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Norma Bengell - Atriz - Cantora - Cineasta


 

 

Em 21 de janeiro de 1935, nascia na cidade do Rio de Janeiro, Norma Aparecida Pinto Guimarães d´Áurea Bengell, mais conhecida por Norma Bengell, filha de um afinador de piano de origem alemã e de Maria da Glória, que nasceu numa família rica, mas acabou sendo deserdada pelos pais por não concordar com o seu casamento.

 

 

Norma cresceu em Copacabana e quando ela estava com dez anos de idade seus pais se separaram e assim foi morar com seus avós paternos, que a colocou no internato de freiras alemãs, o Colégio Nossa Senhora da Piedade, mas logo os avós tiveram de tirar ela de lá devido a sua indisciplina e passou a estudar no Colégio Andrews, onde abandonou os estudos por volta de seus 13 anos de idade.

 

 

Algum tempo depois foi convidada a participar de um desfile da Festa das Rosas, realizada no Copacabana Palace, que lhe rendeu o emprego de manequim na Casa Canadá e logo depois foi convidada a atuar no teatro de revista. Sua estréia ocorreu em 1954, como show-girl num espetáculo de Caribé da Rocha que foi apresentado no Copacabana Palace. Depois começou a trabalhar com Carlos Machado nas boates Casablanca e Night and Day no Hotel Serrador, e foi por essa época que o famoso compositor Stanislaw Ponte Preta cunhou a expressão “Norminha, meu Bengell.

 

 

Em 1959 foi convidada para atuar no filme “O Homem do Sputnik”, uma comédia sob a direção de Carlos Manga, onde Norma atuou cantando e parodiando a famosa atriz francesa Brigitte Bardot e também por esse mesmo ano gravou o disco “OOOOOOH! Norma”, pela Odeon. No ano seguinte atuou nos filme “Conceição” (1960), de Hélio Souto. Também se apresentou cantando nos Estados Unidos, assim como estreou no teatro na peça “Procura-se uma Rosa”.

 

 

 Em 1961, voltou ao cinema com o filme “Mulheres e Milhões”, de Jorge Heli e atuando ao lado de Jece Valadão, e também em “Carnival of Crime” e “Sócia de Alcova”, mas a sua consagração no cinema somente viria no ano seguinte em 1962, no filme “Os Cafajestes”, sob a direção de Ruy Gerra, e onde encabeçou o elenco principal ao lado Jece Valadão, Daniel Filho e Hugo Carvana, entre outros.

 

 

O filme mostra a história de um jovem que vivia das benesses de seu rico pai, até que ele vai à falência, assim trama um flagrante de seu tio, também muito rico com uma mulher, com a intenção de tirar fotos e assim tentar extorquir dinheiro dele. O filme foi indicado ao Urso de Ouro no Festival de Berlim em 1962, e o espetáculo também causou um escândalo daqueles quando Norma realizou a primeira cena de nu frontal na história do cinema brasileiro, que se certa maneira fez com que ela se tornasse muito famosa, ao mesmo tempo muito perseguida pelos setores mais conservadores da nossa sociedade.

 

Foto - Geraldo Del Rey e Norma Bengell

em O Pagador de Promessa

 

Ainda em 1962, Norma foi convidada para cantar num show na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, mas foi impedido pelos padres, que já não a via ela com bons olhos pelo nu frontal, pela sua declaração a favor da pílula anticoncepcional. Também nesse mesmo participou do filme “O Pagador de Promessa”, sob a direção de Anselmo Duarte, ao lado de Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio de Azevedo, Geraldo Del Rey e Othon Bastos, entre outros.

 

 

O espetáculo ganhou o prêmio Palma de Ouro como Melhor Filme no Festival de Cannes de 1962 e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cartagena de 1962, na Colômbia e também o prêmio Golden Gate como Melhor Filme e Melhor Trilha Sonora no San Francisco International Film Festival de 1962, nos Estados Unidos e ainda uma indicação ao Oscar de 1963, como Melhor Filme Estrangeiro.

 

 

O filme “O Pagador de Promessa” também abriu caminho para Norma seguir uma carreira internacional ao conhecer em Cannes o produtor Dino di Laurentis, foi para a Itália e participou do filme “Mafioso” uma comédia e drama policial italiana, sob a direção de Alberto Lattuada, ao lado de Alberto Sordi, Gabriella Conti, Ugo Attnasio e Cinzia Bruno, entre outros. No ano seguinte em 1963, fez mais três filmes italianos “Il mito”, “I cuori infranti” e “La ballata dei mariti” e também atuou na França com Patrice Chéreau, do Théatre national Populaire.

