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Rebolo - Francisco Rebolo - Pintor Brasileiro


 

 

 

Existem pessoas que conseguem se destacar em diversas coisas durante a sua existência e parece que tudo que se propõe a fazer acaba se transformando em sucesso. Este provavelmente é o caso de Francisco Rebolo, também conhecido simplesmente como Rebolo, que nasceu como Francisco Rebolo Gonsales, que se tornou conhecido como um grande jogador de futebol e também como um dos maiores pintores brasileiros.

 

 

Ele chegou ao mundo no 22 de agosto de 1902, em São Paulo, filho de imigrantes espanhóis que chegaram ao Brasil no século XIX para tentar levar uma vida mais digna. Desde criança mostrou ser um grande esportista e logo passou a ser visto como um craque jogando futebol nos campinhos perto de sua casa, e também por volta dos seus 13 anos de idade começou a trabalhar como aprendiz de decorador.

 

 

Dois anos mais tarde conseguiu uma vaga como jogador de futebol num time de várzea chamada Argentinos, assim como continuou seu trabalho como decorador. Depois foi jogar na Associação Atlética São Bento e em 1922 chegou ao Sport Club Corinthians Paulista, onde atuou até 1927, e nesse tempo foi campeão do Centenário da Independência. Depois foi para o Clube Atlético Ypiranga, em São Paulo, onde pendurou as chuteiras em 1934, aos 32 anos de idade.

 

 

 

Paralelamente as suas jogadas no futebol, em 1926, montou um ateliê de decoração na Rua São Bento, bem no centro da capital paulista e a partir de 1933, transferiu o seu ateliê para uma sala no edifício Palacete Santa Helena, que não mais existe e que ficava na Praça da Sé, época que começa a ter contato com diversos outros pintores, a maioria deles autodidatas, que vinham das classes de operários e serviços artesanais.

 

 

 

Logo depois de abandonar o futebol, por volta de 1935, começou a compartilhar o seu ateliê com o pintor Mario Zanini, e aos poucos o local foi se transformando espontaneamente num ponto de encontro de diversos amantes da pintura e que procuravam um lugar dentro da arte paulistana, numa época em que a arte era dominada por artistas mais conceituados da elite e reconhecidos pela imprensa e pelos críticos de arte.

 

 

 

Rebolo continuou a desenvolver sua pintura, assim como o seu trabalho no setor de decoração, e desta forma passou a ser responsável por inúmeras decorações em diversas residências, assim como nas igrejas de Santa Ifigênia e Santa Cecília, localizadas na região central da capital de São Paulo.

 

 

 

Nesse tempo suas pinturas tentavam retratar paisagens, naturezas mortas, com um olhar voltado para a cidade e seus habitantes. Também entre os anos de 1937 a 1939, elaborou um novo escudo do Corinthians acrescido da âncora e dos remos, e que permanece até os nossos dias.

 

 

 

Em seu ateliê Rebolo e Zanini passaram a acolher uma gama de pintores, sem maiores pretensões e sem nenhum compromisso conceitual. A maioria deles formados por imigrantes e filhos de italianos como Fulvio Penacchi, Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, Humberto Rosa, mas também descendentes de espanhóis e portugueses como o próprio Francisco Rebolo e Manuel Martins, entre outros. Essa reunião de amigos no ateliê de Rebolo passou a mais tarde a ser conhecida como o Grupo Santa Helena.

 

 

Todos eles eram de origem humilde e autodidata, e para sobreviverem trabalhavam em atividades artesanais ou proletárias como pintores de parede, açougueiro, bordador, torneiro mecânico, jogador de futebol, entre outros. A união desse grupo perdurou por muitos anos, provavelmente devido a um enorme preconceito em relação a eles, aos imigrantes pobres, por parte não só das elites, mas também por parte dos imigrantes que tinham conseguido fortuna no Brasil. Esse preconceito ficou mais evidente quando os trabalhos do Grupo começaram a despertar interesse e ameaçar posições já definidas.

 

 

 

Em 1937, é idealizado um evento que ficou conhecido por Salão de Maio, na cidade de São Paulo, com vistas a consolidar as pesquisas artísticas modernas, após as diversas experimentações estéticas da década anterior. O primeiro salão contou com a participação dos grandes nomes do modernismo como Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Livio Abramo, Lasar Segall, entre diversos outros.

