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Xepa - Fim de Feira - Dona Xepa - Teatro - Novela - Filme


 

 

É curioso que algumas palavras ou expressões começam a serem incorporadas no nosso dia-a-dia sem que a percebamos e muitas vezes assim elas acontecem decorrentes de um filme famoso, uma novela ou até mesmo numa propaganda de algum produto, entre outras, e o mesmo também podemos dizer da palavra Xepa, que com o passar do tempo passou a ser utilizada para vários significados.

 

 

Alguns entendem Xepa como aquela mercadoria como verduras, frutas e legumes, que são vendidas quase ao término das feiras-livres, geralmente constituídas por produtos que fácil deterioração pelo tempo e assim colocada a um baixo preço para vender mais rapidamente ou dar cabo do produto perto do final da feira e muitos também apelidaram esse momento de "a hora da xepa".

 

 

Outros também entendem que Xepa são aqueles produtos que tem péssima aparência por terem sido diversas vezes ou mal manipuladas pelos fregueses durante o processo de escolha de seus alimentos prediletos ou necessários e assim acabam por tornar seu aspecto pouco comerciável. Também Xepa é utilizada para designar a comida dos quartéis, dos presídios devido a sua qualidade e quantidade, assim como aquela comida que restou do almoço, que é geralmente requentada e novamente servida no jantar, entre outras diversas definições.

 

 

A palavra também ganhou uma grande projeção e notoriedade dentro da cultura popular a partir de uma novela apresentada pela Rede Globo de televisão nos anos 70, intitulada "Dona Xepa", escrita por Gilberto Braga, baseado numa peça teatral de mesmo nome de autoria de Pedro Bloch.

 

 

A peça teatral fez um grande sucesso através de uma companhia fundada por Alda Garrido nos anos 40 e que começou a apresentar diversas peças que triunfaram em boas bilheterias, entre elas "Dona Xepa" em 1953, que conseguiu um enorme sucesso no teatro do Rio de Janeiro, onde a própria Alda Garrido protagonizou a personagem título e dizem terem sido encenadas por mais de 500 vezes, imortalizando a atriz por essa interpretação.

 

 

A história narra a vida de uma mulher muito simples, uma dona-de-casa muito rude, de gestos estabanados e sem papas na língua, moradora de um bairro pobre da periferia, mas que apesar de todo o seu lado grotesco é capaz de ter gestos de grandeza e gentileza, e mesmo sofrendo todas as humilhações faz de tudo para que seus filhos tenham uma vida melhor.

 

 

Em 1959, "Dona Xepa" chegou ao cinema produzido pela Cinedistri e Cinelância Filmes, sob a direção de Darcy Evangelista, que juntamente com Alipio Ramos escreveram o roteiro baseado na obra de Pedro Bloch e tendo no papel principal a atriz Alda Garrido, que também fez um grande sucesso no teatro. O filme contou entre outros com, Nino Nello, Odete Lara, Colé Santana, Zezé Macedo, Cilo Costa e Herval Rossano, que curiosamente viria a dirigir a novela de mesmo nome pela televisão nos anos 70. A peça "Dona Xepa" também foi remontada em 1974, e protagonizada pela atriz Vanda Lacerda, mas foi mal recebida pela crítica, que o considerou de nostalgia anacrônica e não justificada.

 

 

Três anos depois, uma novela chamada "Dona Xepa" chega à televisão e exibida entre 24 de maio a 24 de outubro de 1977, no horário das 18 horas e teve ao todo 132 episódios, sob a direção de Herval Rossano. A trama da novela é muito parecida à peça teatral de Pedro Bloch mostrando o dia-a-dia de Dona Xepa, interpretada magnificamente pela atriz Yara Cortes, como uma feirante que cria sozinha seus filhos Edson e Rosália.

 

 

Mesmo lutando com grandes dificuldades financeiras e trabalho duro na feira, Xepa consegue que seus filhos estudem atém atingir um melhor patamar social, quando eles passam a sentir vergonha da mãe pobre, debochada e sem modos. O filho Edson sonha em ser um grande escritor, mas tem pela frente muitas dificuldades para entrar nesse fechado mercado e a filha Rosália quer ter uma vida de luxo e riqueza e acaba se casando com um homem bem sucedido e rico, rejeitando o seu grande amor que sente pelo seu pobre vizinho chamado Daniel.