 

 

Em 1964, retornou ao Brasil para participar do filme “Noite Vazia” de Walter Hugo Khouri e ao lado de Odete Lara, Mário Benvenutti, Lisa Negri e Gabriele Tinti, entre outros. O espetáculo também concorreu à Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1965, mas não ganhou. Durante as filmagens deste filme, Norma casou com o ator italiano Gabriele Tinti nos estúdio da Vera Cruz, casamento esse que durou até 1969.

 

Foto - John Herbert e Normal Bengell em As Cariocas

 

Depois participou do filme" Mar Corrente", voltou novamente para a Itália e atuou em diversos filmes, e também uma breve passagem por Hollywood onde teve uma participação na série de televisão “The Cat”. Durante o período compreendido entre 1965 a 1969, atuou em diversos filmes na Itália e também em muitas películas brasileiras tais como “As Cariocas” de 1966, “Edu, Coração de Ouro” de 1968 e “Antes, o Verão” também de 1968, entre outros.

 

 

Ainda em 1968, participou da peça teatral “Cordélia Brasil” de Antonio Bivar, direção de Emilio di Biasi e ao lado de Luís Jasmim e Paulo Blanco, entre outros, numa época em que Brasil atravessava uma ditadura ferrenha, principalmente com a perseguição de intelectuais, jornalistas e artista. Dentro desse cenário, Norma também foi seqüestrada pelo DOI-Codi e logo depois decidiu se auto-exilar em Paris.

 

 

Retornou em 1969, para fazer o filme “O Anjo Nasceu” sob a direção de Julio Bressane, ao lado de Hugo Carvana, Milton Gonçalves, Maria Gladys e Neville d´Almeida, entre outros, mas o filme ficou interditado pela censura por algum tempo até ser liberado. Na década de 70, atua na peça “Os Convalescentes” no Teatro Opinião, sob a direção de Gilda Grillo e diversos filmes brasileiros como "As Confissões de Frei Abóbora”, “Paixão na Praia”, “O Palácio dos Anjos”, “Os Deuses e os Mortos” e “Paranóia”, entre outros, e também em dois filmes franceses “Les soleils de I´lle de Pâques” e “Défense de savoir”, todos de 1973.

 

 

Em 1977, gravou um disco pela gravadora Phonogram “Norma Canta Mulheres” e em 1978 trabalhou no curta-metragem “Mulheres de Cinema”. Nos anos 80, passou a atuar no cinema em diversas obras importantes como “A Idade da Terra” de Glauber Rocha, “Eros, o Deus do Amor” de Walter Hugo Khouri, “Tabu” de Julio Bressane e “Rio Babilônia” de Neville de Almeida, entre outros.

 

 

Na televisão participou das novelas “Os Adolescentes” e “Os Imigrantes” pela Rede Bandeirantes; na minissérie “Parabéns pra Você” de Bráulio Pedroso; na novela “Partido Alto” de Aguinaldo Silva e Glória Perez e “O Sexo dos Anjos” de Ivani Ribeiro pela Rede Globo. Em 1988, Norma dirigiu o seu primeiro filme “Eternamente Pagu”, que narra a vida da escritora e jornalista Patricia Rehder Galvão (Pagu), e também como atriz no filme.

 

 

No início dos anos 90, o cinema brasileiro ficou bastante prejudicado e quase paralisado com a extinção da EMBRAFILME, pelo governo Collor e durante essa época Norma se engajou politicamente na luta pela retomado do cinema brasileiro, onde teve de fazer várias viagens à Brasília, e onde aconteceu o famoso beijo no então presidente Itamar Franco que deu o que falar.

 

 

Apesar desse cenário desfavorável para o cinema brasileiro, Norma ainda protagonizou em 1992, o filme “Vagas para Moças de Fino Trato”, sob a direção de Paulo Thiago e atuando ao lado de Maria Zilda Bethlem, Lucélia Santos, Marcos Frota e Paulo César Peréio, entre outros e o espetáculo chegou aos cinemas em 1993 e nesse ano Norma participou do programa “Você Decide” pela Rede Globo.

