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A Vida Começa aos 40?


 

 

Havia um tempo quando você dizia a qualquer pessoa que a vida começava aos 40, provavelmente logo em seguida escutaria, “sim pode ser verdade, mas com certeza termina aos 45”, e todos dávamos risadas com isso, porém as pessoas estão vivendo cada vez mais, conseguindo levar o corpo e a mente de forma satisfatória e muitos deles muito ativos, até mais que alguns jovens. Eles praticam esportes, dançam, cantam, sabem se divertir, também viajam, e principalmente, tem dinheiro para isso, pois trabalharam a vida toda e agora estão colhendo os frutos de tudo aquilo que plantaram.

 

 

A medicina caminha a passos largos, e fazendo com que nós vivamos cada vez mais. Hoje é muito comum encontrar pessoas de 80 e 90 anos sadias, e daqui a alguns anos não será difícil encontrar de 110 ou até 120 anos, ou até mais. As expectativas de vida do ser humano aumentaram consideravelmente nas últimas décadas. Daqui a 20 ou 30 anos, no ritmo que caminhamos, quantos velhos e quantos jovens seremos no mundo?

 

 

Desculpem-me por não saber fazer a conta, mas tudo indica que a quantidade de pessoas com mais de 50 anos, provavelmente deverá ser bem grande. Também não sei se ela será maior que o número de jovens, mas certamente teremos muitas pessoas de idade mais avançada. Assim sendo, a quantidade, tanto de jovens, quanto de “velhinhos” deverá ser praticamente eqüitativa ou muito próxima dela, o que vale a dizer que eles terão que viver conjuntamente, dividindo tudo aquilo que o mundo possa lhes oferecer.

 

 

E quando essa época chegar, será que todos os “velhinhos” ainda conseguirão viver da fatídica aposentadoria ou terão que voltar ao mercado de trabalho novamente, pois tenho minhas dúvidas se algum país consiga pagar essas tais aposentadorias para todos que chegaram a essa idade, e tem esse direito. De onde sairá tanto dinheiro para manter essas pessoas inativas, eis a questão?

 

 

Se ninguém encontrar uma solução bem rápida para isso, fatalmente todos as pessoas nas faixas dos seus 60 anos terão sim que continuar trabalhando para poderem se manter, e muitos que já estavam no “bem bom” terão que retornar e arrumar alguma coisa para fazer, senão a coisa vai ficar preta.

 

 

E se assim acontecer, o mercado por essa época, também terá de adequar-se à demanda desse mundo velho, pois pode ser que eles se tornem os compradores em potenciais, e se assim for, a maioria das coisas passarão a serem direcionadas também a elas, e desta forma pela primeira vez talvez, os mais idosos se tornem o grande mercado consumidor.

 

 

Pode acontecer ainda, que a demanda não seja mais voltado para o mercado abaixo dos 60 anos, como acontece nos dias de hoje, fazendo inclusive com que os próprios jovens publicitários tenham que se empenhar em encontrar uma maneira de se comunicar cada mais com eles, e desta forma poder colocar seus produtos até esse novo mercado.

 

 

Muitas propagandas deverão tentar vender cosméticos para os mais de 60 anos, assim como roupas, comida especiais, serviços e até a tão dita tecnologia, que hoje estão nas mãos dos jovens, podem com o passar do tempo, indo parar nas mãos dos mais “velhinhos”, pois muitos deles já estão aderindo a essas novas tecnologias e sabendo lidar com elas com valentia.

 

 

Atualmente já existe uma grande quantidade, dos chamados de “velhinhos”, que estão mexendo nos computadores, muitos deles já usam até o Tablet, que mal acabou de sair e assim por diante. Também entram no Facebook e twiter como qualquer jovem, e até já enchem a boca e dizem que e-mail já era.

 

 

Eu que já estou perto da casa dos meus 60 anos de idade, próximo a chegar a aquela bendita aposentaria, que dizem ser uma maravilha, que todos almejam, mas que por outro lado todos reclamam, fiquei a pensar em tudo isso, e como eu não tenho lá muito que fazer, além das minhas obrigações diárias, e escrever bobagens de vez em quando, comecei a pensar nisso e até a começar a falar sozinho, sentando na bacia no banheiro, filosofando estas questões que começaram a tilintar na minha cabeça, entre um pum e outro.

 

 

Depois de muito pensar, pensar e repensar, eu comecei a questionar pra mim mesmo, uma porção de coisas que dizem nos dias de hoje sobre o futuro muito próximo da humanidade, e uma das primeiras coisas que comecei a reparar é que a maioria dos “Nostradamus” de plantão, falam e esbravejam de peito cheio sobre um mundo onde somente o jovem terá um papel fundamental na direção dos novos rumos que deverá logo chegar, e assim entrar definitivamente na chamada era do conhecimento, esquecendo quase que totalmente dos “velhinhos”, ainda com a perspectiva em suas mentes, de que o mundo pertence somente ao jovem, e a ela o futuro pertence.

