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Contato - Parte 2


 

 

Perdoem-me, mas pouco lembro da década de 50 e quando ela se findou eu tinha apenas sete anos de idade e as poucas lembranças eram algumas brincadeiras, comuns a muitas outras crianças daquela idade, como brincar de esconde-esconde, pega-pega e coisas similares. Também da escola, que desde aquele tempo eu já detestava e fazer lição de casa era o meu calvário.

 

 

Mais tarde quando já estava no ginásio, as aulas de história nos contava que foi a era marcada pelos grandes avanços na ciência, de mudanças culturais e comportamentais. Mas, fora da aula, a história era outra, todos só falavam que a década começara com o Brasil perdendo a Copa para o Uruguai em pleno Maracanã. Depois foi a vez da Alemanha sagrar-se campeão e finalmente nós também entrávamos para a lista.

 

 

Jornais da época noticiavam que uma cadela chamada Laika se tornava o primeiro ser vivo a ficar em órbita da Terra. Também ocorreu início a Guerra da Coréia; a Revolução Cubana e quase no fim da década, a Guerra do Vietnã. Mas, eu não entendia nada disso, o meu negócio era outro, tentar ler os gibis do Pato Donald, do Mickey e de outros que circulavam naquele tempo. Já Mandrake, Batman, Superman e o Fantasma somente bem mais tarde, quando adolescente.

 

 

Pouco antes da chegada da nova década, nas eleições de 58, o vereador que teve mais votos foi um tal de Cacareco, nome de um rinoceronte do Zoológico de São Paulo. Muitos diziam que era coisa do Ademar e muitos recordam dele até hoje, do Cacareco naturalmente. É engraçado, mas dessa até eu lembro.

 

 

Em sintonia com as transformações dos Anos Dourados, como fora chamada aquela década, Elizabeth II tornava-se rainha, Getúlio se suicidava, Perón perdia o poder e Juscelino era eleito presidente. Nascia a Petrobrás e Elvis começava seu caminho ao estrelato e eu, coitado, ainda continuava sentado banco do grupo escolar.

 

Foto - Lia Marques na TV na Taba

 

Os livros mostram que o primeiro programa a ser apresentado na televisão brasileira foi TV na Taba, e Repórter Esso começava logo depois, assim como a Praça da Alegria, que chegava a TV Paulista. Em 56, a TV Record e a TV Rio transmitiram o jogo Brasil e Itália direto do Maracanã. O videotape foi utilizado pela primeira vez em 58 e um ano depois era inaugurada a TV Excelsior em São Paulo.

 

Foto - Flávio Cavalcanti

 

Chacrinha comandava em 57, na TV Tupi a Discoteca do Chacrinha. Também nascia o primeiro programa feminino O Mundo é das Mulheres e Flávio Cavalcanti comandava Noite de Gala e o humor ficava por conta de Noites Cariocas e O Riso é o Limite. É claro que eu não me lembro de nada disso, mas é o contam os mais antigos.

 

 

No começo da nova década 60, o Twist chegava com Chubby Cheker e também por essa época um tal de raligali também fazia a cabeça da moçada. Eu era pequeno, só olhava e escutava o que as minhas irmãs e suas coleguinhas comentavam. Muitos, porém diziam que tudo começara com Bill Haley e Seus Cometas, Chuck Berry, Fats Domino, Little Richard, Jerry Lee Lewis e Gene Vincent, entre outros tantos, que eu só fora conhecê-los muitos anos depois.

 

Foto - Little Richard e Bill Haley

 

Fui crescendo e não via a hora do tempo passar para pelo menos a tudo compreender, era assim que eu imaginava. Alguns anos depois começava uma outra fase em que eu achava que a tudo sabia. Na época, livros eu não lia, trauma dos tempos de escola, quando me forçavam a ler Assis e Alencar. Assim resolvi viver o dia-a-dia, um pé após o outro, nessa grande escalada da vida e até que não foi ruim.

