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A Utopia da Vaidade


 

 

Em tempos modernos a Utopia é a palavra que está sempre presente em meus pensamentos, palavra essa que vem do termo grego "óus" que significa não e "topos" que diz respeito a lugar, ou seja, literalmente podemos dizer que utopia significa "nenhum lugar", que também pode ser interpretada como uma aspiração, sonho ou desejo imaginário que nunca vai se realizar apenas uma quimera que nos leva a ideia mais comum da civilização moderna ideal, imaginária e fantástica, porém irrealizável.

 

 

Vaidade por sua vez está ligada ao desejo exagerado de chamar atenção ou de receber elogios e até mesmo a ideia espantosamente boa que alguém faz de si próprio, levando-o às coisas vãs, futilidades, ostentação e vanglória, entre outras coisas, e ao juntar as duas palavras Utopia e Vaidade, isso me sugere um estado atual da nossa civilização, principalmente a ocidental e ligada às grandes metrópoles, onde a aspiração do belo exagerado, do consumo a qualquer custo se transforme somente num ideal imaginário, e que talvez não nos leve a algum lugar chamado felicidade.

 

 

A cada dia que acontece, nós passamos a preocuparmos apenas em ter coisas ou mostrarmos as coisas que conquistamos, sem mesmo necessitarmos daquilo, mas pelo simples prazer que ela nos proporciona, mesmo que por lampejos de alegria. Assim passamos a viver o nosso dia-a-dia, sem talvez dar conta que situação estamos vivenciando, bem como passamos a acreditar que possuir, ter, conquistar e mostrar sejam as coisas mais importantes de nossas vidas.

 

 

Para quem assim os crê, tudo bem, pois cada um vive como quer, e eu não tenho nada a ver com isso, mas eu particularmente não me contendo apenas com essas utopias presentes no nosso cotidiano e isso me faz refletir sobre outros comandos que posso dar a minha vida, para assim sentir-me mais confortável e encontrar a tal felicidade tão almejada por todos, e isso me levou às algumas lembranças do meu passado, época onde aconteciam coisas em que me fazer sentir mais verdadeiramente contente comigo mesmo.

 

 

Foi então que me lembrei do meu velho fusca, lá pelos idos dos anos 80, carrinho esse que após quase 15 anos de uso contínuo, não mais poderia ser chamado de carro, mas sim talvez de uma "sucatinha", que levava aonde eu queria, assim como também fazia a felicidade daqueles que carros não possuía, pois naqueles tempos todos os meus amigos acabavam usando a “sucatinha” para diversas de suas necessidades, e como ele já estava caindo aos pedaços eu também não ligava quem o utilizasse.

 

 

Saíamos com os amigos para as famosas bebedeiras depois do expediente, naquele boteco, geralmente mal afamado e fedorento, mas que tinha aquele delicioso pastelzinho feito na hora, regada a uma boa pimentinha e cervejas de montão. Papo furado até ninguém não aguentar mais e somente aí resolvíamos ir para nossas casas. Nesse meio tempo, a chave da "sucatinha" sempre ficava no centro da mesa, para quem desejasse usá-la, desde que trouxesse de volta até a hora de irmos embora.

 

 

Com o passar do tempo, a "sucatinha" tornou-se o xodó de todos, mesmo para aqueles que tinham seus próprios carros e naquele tempo eu nem questionava o porquê daquilo tudo, mas analisando em tempos atuais, eu acho que ela fazia tanto sucesso entre todos, porque a "sucatinha" era simplesmente desprovida de Vaidade.

 

 

Ela não era mais linda, o tempo havia carcomido a sua pintura, estava caindo aos pedaços, mas ainda assim ela funcionava perfeitamente, ao mesmo tempo em que ninguém se preocupava onde estacioná-lo, fechar suas portas e vidros, pois diante de outros belos carros, coitada ela era simplesmente um monte de ferro velho, e ladrão de carro também não era burro, pra que perder tempo com um treco daqueles.

 

 

Talvez exatamente por ela desprovida de suas Vaidades que acabava por entrar nos corações de todos e assim todos a tratavam com mais um membro de nossa bebedeira, era um companheiro, um amigo, que ao invés de beber cerveja, tomava gasolina e ainda por cima não disputava as nossas batatinhas e nem o salaminho. É claro e evidente que esses tempos não voltam mais e principalmente nos dias atuais onde consumir torna-se praticamente obrigação, mas ela serve para lembrar-me que nem sempre ter algo novo, lindo, enxuto, cheirando a tinta fresca seja necessariamente um momento de prazer contínuo, talvez apenas lampejos de alegria e nada mais.

 

 

Texto - Criação = Osamu Nakagawa

 


 

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