 

 

Em vista disso, comecei a pensar em certas questões que talvez muitos desses adivinhadores simplesmente não falam, ou talvez nunca pensaram, ou não querem falar, pois não seria politicamente correto, sei lá. Talvez pela primeira vez em toda a existência da humanidade, os jovens, mais do nunca, tenham que conviver muito mais proximamente com muitas mais pessoas velhas, que não sejam seus pais ou parentes próximos, mas sim com uma gama enorme de um contingente de pessoas com idade bem avantajada, ou seja, o mundo está envelhecendo.

 

 

Eu me lembro que quanto eu comecei a mexer com a Internet há alguns anos atrás, ela era praticamente feita por garotões na faixa dos seus 20 anos de idade. Um tempo se passou e logo percebi que pessoas de 30 e 40 já estavam lá fazendo das suas. Hoje não é muito difícil encontrar os “cinquentões”, e os “sessentões” escrevendo e colocando matérias em seus blogs e/ou sites, e isso está mudando bastante a cara da Internet. Se pra melhor ou pior, se com a versatilidade dos jovens ou utilizando a sua experiência que adquiriram ao longo de suas vidas, não tenho a mínima idéia.

 

 

Isso significa também dizer que aos poucos, e bem lentamente os “velhinhos” estão chegando lá. Isso me lembra aquela velha historinha da tartaruga e do coelho. No começo o coelho dá uma disparada e deixa a coitada da tartaruga a ver navios, depois crente que já levou uma boa vantagem, resolve dar uma “cochiladinha”, mas a tartaruga, mesmo com a sua lerdeza, vai persistentemente se aproximando e por fim acaba ganhando a corrida. Será que a mesma coisa não pode acontecer com esse futuro que está por vir?

 

 

As evidências da chegada das “tartarugas” talvez seja bastante claras em alguns setores, como nas telenovelas de televisão brasileira, por exemplo. Muitas novelas atualmente são sustentadas e mantidas pelos nossos velhos e conhecidos escritores, e também pelos velhos atores, que conseguem segurar a peteca e assim manter a audiência, enquanto os mais jovens estão cada vez mais fazendo o papel de coadjuvantes.

 

 

Atualmente também nós vemos os jovens se tornarem auto-suficientes com idades mais avançadas do que antigamente, muitos ainda vivendo debaixo da saia dos pais, sem se esquecer daquele que se casa, tem filhos, e acaba trazendo toda sua família para dentro de seu antigo lar, e muitos deles ainda auxiliados financeiramente com a mísera aposentadoria dos seus velhos.

 

 

Quem ouvir assim eu falar, pode passar a impressão que sou apenas mais um que está ficando velho e, portanto, queixando-se e tentando defender o lado dos “velhinhos” e deixando os jovens de lado, mas não é nada disso. Tudo isso é apenas um questionamento da algumas perspectivas, ou talvez até um cheiro pairando no ar, se meu nariz ainda estiver bom, naturalmente. É claro que não sou contra a juventude, pois também já fiz parte dela e tudo que hoje sei, devo a ela. Tudo isso é apenas um livre pensar, e que também não deve ser muito levado a sério, pois tudo que eu imaginava do futuro, que é hoje, não aconteceu.

 

 

Nos início dos anos 70, por exemplo, na chegada do filme, “2001, Uma Odisséia no Espaço”, surgiu uma onda onde muitos começaram a também se questionar sobre o novo século que estava por vir daqui a 30 anos à frente. Por essa mesma época, muitas conjecturas, muitas adivinhações também foram realizadas e ditas. Lembro-me que diziam que no século 21, não estaríamos mais fazendo simples viagens aos Estados Unidos ou ao Japão, mas sim maravilhosas viagens em naves espaciais conhecendo as belezas de Marte, Saturno e quiçá até Urano.

 

 

Que nada, passados quarenta anos, e em pleno século 21 continuamos ainda a fazer farofa nas praias, enfrentado longos congestionamentos em feriados prolongados, tudo isso para curtir aquela água fétida e cheio de cocô boiando, comer aquele camarãozinho contaminado e tomar aquela cervejinha, com aquele copo de plástico, que eu não tenho a minha idéia de onde veio.

 

 

Diziam que a vida humana somente no planeta Terra, já era coisa do passado. No século 21 várias colônias humanas já estariam espalhadas por Marte e outros planetas. Sonhar com a Lua então, nem pensar, coisa de velho, e muitas doenças já não mais existiriam, como o câncer, por exemplo, e as pessoas provavelmente somente morreriam por doenças muito raras, ou por acidente, e assim por diante.

 

 

O tempo passou, mas nada disso aconteceu. Continuamos a morrer de uma simples dor de barriga, quase todos tem diabetes, e a maioria são hipertensos, e a qualquer hora podem ter um acidente vascular, entre outras. Por aquela época imaginava-se que o homem quase não mais comeria coisas naturais, pois elas seriam processadas e as alimentações seriam à base de certas pílulas que nos dariam o nosso sustento do dia.