 

Foto - Caetano Veloso cantando Alegria, Alegria

acompanhado dos Beat Boys

 

Comparativamente, a televisão para a garotada da minha época era a mesma coisa que o computador, o celular e os videogames de hoje. Toda gente curtia adoidada e os assuntos geralmente giravam em torno dele.

 

Foto- Sergio Ricardo

 

Na escola discutíamos quem deveria ganhar os Festivais de Música Popular. Muitos não se conformavam por Caetano Veloso não ter ganhado com Alegria, Alegria, alguns só falavam em Geraldo Vandré, e outros só se lembravam de Sérgio Ricardo quebrando o violão e jogando para cima do público, que o vaiava freneticamente.

 

 

Lembro-me que na escola eu ia muito bem nas redações e escrevia até com certa facilidade, diante dos outros amigos nipônicos, que só eram craque em química, física e matemática, cujas matérias eu nunca compreendia.

 

 

Nas aulas de português havia um professor que sempre me aconselhava, não use a palavra concomitantemente, é muito feio. Não seja tão peritapatético, procure sim ser peripitório, que na minha cabeça rimava mais com mictório ou bode espiatório.

 

 

Nos bailes da escola as canções dos The Marmelades, The Tremeloes, Procol Harum e Johnny Rivers significavam um convite para dançar agarradinho, de rosto coladinho. Toda a garotada se preparava para o evento da noite. Uma Gillet para apanar a penugem, brilhantina Glostora no cabelo ou Brylcreem, um pouco de perfume Lancaster apanhado escondidinho do pai e Nugget no sapato para deixar tudo brilhando.

 

 

Feitos os preparativos, a gente ia se agrupando, uns passando na casa do outro e formando a turma e lá íamos para enfrentar as garotas. Grande parte era perna de pau, não sabia levar a menina ou pisava no pé. Esses eram bem manjados e as garotas não eram bobas, e se preparavam para dar a tábua (não!) no primeiro que se aproximasse delas, aí o baile simplesmente acabava.

 

 

Calça Lee, boca de sino, com sapato carrapeta era o tcham da época. Quem não tinha usava cândida na calça rancheira para desbotar. Brilhantina não, no cabelo só Gumex. Pente no bolso era peça obrigatória e camisinha era apenas mais uma roupa pequena.

 

Foto - Catecismos do Zéfiro

 

Rico era marica e o pobre, veado. O termo gay ainda não existia. Mulher com mulher somente nos catecismos do Zéfiro. Todos iam ao baile para tentar dançar agarradinho e quem não sabia dançar ficava a ver navios. Beijo só de leve, colocar a língua dentro da boca, nem sonhando.

 

 

Sexo somente mamãe e papai, outra posição era pecado mortal, coisa de depravado. Todos adoravam as “coxonas” roliças. Se uma mulher era linda e não dava bola pra ninguém, logo era taxada de vaca, se saía muito virava galinha. Se andar com um cara de carro era Maria Gasosa. Cinta-liga deixava os homens doidos e laquê, as mulheres não dispensavam para não estragar o penteado.

 

 

Tudo era ingênuo, mas muito bem definido e besteira também era cultura nacional. Muitos alertavam, não confunda cú com bunda. Banda de fuzileiros era uma coisa, bunda de funileiros era outra. Pessoa educada não dizia palavrão, pois era significado de baixo calão, coisa de peão. A hipocrisia imperava e muita coisa só fachada tinha, pois entre quatro paredes a conversa era outra.

 

 

Troca-troca era animal, o início sexual. Masturbação, palavra difícil, causava paura e ninguém manjava, mas a outra coisa todo mundo sabia e fazia. Os mais velhos falavam, quem muito pratica, pêlos nas mãos nascia. Todos tinham o seu esconderijo para as velhas revistinhas e fogos Caramuru eram as únicas que não davam chabu. Braguinha há tempos já alertava, Banana menina tem vitamina, Banana engorda e faz crescer.

