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Cargueiro


 

 

A espaçonave estelar ADRS-1245 é na realidade um cargueiro classe C transportando Mridium para serem processadas na Terra e assim se transformarem em fonte de alimentação para a sobrevivência de diversas espécies animais existentes no planeta. Somos integrantes de uma frota de uma companhia contratada para fazer esse transporte do planeta Arquimedes, da Constelação de Aquarius para a Terra, numa viagem prevista para três anos terrestres. Já realizamos seis viagens, todas até agora concluidas com grande sucesso, mas desta vez estamos enfrentando alguns problemas na nossa nave que acabou colidindo com uma chuva de meteoros bem no meio de nossa rota, causando diversas avarias importantes para o bom funcionamento da espaçonave.

 

 

Apesar dos nossos técnicos e engenheiros estarem fazendo o que podem, a cada dia que passa a nossa condição vai se tornando cada vez mais crítica. Já emitimos sinal de socorro, e não encontramos nenhuma outra espaçonave por perto para nos ajudar, mas ficamos felizes ao receber a notícia que outra nave de emergência está a caminho, só não sabemos se ele chegará a tempo, pois nossas fontes vitais já estão praticamente esgotadas, apenas uma questão de tempo. Como alternativa procuramos em nossos mapas algum planeta próximo para que possamos descer e assim aguardar a chegada da aeronave de socorro.

 

 

Após inúmeras tentativas sem sucesso e já no fim das nossas esperanças, um dos nossos navegadores lembrou-se de uma antiga lenda que narrava sobre um povo intitulado de homens lagartos que certa vez ajudou alguns seres humanos perdidos nos espaço, e com ela criou um grande laço afetivo de amizade, mas isso era apenas um conto de fadas. Porém, o desespero e as nossas vidas já quase no limite resolvemos acreditar mesmo se tratando uma simples lenda como uma última tentativa para sobrevivermos e assim traçamos um curso para um planeta verde ainda não explorada, que sonhamos tratar-se da lenda, por mais remota que seja que ficava à frente e que chegaríamos a cerca de dez dias, apenas fazendo algumas correções de navegação.

 

Com essa esperança desesperadora para tentar ficarmos vivos passamos a acreditar na existência desse planeta, nesta fábula, mesmo para mantermos calmos e distraídos com alguma coisa, porém no segundo dia de viagem a caminho, as nossas comunicações contatou numa frequência muito antiga e arcaica, praticamente já fora de uso há muitas centenas de anos, um sinal também de socorro, vindo de outro planeta muito pequeno e isolado neste quadrante. Este sinal poderia significar vida, mas também apenas um sinal emitido por outra nave que lá caiu por algum motivo ou alguma outra coisa que ficou emitindo esse sinal até hoje, pois ele era muito repetitivo, fraco e extremamente curto, porém contínuo como se alguém se esquecesse de desligá-lo.

 

 

Assim rapidamente desviamos a nossa rota e fomos ao encontro desse sinal e pouco tempo depois chegamos a ele e entramos em sua órbita. Os nossos navegadores lançaram uma sonda e concluiu que o planeta possuía uma atmosfera propícia a vida humana e assim eu, alguns homens e mulheres pegaram a nave auxiliar de manutenção e descemos para explorar e conhecer o planeta. Lá chegando encontramos uma coisa catastrófica parecia que havíamos chegado ao exato momento do decurso ou no fim de uma terrível guerra, pois havia apenas ruinas, destroços e diversos corpos parecendo de imensos lagartos espalhados para todo o lado, muitos deles já em estado de putrefação, outros completamente mutilados, assim com diversos objetos que eram provavelmente suas antiquadas armas. O cheiro era insuportável em vários locais e não havia nenhum sinal de vida por perto, mas tudo indicava que essa batalha ocorrera não fazia muito tempo, pois ainda havia sinais de fumaça e fogo em diversos lugares.

 

 

Por dias ficamos a procura de alguma forma de vida viva neste planeta sem nenhum resultado, quando de repente começamos a ser atacados por pedras vindos de algum lugar, e rapidamente tentamos nos esconder até descobrir de onde viriam. Depois resolvemos nos dividir e encurralar o inimigo armados também de paus e pedras, já que não éramos soldados, apenas transportadores. Logo conseguimos cercar algumas estranhas criaturas muito semelhantes a lagartos que tinha suas pernas mais desenvolvidas que os membros anteriores, o que permitiam a eles andar de pé e mais ou menos do nosso tamanho, que ficaram atônitos olhando para nós assim como nós a eles. Alguns momentos depois do susto passar tentamos nos comunicar com eles, mas eles pareciam não entender nada, assim depois de muito custo um de nós conseguiu um pequeno resultado apelando para suas malucas mímicas e finalmente começamos a obter as primeiras respostas.

 

 

Assim pouco a pouco a nossa comunicação começou a surtir algum efeito e fomos descobrindo que na realidade eles eram apenas crianças da sua espécie, famintas e desesperadas. Tentamos dar um pouco do nosso alimento, mas eles não conseguiam ingerir sem vomitarem, foi quando nos lembramos do Mridium e um dos nossos voltou para apanhar um pouco, quem sabe eles pudessem se alimentar com aquilo, mesmo não sendo ainda processado. Assim que demos o produto concluímos que mesmo eles não gostando do seu sabor, aquilo saciava suas fomes e os tornava fortes e com saúde novamente e assim começamos a esticar os nossos laços de amizade.