 

 

Mas nada disso também não aconteceu, e ao contrário, hoje comemos mais porcarias do que antigamente, tudo graças ao famoso fast food, com suas deliciosas pizzas e os hambúrgueres que estão ai presente no cardápio do dia-a-dia, nos fazendo engordar e aumentar ainda mais o nosso colesterol, e com isso estamos cada vez mais obesos e quem está ganhando uma nota preta com isso, são os médicos que operam o estômago, como sendo a última solução.

 

 

Eu nunca imaginaria, por exemplo, como descendente de orientais, que passados tantos anos, todos estariam adorando comer tofu e peixe cru, pois não faz muito tempo a maioria das pessoas fazia cara feira só de ouvir falar delas e até virava gozação para o lado dos japoneses, coitados. Hoje até as churrascarias estão servindo a tal iguaria como prato principal, quem diria.

 

 

Seria muito bom e rezo para que tudo aquilo que estou questionando agora não aconteça, e tudo isso não passe de meus delírios, mas o futuro é muito imprevisível, basta um treco aqui ou ali e tudo muda, da noite para o dia. Quem acreditaria no fim da poderosa União Soviética, do Muro de Berlim, da unificação das Alemanhas, a China despontando com a grande potência mundial e os Estados Unidos passando por apuros financeiros.

 

 

Também na Europa, onde muitos países estão com a corda no pescoço, falando até em dar calote em suas dívidas, e outras coisas do gênero. O Brasil e a Índia despontando como proeminentes potências econômicas, entre outras falações, tudo isso acontecendo de uma hora para outra, sem que ninguém tenha previsto tais mudanças.

 

 

Mas, se tudo isso que eu insanamente, e em meus delírios estiver certo e acertar na mosca, vocês já pensaram que reviravolta que acontecerá no mundo? Será que nesse novo mundo, se assim vier a acontecer, serão os jovens capazes de se manterem no patamar da liderança social? Será que o mundo conseguirá dar conta da humanidade cheia de “velhinhos”?

 

 

Eu às vezes faço esses questionamentos, porque uma das coisas mais difíceis de se entender na vida é a velhice, pois ela é uma coisa que a gente só começa a compreender quando se chega lá. Ninguém chegou a esse mundo já velho, todos nós nascemos criança, um bebê e aí o tempo vai passando, a gente vai envelhecendo até o dia que lá chegamos e somente aí a coisa começa a fazer sentido. Todo o resto é balela, contos da carochinha.

 

 

Ninguém consegue compreender a velhice se lá não chegar, e não há filosofia ou conversa fiada que explique tal coisa. Eu que já estou quase chegando lá, já começo a sentir as primeiras pontadas dela, pois já não sou o mesmo quando tento apanhar algo debaixo da mesa, não gosto mais das músicas novas, prefiro as antigas, e começo a achar que o controle remoto da televisão tem muitos botões, e assim por diante.

 

 

Hoje estou começando a compreender um pouco mais a velhice, assim como estou começando a falar como meus pais, que já se foram, e recebendo as mesmas respostas que eu também dei a eles. Vejo que as pessoas mais jovens não têm mais aquela paciência comigo, e geralmente tudo que falo ou faço eles acabam discordando e na maioria das vezes estou sempre errado.

 

 

Dentro desse quadro imaginário do mundo envelhecido, fica uma questão crucial que não quer me calar. Como os jovens conseguirão lidar com um mundo mais velho? O que acontecerá com a rebeldia da juventude, tão necessária? Será que o jovem aceitará com passividade esse mundo compartilhado com os mais velhos? Criar-se-á uma onda de violência e intolerância dos jovens em relação aos velhos, e/ou vice-versa, um novo holocausto? Isso chega a me dar calafrios!

 

 

Por outro lado, será que o mundo dos chamados “velhinhos” conseguirá fazer do nosso planeta algo melhor, com sua sabedoria e experiência ou então, iniciar-se-á uma corrida para tentar fazer tudo o que ele sempre desejou, mas nunca teve coragem ou chance para fazê-lo, e assim atropelar-se novamente cometendo novos erros?

 

 

É claro e evidente que eu não tenho as respostas, e nem a mínima idéia de como evitar que isso aconteça, mas sei que elas começam sempre com um simples pensar, e toda ação num gesto comum. Também com o passar do tempo venho reparando que muitas crianças quando criadas em contato mais próximo as pessoas mais velhas, mesmo não necessariamente com seus avós, por exemplo, tendem a se tornarem jovens mais cuidadosos, compreensivos e carinhosos para com seus pais, principalmente quando eles já não conseguem fazer tudo como antigamente.

 

 

Como isso acontece e por que, eu não sei, assim como provavelmente isso não resolva problema algum, mas ingenuamente pode ser que isso represente uma das centenas de pequenas maneiras, em direção a auxiliar jovens e velhos a conseguirem viver de forma menos conflitante, permitindo aos dois caminharem lado a lado, em sincronia e harmonia, um ajudando o outro na solução de seus problemas, que certamente eles terão de enfrentar, cedo ou tarde. Assim sinceramente, espero.

 

 

Texto - Criação = Osamu Nakagawa

 


 

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