha o grande sonho de um dia tornar-se uma cantora lírica, por isso mesmo tomava freqüentemente aulas de canto.

 

 

Foi por essa mesma época que passou a ser chamado pelo professor de canto carinhosamente de Pequeno Otelo, por que o professor achava que Sebastião tinha uma boa voz e um dia, se treinasse poderia se tornar um tenor, e como ele era negro, poderia até interpretar o personagem Otelo, da ópera de Verdi. A partir de então todos o passaram a chamá-lo de pequeno Otelo.

 

 

O pequeno Otelo passou a estudar no Grupo Escolar do Arouche e depois na Escola Modelo Caetano de Campos, no centro da capital paulista. Por essa mesma época a dona Iara Isabel e sua filha Abigail foram para a Itália para aperfeiçoar ainda mais o canto, e sem a presença delas na casa, o pequeno Otelo ao poucos foi se transformando num garoto de rua, até que um dia acabou sendo levado pelo Juizado de Menores.

 

 

Mas, por sorte Sebastião caiu nas graças da família Queiroz principalmente ao vê-lo declamar, cantar e dançar com muita galhardia e assim através do incentivo do Juiz ele foi levado para morar na residência deles. Lá chegando foi matriculado no Liceu Sagrado Coração de Jesus, porém com o passar do tempo voltou a fazer as mesmas malandragens da rua.

 

 

Desta forma, o advogado Antônio de Queiroz levou o Sebastião de novo para João Manuel Gonçalves, que o colocou na companhia para trabalhar nos shows e assim afastar das suas maladragens. Mesmo tendo apenas 10 anos de idade e já conhecido como o Pequeno Otelo, passou a incorporar a trupe da Companhia Negra de Revistas, e com o grupo se apresentou em Santos, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Bahia, mas pouco tempo depois a companhia acabou se dissolvendo e o Pequeno Otelo foi para a Companhia de Sebastião Arruda.

 

 

Durante essa época fazia algumas apresentações em alguns teatros e não parava em nenhum lugar, fazendo alguma coisa aqui e ali, até que por volta de 1935 passou a atuar com constância dentro da Companhia Tro-lo-ló, pertencente a Jardel Jércolis, que também era o pai do falecido ator Jardel Filho, e um dos pioneiros do teatro de revista.

 

 

Dizem que ao fazer a peça “Goal”, Jardel Jércolis apresentou-o pela primeira vez como Grande Otelo, apelido esse que ele carregou orgulhosamente por toda sua vida. Ainda nesse mesmo ano, os produtores do filme brasileiro “Noites Cariocas” resolveram incluir na película, as primeiras cenas do teatro de revistas numa produção cinematográfica brasileira, com a participação da Companhia Jardel Jércolis.

 

Foto - Grande Otelo e Oscarito

 

Por tabela o nosso Grande Otelo também acabou participando, sendo assim o seu primeiro filme. Curiosamente neste espetáculo Grande Otelo e Oscarito se cruzaram pela primeira vez num filme e mais tarde os dois se tornariam uma das duplas cômicas mais famosas e engraçadas do cinema brasileiro, e juntos protagonizariam cerca de 13 filmes.

 

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