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Contato - Parte 1


 

 

Meu nome é Osamu Nakagawa e cheguei a este planeta numa grande nave mãe e aportei em terras brasilis no dia 8 de junho de 1953, ainda sem data de retorno. Cheguei num momento histórico e muito importante, pois há poucos anos uma estranha coisa chamada televisão estava acontecendo por aqui.

 

 

Por pouco, quase não nascemos juntos. A televisão no Brasil é apenas três anos mais velha do que eu. Eu não me lembro quando eu vi pela primeira vez um programa de televisão, vivíamos num mundo onde muitas poucas pessoas possuíam um aparelho de tevê.

 

 

Mas, lembro de alguns programas que eu e outras crianças do bairro assistíamos, sentado na escadaria de uma padaria, cujo dono, sempre deixava a televisão ligada para atrair a freguesia. Lá víamos o Circo do Arrelia, Gincana Kibon, Roy Rogers, Cisco Kid, a Praça da Alegria e pouco tempo depois até o programa do Silvio Santos, que já existia naquela época.

 

 

Alguns anos mais tarde, muitos já possuíam os aparelhos de televisão, mas em minha casa ainda não tinha. Era uma época formidável, pois quem possuía o aparelho geralmente abriam as portas para os outros também poderem assistir. Ninguém vivia numa jaula.

 

 

A primeira televisão que a minha irmã comprou era um televisor Emerson, em preto e branco cuja antena externa deixava a ver mais chuviscos do que outra coisa, mas foi uma grande felicidade, principalmente ao ver meu avô sentado no sofá vibrando vendo o videotape dos Jogos Olímpicos do Japão, se não me engano, que passava numa emissora.

 

 

Cresci assistindo Hebe, Jovem Guarda, Astros do Disco, Chacrinha e os belos desenhos animados da época como Pepe Legal, Gasparzinho e séries como O Menino do Circo, Rota 66 e O Fugitivo, entre tantas outras. Era muito legal.

 

 

Muitos apostavam em Sergio Murilo como sendo a grande sensação da década com a sua esperada Marcianita, mas Roberto Carlos chegou de mansinho, com seu Calhambeque parando na contra-mão e assumindo a Jovem Guarda.

 

 

Celly Campello desaparecia do cenário artístico, mas surgia Wanderlea com a calça justinha e mandando parar o casamento. Erasmo era o parceiro perfeito de Roberto e Ronnie Von surgia como um príncipe encantado para as moçoilas, cantando Meu Bem e jogando os cabelos para cima ou para trás.

 

Foto - Programa Jovem Guarda

 

Eduardo Araújo cantava goiabão, goiabão, goiabão, depois casou com a Silvinha e todos diziam que se tornou um maridão; muitos comparavam a voz do Agnaldo com a de um trovão, Roberto tinha um carrão; Erasmo era o tremendão, sem esquecer nunca do Sergião. Quando o artista era bonitão, as meninas logo diziam que ele era um pão e isso já faz um tempão.

 

 

Só Esso dava ao seu carro o máximo e você podia também confiar na Shell. Fidel já estava no poder, mas por aqui só Cuba-libre. Coió era um cara idiota e Cecê dava mal cheiro ao sovaco. Batuta era um cara ponta firme e tudo era uma brasa, mora! 

 

 

Sissi Jovem Guarda acabava de chegar e Quem Bebe Grapete, Repete Grapete. Wanderlea era a ternurinha, Wanderley era o bom rapaz e Martinha era o queijinho de Minas. Paulo Sérgio e Ronnie Cord logo nos deixou. Diana casou com Odair José, que por sua vez vivia dizendo pra ela parar de tomar a pílula, pois ela não deixava o filho dele nascer.

 

 

Outros refrigerantes também atiçavam a minha curiosidade. Cerejinha era uma delas. Arrelia e Pimentinha premiavam algumas crianças com ela na TV. Isso me dava água na boca. Curioso, eu nunca experimentei. A primeira Coca-Cola tinha gosto de remédio, mas adorava Crush e em nenhuma festa podia faltar Tubaina

 

Foto - Leno e Lilian

 

Leno e Lílian era um só dilema. Ela vivia dizendo Devolva-me e ele só a chamava de Pobre Menina. Demétrius só vivia no Ritmo da Chuva e Waldirene era a Garota do Roberto. Todo mundo sabia, menos ele é claro, que não botava fé nos Mexericos da Candinha.

 

 

Sérgio Reis era o compridão da turma e tinha um coração que não era de papel, depois se encheu e foi viver com Ana Raio e Zé Trovão. Os Vips tentavam cantar as menininhas dizendo Largo Tudo e Venho te Buscar ou Faça Alguma Coisa pelo Nosso Amor, mas Renato e Seus Blue Caps preferiam dizer Menina Linda eu te adoro, mas isso às vezes virava um Escândalo e o Trio Esperança promoviam a Festa do Bolinha.

 

 

Os Incríveis nasceram como The Clevers, depois alguns integrantes do conjunto viraram Casa das Máquinas e também o Som Nosso de Cada Dia. Os Golden Boys surgiram como uma versão brasileira dos The Platters, depois tomaram seu rumo, mas viviam perguntando, Você o Cabeção por aí? Jerry Adriani era só Doce Doce Amor e Ed Wilson só queria sair com O Carro do Papai.