 

 

Dona Xepa tem uma vida sacrificada, acorda diariamente de madrugada para trabalhar na feira, foi abandonada pelo marido quando as crianças eram ainda pequenas e apesar deles sentirem vergonha dela, não admite em hipótese alguma que alguém fale mal deles. A novela obteve uma grande audiência e a partir de então toda vez que se escuta o termo Xepa fatalmente acabamos nos lembrando da novela.

 

 

A atriz Yara Cortes, nasceu como Odete Cipriano Serpa no dia 22 de setembro de 1921, no Rio de Janeiro e trabalhou no teatro e cinema, mas foi na televisão que ela conquistou grande popularidade principalmente ao interpretar a personagem na novela "Dona Xepa", nos anos 70, que praticamente marcou sua carreira e sempre muito lembrada por essa personagem. Fez a sua primeira novela na televisão com "Acorrentados" produzida pela TV Rio em 1969.

 

 

Mais tarde veio para Rede Globo onde atuou em diversas outras e fez sua última atuação na novela "História de Amor" escrita por Manoel Carlos exibida entre 1995 a 1996. No cinema atuou nos filmes "O Palhaço o que é?" (1959), "Viver de Morrer" (1971), "Jerônimo, o Herói do Sertão" (1972), "Obsessão" (1973) e "Rainha Diaba" em 1974, e no teatro em inúmeras peças. Yara Cortes morreu no dia 17 de outubro de 2002, aos 81 anos de idade no Rio de Janeiro, vítima de insuficiência respiratória aguda, no Hospital Copa D´Or, onde estava internada e sofria de câncer de pulmão.

 

 

Alda Garrido nasceu em São Paulo em 1896, e se tornou uma das grandes atrizes do teatro de revista. Aos 19 anos de idade, juntamente com seu marido o ator Américo Garrido formaram a dupla "Os Garridos" um dueto de grande sucesso e nos anos 20 mudaram-se para o Rio de Janeiro onde organizaram o Teatro América, e fazem sua estreia em 1924, com a peça "Luar de Paquetá" de autoria de Freire Junior.

 

 

Depois foram trabalhar na companhia de Pascoal Segreto em 1926, e depois contratada para trabalhar na Companhia Nacional de Revistas, no Teatro Recreio onde fizeram diversas comédias. Em 1939, Alda Garrido e a atriz Aracy Cortes fazem sucesso no espetáculo "Tem Marmelada" de Carlos Bittencourt

 

 

Nos anos 40 também passara a fazer teatro musicado e fundam a sua própria companhia que passa a apresentar diversas peças de sucesso e nos anos 50, Alda se consagrou com a peça "Dona Xepa" de Pedro Bloch no teatro em 1953 e também no cinema em 1959. Em meados dos anos 60, Alda Garrido se afastou dos palcos e morreu no dia 8 de dezembro de 1970, no Rio de Janeiro, aos 74 anos de idade.

 

 

Pedro Bloch nasceu na Ucrânia, em 1914 e quando ainda criança sua família veio para o Brasil e se instalou no Rio de Janeiro. Aqui Pedro estudou e se formou na Faculdade de Medicina e se especializou como médico foniatra e ao mesmo tempo também começou a escrever livros, peças de teatro e atuar como jornalista. Nos anos 40, em parceria com Roberto Ruiz escreve a peça "O Grande Alexandre" que é encenada em 1947, pela Companhia Déa-Cazarré, no Teatro Regina, no Rio de Janeiro e depois no ano seguinte em São Paulo, no Teatro Boavista.

 

 

Em 1950, chegou ao sucesso com a peça "As Mãos de Eurídice", um monólogo que ficou muito famoso através do ator Rodolfo Mayer. Escreveu mais de 50 livros e diversas peças teatrais, e também trabalhou como jornalista na revista Manchete e o jornal O Globo, e morreu no dia 23 de fevereiro de 2004, aos 89 anos de idade, de insuficiência respiratória aguda, no apartamento que morava em Copacabana.

 

Vídeo

 

Principais Fontes Bibliográficas

 

http://www2.uol.com.br/jornaldecampos/484/yara.htm

http://www.spescoladeteatro.org.br/enciclopedia/index.php?Yara_Cortes

http://www.infopedia.pt/$pedro-bloch

http://memoriaglobo.globo.com/0,27723,GYN0-5273-223593,00.html

http://inmemorian.multiply.com/photos/album/318

 

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