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Com um rei na barriga


 

 

Durante os meus quase 60 anos de idade conheci e convivi com uma porção de pessoas, de diversos tipos, temperamentos, cor, raça e religião. Alguns deles foram colegas de trabalho, outros de escola, alguns foram e são amigos e outros apenas cruzaram comigo ao longo da vida acabamos nos separando pelas contingências da vida, e muitos ainda permanecem inteiros na nossa lembrança.

 

 

A maioria deles é ou eram pessoas mentirosas, falsas, violentas, rancorosas, honestas, humildes, bondosas, francas, algumas ricas, outras pobres, enfim uma gama imensa de tipos sociais, e apesar dessa diversificação tive a sorte de ter uma boa convivência com grande parte deles, logicamente que havia aqueles que a gente aturava mais, outras menos, assim como algumas que tivemos conflitos e confrontos, bem como muitas amizades que acabaram em meio às muitas discussões.

 

 

Com o passar dos anos comecei a adquirir talvez certo jogo de cintura e por mais chato ou maldoso que o sujeito seja, na maioria das vezes consigo levar numa boa, porém, existe um tipo que mesmo passando anos e anos eu ainda não consigo suportá-lo, assim como sinto um tremendo mal estar a aproximar-me deles, essa pessoa é o Arrogante, aquele que parece ter um rei na barriga, aquele que simplesmente não enxerga a outra pessoa, a não ser a ele próprio ou seus interesses.

 

 

Aquele que somente consegue enxergar seu umbigo e tudo é direcionado para o seu umbigo, um sujeito que tem sempre uma atitude superior, altivo perante os outros ou diante de alguma situação e que muitas vezes se esconde atrás de uma falsa humildade, mas que logo mostra a sua verdadeira face quando contrariado. Eu diria até que esse é o arrogante clássico, facilmente reconhecido, pois anda geralmente com cara empinada, possui uma boa situação social, tem um belo carro, uma esposa tão bela que provoca inveja a todos, boa formação cultural e muitos deles até médios e grandes empresários. Isso naturalmente não significa que todos que possuem essa condição sejam arrogantes, é preciso ter muito cuidado e saber separar o joio do trigo.

 

 

Existe também aquele que foge a regra do clássico Arrogante e se disfarça na sua indiferença. É aquele que quando você fala alguma coisa pra ele e não gostar daquilo que ouviu simplesmente finge que não escutou, nem olha pra sua cara e assim fica totalmente indiferente como se você simplesmente não existisse ou que aquilo que você disse a ele entrasse por um ouvido e saísse pelo outro.

 

 

Esse a meu ver é o Arrogante mais impiedoso que existe, aquele que te ignora, aquele que te oferece a sua indiferença. Existe aquele também que vive a gozar ou ficar tirando uma só por você ser pobre, feio, negro, nordestino ou gay, entre outras, sempre no sentido de rebaixá-lo, a querer colocá-lo em seu devido lugar, como se esse lugar realmente existisse. E como ele é um sujeito simpático a um determinado grupo a qual ele pertence, e que também pensa e age como ele, então se sente o maioral, o rei da cocada preta.

 

 

Existe aquele que somente mostra a sua "humildade" quando necessita de alguma coisa sua, quando precisa que você lhe faça um favor, já que ele não pode te obrigar e tampouco te comprar. Nesse momento ele se torna incrivelmente gentil, amável, carismático, de uma humildade tal que você sente o pior dos homens se não atendê-lo aquilo que tanto deseja, mas logo depois de seu pedido atendido volta a sua postura habitual de autoconfiança e de nariz empinado para com todos.

 

 

A maioria desses arrogantes, logo em seguida ao favor prestado lhe dará uma caixa de bombom ou algo que ele acha ser equivalente e assim estará quite com você, afinal você lhe fez um favor, mas em compensação ele lhe deu aquilo que você gostava. Agindo dessa forma procuram estar em paz com as suas consciências, porém se esquecem de que um favor jamais poderá ser pago, nunca poderá ser quitado, e o mínimo que podemos fazer é presenteá-lo com a nossa gratidão, talvez com muito obrigado sincero, mas logicamente que seu orgulho não deixa.

 

 

Muitas vezes também nós associamos a ideia da Arrogância com um sujeito de posses, um homem rico, de boa família, muito fino e com uma cultura infindável, mas cuidado que isso pode ser somente uma representação que nos foi trazido pelo cinema e pelas novelas, e que acabam se tornando um personagem clássico em nosso imaginário, um estereótipo. Cuidado não confunda o estereótipo com o real.

 

 

Mas, não se enganem a Arrogância está presente em todas as camadas sociais, em todas as raças, credos e cor, principalmente em nós mesmos. Muitos acreditam que a Arrogância é uma atitude que somente parte dos outros em relação a nós, mas isso é um grande erro. A arrogância faz parte do sentimento humano, todos nós temos, naturalmente que uns mais acentuados e outros menos. O que talvez possamos fazer é aprender a controlar a Arrogância para que ela não tome conta de nós.

 

 

Toda vez que começamos a achar que somos ou estamos isentos de determinados sentimentos, está na hora de ficarmos alertas, pois alguns deles já podem estar nos contaminando, sem que a percebamos. Cuidado ao falar, eu não sou arrogante, não sou invejoso, não sou isso ou aquilo. Não se esqueça de que todos os tipos de sentimentos estão presentes em nós, dos mais belos aos desprezíveis, e se nós não fizermos um policiamento ostensivo, muitos desses acabarão fatalmente se tornando marcantes em nossas vidas.