 

 

Receita caseira era o que mais funcionava. Muitos diziam que para voltar a nascer cabelo, nada melhor que esfregar excremento de galinha e o pior que tinha uns doidos que assim o fazia e seguia. Óleo de fígado de bacalhau era bom pra tudo. Rapé curava bicho do pé. Jaboticaba prendia, mamão soltava, quando o cara pegava xato e dava coceira no saco, somente Neocid resolvia.

 

 

Houve um tempo em que as pernas femininas eram bastante valorizadas e aquela cruzada, ninguém resistia, principalmente em mulher bonita, não há quem os perdia, e os cofrinhos dos seios também tinham a sua vez. Bunda era preferência masculina, hoje até mulher aprecia, mas cuidado, que o buraco é mais no meio.

 

Foto - Golias - Renata Fronzi e Zeloni - Família Trapo

 

Vi a Rede Globo nascer fazendo Plim Plim, mas também presenciei o fechamento da Excelsior, da Tupi e a Record deixando de ser a grande emissora da época. Muitos já não estão mais conosco. Chacrinha foi para céu, Flávio Cavalcanti também. Otelo Zeloni foi uma grande perda. Outros pequenos artista-mirins cresceram e são hoje celebridades. Alguns desapareceram e sempre aparece alguém perguntando, onde anda fulano... Quem se lembra de....

 

Foto: Jacinto Figueira Júnior - O Homem do Sapato Branco

 

O Homem do Sapato Branco e Quem tem Medo Verdade eram os programas polêmicos da época. Ratinho ainda era somente um pequeno camundongo. Em Esta Noite se Improvisa muitos mostravam outros talentos. Quem tinha fusca ficava sem o brucutú.

 

Foto - Carequinha

 

Houve um tempo que o circo foi a grande sensação da televisão. Arrelia e Pimentinha eram os donos dos domingos. Ninguém podia ficar sem o "Como vai, vai, vai....Muito bem, bem, bembem....". Carequinha cantava que o bom menino não faz xixi na cama e vai sempre bem na escola. Torresmo era uma outra grande opção.

 

Foto - Blota Junior e Sonia Ribeiro entregando troféu

 

Randal Juliano nunca sorria em Astro do Disco. Omar Cardoso era o grande astrólogo da época. O casal Blota Junior e Sonia Ribeiro eram os grandes anfitriões da televisão. Murilo Antunes Alves e Helio Ansaldo liam as boas e comentava as más notícias. Os tempos mudaram e chegou à vez de Cid Moreira e Sérgio Chapelin.

 

 

Grandes astros também aportaram por aqui. Nat King Cole foi um deles, Rita Pavone foi a grande sensação e The American Beatles enganou todo mundo. Mais tarde foi a vez Julio Iglesias a iniciar sua carreira rumo ao sucesso, sem esquecer de Manolo Otero, que tentou e tentou.

 

 

Muitos tiveram que se mandar do Brasil. Caetano foi para Inglaterra e lá nasceu London London. Por aqui É Proibido Proibir era apenas uma canção que poucos compreendiam. Gil e Chico Buarque também foram embora, outros nem tiveram tempo para isso, morreram lá mesmo no porão da insanidade de alguns generais.

 

 

Toni Tornado era a grande sensação com a BR3 no Maracanãzinho e Simonal fez todo mundo cantar Meu Limão Meu Limoeiro. Dom e Ravel viraram hino em plena ditadura e acabaram sendo massacrados simplesmente por dizer Eu Te Amo Meu Brasil. Simonal também. Dizem que Vandré passou a advogar.

 

Foto - Grande Otelo e Oscarito

 

Da Atlântida e da Vera Cruz chegaram nomes importantes que deram uma enorme contribuição como Grande Otelo, Oscarito, Zé Trindade, Ankito, entre outros que trouxeram um pouco da chanchada de risos e alegria para a nossa pequena tela.

 

Foto - Virginia Lane

 

O teatro de revista forneceu as glamurosas vedetes como Virginia Lane, Mara Rúbia, Dercy Gonçalves e Araci Côrtes, entre outras, que passaram também a embelezar a televisão. Com elas vieram também as grandes marchinhas embaladas por Emilinha, Linda e Dircinha. Blecaute também.