 

 

Em 1996, dirigiu o segundo filme “O Guarani” baseado no romance homônimo de José de Alencar, com Márcio Garcia, Tatiana Issa, Herson Capri e Glória Pires, entre outros. No início do novo milênio, em 2001, gravou pela Sony Music o CD “Groovy – Faixa “Feaver”, e em 2005, Norma Benguel foi a dirigir o documentário “Magda Tagliaferro – O Mundo Dentro de um Piano”, onde retrata a vida da pianista através de depoimentos e raras imagens da trajetória artística da brasileira Magda Tagliaferro, que viveu entre 1893 a 1985.

 

 

Ainda neste mesmo ano de 2005, Norma Bengell dirigiu o filme “Infinitamente Guiomar Novaes” também narrando a vida da grande pianista brasileira. Entre 2008 a 2009, assinou um contrato com a Rede Globo e atuou no seriado brasileiro “Toma Lá, Dá Cá”, criado por Maria Carmem Barbosa e Miguel Falabella, que foi exibido até 22 de dezembro de 2009. Em 2010, seu nome veio a tona durante a campanha da pré-candidata do PT à Presidência da República, a ex-ministra Dilma Rousseff, que provocou polêmica e acusação de uso indevido da imagem.

 

Foto - Norma Bengell em Toma Lá, Dá Cá

 

Na metade do ano de 2011, começaram a circular notícias de que Norma Bengell se encontrava numa cadeira de rodas e sem trabalho, após escorregar num tapete de sua casa e operado da coluna e cotovelo. Viúva e sem filhos, a partir de então passou a ficar sentado numa cadeira de rodas, não tendo dinheiro para pagar suas despesas mínimas, agravado pelo bloqueio de seus bens devido às irregularidade do seu filme “O Guarani”. Também solicitou pensão ao governo por ter sido perseguida durante o período da ditadura, mas a espera de uma resposta.

 

 

Filmografia

 

Infinitamente Guiomar Novaes - 2005

Magda Tagliaferro – O Mundo Dentro de um Piano - 2005

O Guarani - 1996

Vagas para Moças de Fino Trato - 1992

Fronteiras – 1988

Eternamente Pagu - 1988

Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal - 1987

Running out of Luck - 1987

A Cor do Seu Destino - 1986

Fonte da Saudade - 1986

O Filho Adotivo - 1984

Tensão no Rio - 1984

Rio Babilônia - 1983

Tabu - 1982

Abrigo Nuclear - 1981

Eros, o Deus do Amor - 1981

A Idade da Terra - 1981

Mulheres de Cinema - 1978

Na Boca do Mundo - 1978

Mar de Rosas - 1978

Maria Bonita - 1977

Nas Quebradas da Vida - 1977

Paranóia - 1976

Assim Era a Atlântida - 1975

Défense de savoir - 1973

Les soleils de l'Ile de Pâques - 1973

O Demiurgo - 1972

As Confissões de Frei Abóbora - 1971

Capitão Bandeira contra o Doutor Moura Brasil - 1971

A Casa Assassinada - 1971

Paixão na Praia - 1971

O Abismo - 1970

O Palácio dos Anjos - 1970

Os Deuses e os Mortos - 1970

O Anjo Nasceu - 1969

Verão de Fogo - 1969

OSS 117 prend des vacances - 1969

Antes, o Verão - 1968

Dezesperado - 1968

Edu, Coração de Ouro - 1968

Io non perdono... uccido - 1968

Juventude e Ternura - 1968

A Espiã que Entrou em Fria - 1967

As Cariocas - 1966

I Crudeli - 1966

La muerte se llama Myriam - 1966

Terrore nello spazio - 1965

Mar Corrente - 1965

Una bella grinta - 1965

La costanza della ragione - 1964

Noite Vazia - 1964

La ballata dei mariti - 1963

I cuori infranti - 1963

Il mito - 1963

Mafioso - 1962

O Pagador de Promessas - 1962

Os Cafajestes - 1962

Sócia de Alcova - 1961

Carnival of Crime - 1961

Mulheres e milhões - 1961

Conceição - 1960

Homem do Sputnik - 1959

 

Vídeo

Principais Fontes Bibliográficas

 

http://vejasp.abri.com.br/blogs/walcyr-carrasco/2011/04/06/e-estrela-esquecida/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Norma_Bengell

http://www.dicionariompb.com.br/norma-bengell

http://books.google.com.br/books?id=cqt35OogAQYC&pg=PA55&dq=norma+bengell+-+night+and+day&hl=pt-BR&sa=X&ei=mVBWT7fRNIejgwe0_ri_Cg&ved=0CDYQ6AEwAA

Enciclopédia do Cinema Brasileiro – Fernão Ramos – Luiz Felipe Miranda – Ed. Senac São Paulo

 

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