 

 

 

Essa exposição era constituída de um grupo fechado, de vanguardistas, com suas idéias próprias sobre a arte, mas por outro lado, não aceitavam aqueles que não estivessem de acordo com os seus conceitos e qualificações, indo de encontro principalmente ao grupo de artistas operários como os do Grupo Santa Helena, por exemplo. O Grupo Santa Helena por sua vez conseguiu o apoio de Paulo Rossi Osir e desta forma criaram a exposição denominada Família Artística Paulista, que aconteceu em novembro de 1937.

 

 

No entanto alvo, esta exposição foi alvo de muitas críticas dos jornalistas e críticos de arte, que passaram a acusar os pintores operários de estarem presos ainda ao velho tradicionalismo, fazendo uma arte arcaica e ultrapassada. Por sorte o grupo também passou a contar com o apoio de Mário de Andrade, um dos grandes defensores do Modernismo Brasileiro, que através dos jornais passou a defender o grupo dos ataques do pessoal do Salão de Maio. Ainda em 1937, Rebolo também ajudou na formação do Sindicato dos Artistas Plásticos de São Paulo.

 

 

 

A defesa do Grupo Santa Helena, de alguma maneira, fez com que se criasse uma certa abertura e assim alguns amigos do Grupo Santa Helena, como Volpi, por exemplo, teve também acesso ao segundo Salão de Maio, que aconteceu em junho de 1938, e no terceiro e último Salão realizado em 1939 estava presentes outros artistas operários como Clóvis Graciano e Fulvio Pennachi, além de participações estrangeiras como de Alexander Calder, Josef Albers e Alberto Magnelli.

 

 

 

Em 1945, juntamente com outros artistas resolveu criar o Clube dos Artistas e Amigos da Arte, que virou um lugar muito conhecido e freqüentado pelos intelectuais chamado Clubinho, da qual foi diretor por diversas vezes. Três anos mais tarde também fez parte da elaboração e criação do Museu de Arte Moderna de São Paulo, e em 1951, participou da I Bienal de São Paulo, cuja criação contou também com a sua colaboração.

 

 

 

A partir da década de 50, as obras de Rebolo foram desenvolvidas mais pautadas na figuração, mas também começou suas experimentação do abstracionismo. Em 1955, embarcou para a Europa com um prêmio ganho no III Salão Nacional de Arte Moderna e um ano depois foi para o Vaticano, onde fez um curso de restauração e também participou da recuperação de uma obra de Raphael.

 

 

 

Um ano depois fez uma exposição na Embaixada do Brasil em Roma, onde mostrou a sua produção européia  e entre 1958/59, incentivado pelo pintor Marcelo Grassmann, iniciou uma série de experiências como gravador e começou a produzir gravuras em xilogravura, água forte e litogravuras.

 

 

 

Na década de 60, continuou a fazer diversas exposições na Galeria de Arte São Luiz, em São Paulo, mostrando pinturas à óleo e gravuras. Também participou como júri no II Salão de Arte Moderna do Distrito Federal, além de uma individual na Galeria Comodoro, em São Paulo, entre outras.

 

 

 

Por volta de 1971, iniciou uma série de viagens pelo Brasil, onde passou a retratar as cores brasileiras em suas telas, assim como expondo em diversos estados brasileiros. Em 1973, realizou a sua primeira grande retrospectiva, com cerca de 360 obras, no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Em 1975, participou da mostra “40 anos do Grupo Santa Helena”, no Paço das Artes, em São Paulo e no ano seguinte da XIII Bienal de São Paulo e parte de suas obras passaram a fazer da coleção da Pinacoteca do Estado de São Paulo, “A paisagem na coleção da Pinocoteca”.

 

 

 

No dia 10 de julho de 1980, o Brasil perdeu Francisco Rebolo, aos 78 anos de idade, de um infarto. Rebolo pode ser considerado como um dos mais importantes paisagistas da pintura brasileira e seus trabalhos são estimados em mais de 3000 pinturas, centenas de desenhos e um conjunto de 50 diferentes gravuras, de variadas técnicas, além retratos, naturezas mortas, entre outras.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Principais Fontes Bibliográficas

 

http://www2.uol.com.br/franciscorebolo/

http://www.pinturabrasileira.com/artistas.asp?cod=15

http://www.bolsadearte.com/cotações/rebolo.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Francisco_Rebolo

http://terceirotempo.ig.com.br/quefimlevou_interna.php

http://www.itaucultural.org.br/aplicExternas/enciclopedia_IC/

 

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