 

Foto - Max Nunes

 

Chico Anísio, Max Nunes, Haroldo Barbosa, Manuel da Nóbrega, entre outros vieram da rádio e criaram o formato conhecido até os dias atuais do humorismo brasileiro. Tempos depois nascia também a primeira formação dos Adoráveis Trapalhões com Renato Aragão, Wanderlei Cardoso, Ted Boy Marino, Ivon Cury e Dedé Santana, nos bons tempos da Excelsior.

 

Foto - Os Trapalhões

 

Depois vieram outras formações dos Trapalhões com Dedé, Didi, Mussum e Zacarias. Os dois últimos comediantes já nos deixaram e atualmente existe um novo grupo com jovem bastante jovem mostrando que também sabem fazer rir, sem esquecer naturalmente daqueles que vieram junto com eles como Jorge Lafond, Tião Macalé, Felipe Levy e Roberto Guilherme, entre outros.

 

Foto - Leila Diniz

 

Também foram tempos de grandes revoluções. Norma Benguell mostrava pela primeira vez no cinema brasileiro os seios descobertos, escandalizando toda uma geração. Na televisão Vida Alves e Walter Foster dava o primeiro beijo na novela Sua Vida Me Pertence. Mais tarde foi a vez de Leila Diniz mostrar que gravidez não era doença e como era belo de ser mostrada.

 

Foto - Brandão Filho e Isis de Oliveira em

Em Busca da Felicidade

 

A televisão deve muito à rádio que forneceu grandes autores e autoras. Entre eles destaque para Odulvado Vianna, Amaral Gurgel, Dias Gomes, Mário Lago, Janete Clair e Ivani Ribeiro, entre tantos outros. Da grande época da rádio muitos devem se lembrar de Em Busca da Felicidade e Direito de Nascer, que foram a grande coqueluche do momento.

 

Foto - Jô Soares

 

Nos anos 60, o cinema trazia o implacável agente James Bond, a serviço de sua majestade contra o Satânico Dr. No. Por aqui Jô era o nosso agente secreto Jaime Blonde em sua incansável luta em Ceará Contra 007, defendendo com unhas e dentes a secreta fórmula do jabá sintético dos terríveis vilões.

 

 

Jota Silvestre fazia de tudo, escrevia, atuava, era contra-regra, ensaiador e outras cositas mais, O céu é o Limite e isso era Absolutamente Certo! Vicente Leporace apresentava os talentos mirins para o futuro em sua Ginkana Kibon, enquanto Tatiana Belinsky adaptava o primeiro Sitio do Pica-Pau Amarelo para a televisão.

 

 

As propagandas são um capítulo especial dentro da televisão. Além de ser um mecanismo importante na venda de um produto e de sustentabilidade das emissoras, ela quando bem criada acaba se tornando um mecanismo da cultura popular. Já houve um tempo, em que as propagandas brasileiras eram aplaudidas, ganhando vários prêmios. Muitas propagandas passam de geração a geração sempre lembradas carinhosamente.

 

 

Quem não se recorda de: A minha voz continua a mesma, mas os meus cabelos; Melhoral é melhor e não faz mal; Drops Dulcora a delícia que o paladar adora; Bom Bril tem mil e uma utilidades; Tomou Doril a dor sumiu, entre outras. Sem falar dos jingles que muita gente canta até os dias de hoje, como os da Varig, das Pernambucanas, Cobertores Parayba, e muitas outras, que ainda estão vivas nas nossas lembranças.

 

 

As propagandas eleitorais gratuitas são outras que enchem o saco, mas algumas são tão repetitivas que acabam ficando muito famosas. Tem aquele que diz que Peroba nele; o outro é aquele que só fala do Aerotrem e do famoso que só tinha tempo de gritar, Meu nome é Enéas!, que fez até seguidores, Meu nome é Havanir! e que acabou se elegendo deputada. Também não podemos esquecer do Jânio com a musiquinha que muitos devem lembrar até os dias de hoje. Varre, varre, varre vassourinha, lembram?

 

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