 

 

Não é difícil encontrar diversas pessoas dizerem ou até mesmo bradarmos com o peito cheio de orgulho "eu sou ganancioso, mas quem não é?" ou "eu sou arrogante porque só assim me respeitam", e outras coisas do gênero, como se isso justificasse e tornasse uma coisa boa a ser personalizada ou mostrada. Não é possível dizer que uma pessoa em sã consciência possa aceitar a inveja, a ganância, a arrogância, e outros da mesma espécie como coisas boas, e isto não é moralismo, é simplesmente inaceitável, é ultrajante.

 

 

Quantas pessoas não se queixam que sua vida vai mal, que tudo ele faz dá errado e outras coisas do gênero. Repararem que a maioria dessas pessoas está também sempre a culpar os outros pelos seus fracassos, se nega a admitir que esteja errada, não ouvem ninguém e nem sequer passa pelo seu pensamento que podem cometer falhas e que muitas vezes não somos tão capacitados quanto imaginamos. É muito mais fácil culpar os outros e quando isso começar a ocorrer certa Arrogância já está crescendo dentro de nós.

 

 

Uma das teses interessantes que tenho pesquisado de alguns estudiosos é que a Arrogância está diretamente ligada ao ficarmos submetidos a uma condição de inferioridade perante os outros. Toda vez que isso acontece, nós naturalmente tentamos reagir e durante essa reação é que os nossos sentimentos podem tomar rumos inesperados, se não tomarmos o devido cuidado.

 

 

Um dos exemplos pode ser quando a pessoa é menosprezada por outra pessoa por ela ser pobre e diminuída por não ter as coisas que elas têm. Isso naturalmente faz com que a pessoa fique num grau de inferioridade perante aquela situação e é claro que uma reação logo aparecerá em seguida. Algumas pessoas ao sentirem inferiorizadas tentarão e lutarão e assim mudar a sua condição de pobreza, mas não é isso leva ele a ser arrogante e sim as suas razões.

 

 

Se a pessoa tiver como objetivo de lutar por alcançar uma vida melhor e assim melhorar sua condição, porque isso faria bem a todos que todos ao seu redor como colocar os seus filhos numa faculdade ou um curso no exterior, ter uma mesa mais farta ou coisas semelhantes não há nada de mal nisso, aliás, isso deve ser visto com louvor. Isso significa que o grau de inferioridade a que ele foi submetido levou a tomar uma boa atitude.

 

 

Mas, na maioria dos casos o grau de inferioridade a qual ficamos submetidos nos arremete a lutar por um crescimento no sentido de mostrar ao outro ou tentar provar a outra pessoa que nós temos capacidade e conseguiremos sair daquela condição, e assim passamos a fazê-lo, então é melhor começar a prestar atenção em sua atitude, pois você já estará a um passo da arrogância.

 

 

Devemos ter uma melhor condição de vida, ter coisas que nos faz falta, objetos que deixe as nossas vidas mais cômodas, momentos de lazer, receber amigos, participar juntos de um passeio, entre outras. Ninguém está dizendo que isso é errado, mas obtermos todas essas coisas apenas no sentido de mostrarmos aos outros que temos o mesmo conforto que o outro tem ou um carro melhor que outro, em termos comparativos, nesse momento está na hora de pararmos e pensarmos o que estamos fazendo com nossas vidas.

 

 

É claro e evidente que quando se fala de sentimentos a única coisa que podemos fazer é cuidar das nossas, mesmo porque o de outras pessoas não depende da gente, apenas delas mesmas e diante da arrogância alheia, não resta melhor alternativa que tentar ficar o mais longe possível delas. É perda de tempo bater de frente, pois o máximo que conseguiremos é ficar ainda mais chateado, pois dificilmente uma pessoa Arrogante acredita que ele tenha tais sentimentos, ele se considera inume a isso.

 

 

Talvez, a Arrogância, assim como outros sentimentos maléficos seja uma doença incurável, porém benigna em todos os seres humanos se aprendermos a convier com ela de forma controlada. Apesar dela ser inata a nós próprios, isso não significa que tenhamos que simplesmente aceitá-la, isso seria uma tolice, assim como ficar jogando todas as culpas nas outras pessoas, bem como acharmos que somos a oitava maravilha do mundo, belos e formosos e que temos somente os mais nobres dos sentimentos.

 

 

É aceitável passamos pela vida cometendo diversos erros, mas erros inconscientes, porém cometê-las por teimosia é burrice, assim como termos a ideia de que somos todos iguais é completamente absurda. Nenhum ser humano é igual ao outro, evidentemente que no tocante aos seus direitos e deveres isso possa e deve ser aplicada, mas no campo pessoal isso não existe.

 

 

Nós não somos iguais aos assassinos, aos ladrões, aos larápios de todas as espécies. Todos nós temos as nossas diferenças e isso é que faz com que nos tornemos pessoas mais dignas e éticas em relação às outras. Cuidado, não confunda sermos mais dignos e éticos com melhor do que os outros. Muitas vezes a admiração que sentimos por uma pessoa não nasce somente porque ele ser um conquistador, um empreendedor que chegou ao sucesso, mas principalmente pelo seu caráter, pela sua dignidade perante a vida, sua ética no tratar com os outros. Esta sim faz a diferença e vale a pena pensarmos um pouco mais sobre isso.

 

 

A honestidade, a dignidade, o querer bem a todos se perpetua através das gerações, portanto essa deve ser a diferença daqueles que possuem amigos e parceiros, com aqueles que só colecionam rivais, que é a mesma daqueles que possuem a humildade e aqueles que só têm a arrogância para oferecer. "Quando vires um homem bom, tenta imitá-lo; quando vires um homem mau, examina-te a ti mesmo"... palavras de Confúcio.

 

 

Texto - Pesquisa - Criação = Osamu Nakagawa

 


 

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