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Assim Caminha a Humanidade


 

 

Certo dia, um astrólogo muito famoso apareceu num programa de televisão para uma entrevista e nesta ocasião ele afirmou que havia realizado um mapa astral de sua própria vida e descobriu que daqui a cinco anos, sua vida iria mudar completamente, que todos os seus problemas principalmente financeiros acabariam. Não sei por que aquela entrevista ficou na minha cabeça, mas passados exatos cinco anos esse cara morreu, dando fim a todos os seus problemas como ele havia prognosticado, mas não exatamente como ele havia planejado.

 

 

Esse caso me veio à cabeça por esses dias ao ler uma porção de matérias sobre os “prognósticos” do nosso futuro, onde os nossos experientes e renomados autores nos dão conta de uma porção de benesses e o que devemos fazer para enfim abocanharmos o pão nosso que cada um de nós temos direito, bastando para isso seguir as normas sugeridas, ficar atentos a todas novas tecnologias e ferramentas modernas que aparecem a cada novo dia, e blá blá blá e... mais blá blá blá.

 

 

Diante de todos esses “prognósticos” tão bem relatados, pensados e imaginados, confesso que fiquei bastante constrangido e até certo ponto desesperado, visto que se realmente tudo isso vier mesmo a acontecer, eu serei um verdadeiro fracasso, um fiasco em meu próprio tempo, pois ao que tudo indica estou fazendo tudo ao contrário, indo na contramão desse futuro.

 

 

Também cheguei à conclusão que não possuo nenhuma dessas características por eles apontadas, não ganho dinheiro e ainda por cima tento realizar todas as minhas coisas, baseados no puro prazer apenas, significando, portanto que, mesmo daqui a dez ou vinte anos ainda estarei escrevendo estas míseras linhas, cheias de bobagens, sem ganhar um tostão e ainda por cima servindo de exemplo de má conduta, de não enxergar o futuro e ficar teimando, acreditando que o mundo é apenas fazer o que se acredita, vivendo assim uma grande ilusão. Sonhar naturalmente que pode, desde que dentro dos “prognósticos” apontados, senão é dar murro em ponta de faca.

 

 

No primeiro momento fiquei chocado comigo mesmo, tamanha a minha turra em não enxergar aquilo que é tão obvio, mas de repente comecei a relembrar algumas coisas do passado “deverasmente” muito interessante. Nos anos 60 e 70, por exemplo, o mundo passava por muitas transformações como nos dias de hoje, evidentemente que dentro de outro cenário, com guerras acontecendo por todos os lados, terrorismos a revelia e uma porção de ditadores mandando o povo “baixar” a sua crista, e assim por diante.

 

 

Dentro deste momento histórico, apareceram muitos movimentos indo de encontro a tudo isso que estava acontecendo, surgindo uma porção de contestadores, desde guerrilhas armadas, até artistas de todas as tribos, criando os seus protestos e assim alertar aos mais incultos que o modelo a eles impostos pela geração passada estava totalmente equivocada e era necessário mudar tudo isso o mais rapidamente possível. Dentro desse contexto muitos fizeram as suas adesões a essa nova conduta, principalmente a juventude, que sonhavam com um mundo totalmente diferente daqueles que seus pais haviam deixado para eles.

 

 

'Faça amor não faça a guerra", "não acredite em ninguém com mais de trinta anos", "paz e amor", liberdade clamavam as grandes massas. Surgia Woodstock, Jimi Hendrix, Janis Joplin, Bob Dylan e Joan Baez, entre diversos outros, pipocando em diversas partes do mundo, exigindo mudanças para um mundo melhor e mais humano. Basta de guerra, todos diziam. Essa juventude gritou tanto que acabou por desacelerar as guerras por certo período, o mundo começava a mudar e todos os “prognósticos” apontavam para um mundo novo cheio de adultos futuros, com novos ideais e finalmente transformando a base dessa sociedade podre e decadente que lhes foi imposta.

 

 

Não tardou muito, porém alguém gritou “O Sonho Acabou”, e todos os hippies e beatniks com o símbolo da paz pendurado no pescoço passaram a vestir gravatas, pegar a sua marmita e caminhar para serem um bom chefe de família, ou com as aparências muitas vezes as mesmas, mas passado o tempo, continuávamos a ser como nossos pais. Todos os belos “prognósticos” do futuro iam por água abaixo. As guerras voltaram e ninguém disse mais nada e uns passaram até apoiá-los.

 

 

Alguns estudantes mais politizados da época foram perseguidos e muitos deles mortos, mas os sobreviventes, algum tempo passado retornaram anistiados pelas novas regras vigentes e passaram a atuar dentro da política atual e ao que parece não se lembram de mais nada de suas lutas passadas e hoje se transformaram nessa coisa que todo mundo está cansado de saber. Ao lembrar-me passei a pensar até que ponto os “prognósticos” são válidos, porque tudo leva a crer que geralmente tudo acontece ao contrário do que a maioria acredita.

 

 

Os meios de comunicação não cansam de nos mostrar belos cavalheiros e senhoras bem sucedidas, que segundo a reportagem, são o exemplo vivo do bom vencedor, que souberam olhar atentamente os “prognósticos”, por isso se deram tão bem e lalari lalarai. Mas, por outro lado fico a lamentar, pois se esqueceu de mencionar ou simplesmente não dá Ibope, que naquela época em que esses vencedores estavam começando a sua empreitada, eles eram vistos por muitos como loucos, que eles estavam indo na contramão do que outros diziam, de que aquilo que eles estavam tanto se empenhando não daria certo de jeito nenhum, eram lunáticos e sonhadores.

 

 

A verdade em que eu acredito é que ninguém diz onde esconde a sua galinha dos ovos de ouro, ninguém dá tão bons conselhos, porque se assim fossem, porque ainda continuam a serem tão medíocres. Não sei se tudo isso que estou dizendo é uma grande bobagem ou apenas implicância minha, mas muitos homens apontados como andarem na contramão em seu tempo, no futuro muitos deles se deram muito bem.

 

 

Qual é a fórmula sei não, ninguém me contou e seu soubesse também não iria dizer pra ninguém, e eu mesmo me daria bem, é lógico. Mas, não tem nada não, continuo a acreditar que, o que vale nesta vida é correr atrás dos nossos sonhos mais desvairados, mesmo contra todos os “prognósticos” e urucubacas que se tenta nos impingir, fazendo-nos sentir os pior dos homens e ser um futuro fracassado com toda certeza. E quem quiser que acredite no que desejar afinal a vida é você quem a comanda. Então boa sorte, vencedor ou vencedora, e “Ademan, de leve, que cavalo não desce escada”, como diria aquele grande colunista.

 

Texto - Pesquisa - Criação = Osamu Nakagawa


 

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