 

 

Ronnie Von no começo era só Meu Bem de cá e de lá, depois virou um metrossexual e Mãe de Gravata, agora ele Todo Seu. O negócio do Ronnie Cord era pegar as minas na Rua Augusta ou ir a praia à procura de um Biquíni de Bolinha Amarelinha

 

 

Já Wanderléa era a Prova de Fogo e Erasmo começava mais manero, com uma Gatinha Manhosa. Mais tarde já casado com Narinha dizia preferir Mulher, antes que alguém o pegasse na mentira. Tim Maia começou com Roberto em Os Sputiniks e Os Brasas simplesmente desapareceram, mas The Jordans, por incrível que pareça, ainda estão com pé na estrada.

 

 

Deny e Dino adoravam a vida noturna, eram corujas, Nilton César foi sempre um Professor Apaixonado e Meire Pavão não ficava longe da Família Buscapé. O mulherão da Elizabeth dizia pra todo mudo Sou Louca por Você, enquanto Giane preferia fazer um pic-nic com Dominique. The Jet Blacks atacavam de Apache, enquanto os The Brazilian Bitles quebravam o nosso galho, pois ter os originais custava muito caro.

 

 

LP - Ronnie Von com os Mutantes - 1967

 

Muitos consideram o fim da Jovem Guarda como 1968, mas pode-se dizer que se estendeu aos meados de 70, onde uma nova safra começava a brotar. Ainda em 67 Ronnie Von gravava com Os Mutantes, que na década seguinte se tornaria um dos principais grupos do rock brasileiro. Raul Seixas também pintava no pedaço criando a Sociedade Alternativa.

 

 

Todos cantavam Help ao som do rá tá tá das metralhadoras que ecoavam do Vietnã. Nixon perdeu o emprego escutando o que não devia. Não se podia confiar em alguém com mais trinta anos. Robert Zimmerman virou Bob Dylan, John Lennon dizia que o sonho havia acabado, e todos queriam a foto de Che Guevara.

 

 

Os Kennedys chegavam ao poder, Jânio renunciava e Jango assumia. Quatro rapazes de Liverpool passaram a encantar o mundo, The Beatles nascia, juntamente com The Who, Roling Stones e The Animals, entre tantos outros. Enquanto isso João XXIII abria o Concílio do Vaticano II, a grande revolução Papal começava. Gagarin ia para o espaço e Milton Nascimento surgia num Clube de Esquina.

 

 

A Beatlemania foi uma época para mim de grandes descobertas. Quando George Dunning dirigiu o animado Submarino Amarelo, baseado na famosa música de mesmo nome, fui ao cinema e fiquei assombrado. Nunca havia visto nenhum desenho animado com tantas cores e formas inusitadas.Tudo era muito psicodélico, colorido. A história era muito complicada para minha pequena cabeça, mas o grafismo me deixava de boca aberta, pasmo. 

 

 

Outra que não podia ficar sem registro eram os diversos posters incríveis que pintavam no pedaço, simples e genial como a dos Rollings Stones ou a de Jimmy Hendrix, misturando-se as cores e palavras, aquilo era uma verdadeira loucura, porém, não esqueçam, estávamos nos anos 60.

 

 

Rock and Roll também significava rebeldia ao som de Joan Baez e Bob Dylan. Não esquecer jamais de Peter, Paul & Mary ou Mamas & Papas. Em Woodstock, Hendrix tocava guitarra com a boca e Janis soltava a sua voz rouca. Por aqui era tempo de Festival. Chico e Nara vinham com a Banda, Vandré e Jair só em Disparada.

 

Foto - Jane Fonda em Barbarella

 

Brigit Bardot e Ursula Andress se tornavam símbolos sexuais, Jean Seberg era a mais bonita da década e Audrey Hepburn se transformava numa Bonequinha de Luxo. Em plena Nova Iorque, Simon & Garfunkel faziam a festa. Chegava Dustin Hoffman para a sua Primeira Noite de Um Homem. A vulgaridade da vida americana era criticada Sem Destino e Barbarella transava telepaticamente no espaço.

 

 

Foi um tempo de muitas lutas a serem vencidos, muitos tabus a serem quebrados. Ditadores haviam de montão. As feministas erguiam suas bandeiras e queimavam o sutiã em praça pública. Era a chegada do amor livre, liberdade para as borboletas. Abram alas para a pílula, o bem sempre vencia o mal, e havia o certo e o errado, agora é tudo igual. Todos conseguiram a liberdade que pediram e ninguém mais sabe o que fazer com ela.

 

 

Jane Birkin e Serge Gainsbour sussurravam eroticamente Je t´ame Moin Non Plus, enquanto Mary Quant subia a saia e Twiggy surpreendia. Foram anos de contracultura e ditadura, inicio das perseguições, prisões e torturas. Ainda assim, Anselmo Duarte faturava a primeira Palma de Ouro para o Brasil e o Pasquim iniciava a sua primeira tiragem.

 

 

No fim dos anos sessenta surgia 2001 Uma Odisséia no Espaço, e todos por aqui já tinham na ponta do lápis quantos anos teria quando chegasse o limiar do novo milênio. Os anos se passaram, o homem ainda não foi muito além da lua e continuamos a fazer farofa na praia. Internet ninguém previu, mas tem gente que alega que viu. Assim falou Zaratustra.

 

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