 

 

O planeta apesar de estar passando por este momento lamentável dava-nos uma sustentação para nossas vidas, pois podíamos respirar também tomar um líquido aquoso verde que nascia pela terra, de um sabor horrível, mas que matava a nossa sede, assim como de certa maneira nos alimentava. Enquanto permanecíamos neste planeta, outra parte da equipe permanecia na nave tentando reparar a nave para prosseguirmos viagem, apesar das adversidades e pouco avançarmos em seu conserto. Com o tempo fomos descobrindo muitas coisas sobre o planeta e esses estranhos seres, que apesar de seu aspecto horripilante e ter um cheiro desagradável, eles eram muito gentis e cordiais conosco e pareciam crianças a necessitarem de colo de vez em quando.

 

 

Provavelmente eles eram alguns dos poucos que restaram nesta guerra a qual não temos a mínima ideia de sua origem ou causa. Pelos corpos encontrados aparentemente houve uma guerra entre duas espécies distintas, de um lado lagartos verdes e a outra de cor mais avermelhada e também um pouco mais gorda e alta em relação aos esverdeados. Suas armas eram a base de lanças que soltavam alguma forma de raios de energia muito fraca e de curto alcance, armas essas que lembravam as nossas histórias que líamos nos livros de contos da nossa infância. Também descobrimos o local da onde vinha o sinal de socorro, talvez uma estação de rádio deles para algum outro posto avançado, mas que de alguma forma conseguiu se propagar além do seu planeta.

 

Enquanto os nossos técnicos tentavam salvar a nave do colapso, eu e outros ficávamos para explorar o local, até que um dia começamos a ser atacados, desta vez por um grupo de lagartos avermelhados também sobreviventes. Procuramos nos defender da melhor maneira possível usando nossos bastões de sinalização que os deixaram apavorados e largar suas armas em sinal de rendição, e assim o grupo foi aumentando, uma mistura de seres humanos, lagartos verdes e avermelhados que se hostilizavam a todo o momento e quase o tempo todo tínhamos que ficar apartando suas brigas e discussões, que nada entendíamos.

 

 

Alguns dias se passaram e finalmente chegamos à conclusão que talvez esses lagartos verdes e avermelhados encontrados fossem os últimos sobreviventes de sua espécie, pois não vimos mais nenhum grupo em nenhum dos lados que exploramos. Com o passar do tempo suas hostilidades começaram a diminuir e até certo afeto entre eles começou a surgir, como as nossas crianças que logo esquecem o que as outras fizeram, e assim passam a brincar novamente como se nada tivesse acontecido. Talvez isso seja uma coisa universal, inata a todas as criaturas crianças sejam de que planeta ou de que espécie for, de logo se entenderem após uma rusga ou briga, e algo que os adultos de nenhuma espécie parecem saber fazer ou compreender.

 

 

Com o decorrer do tempo cada vez a amizade entre eles ficaram melhores e praticamente não havia mais brigas, e de vez em quando um par deles se enrolava no chão como se estivessem em luta, mas logo descobrimos que eram apenas as suas brincadeiras. Quase um mês depois de descermos naquele planeta, os nossos técnicos chegaram à conclusão que a nave estava condenada, praticamente parando os seus sinais vitais que aconteceria a qualquer momento, assim como ficaria a deriva e logo acabaria sendo esmagado na entrada na atmosfera do planeta explodindo. Antes que isso pudesse acontecer descemos todo o carregamento de Mridium para o planeta, pois pelos menos para as crianças lagartas isso serviria de alimento por um longo período, até conseguirmos encontrar outra solução.

 

 

Também descemos os nossos suprimentos como remédios, alimentos, água, enfim o que pudemos trazer para nossa sobrevivência e assim foi feito, até o momento em que a nave finalmente cessou suas atividades e logo depois acabou explodindo na reentrada do planeta. Essa explosão foi tamanha que a nave que vinha em nosso socorro conseguiu captá-la em seus sensores, mesmo ainda estando longe e assim imaginaram que a nave havia explodido com todos nós dentro dela e sem a esperança de encontrar sobreviventes, resolveram retornar a Terra, e assim acabamos ficando abandonado neste planeta juntamente com esse pequeno grupo de lagartos que encontramos.

 

 

Esse foi o início da vida dos seres lagartos humanoides atuais desse planeta, que acabou se tornando uma mistura dos genes daqueles homens e mulheres com os lagartos esverdeados e avermelhados, que com o passar do tempo foram se cruzando, mesclando e dando origem a uma nossa raça, contendo algumas partes humanas e outra parte de lagartos, de diversas cores e tamanhos. Com o prosseguir em seu desenvolvimento renasceram novamente as guerras, os preconceitos, a violência, enfim tudo aquilo que estavam presentes nos humanos e naqueles lagartos.

 

 

Assim é a vida naquele planeta, que continua ainda totalmente desconhecido dos seres humanos terrestres, e cuja história é quase paralela a nossa priorizando as mesmas idiotices que nós fizemos ou que continuamos a fazer no decorrer do nosso tempo. Porém, não tardará o dia em que em algum lugar e espaço do tempo, os humanos e esses homens lagartos se encontrarão, e nesse dia talvez comecem uma nova guerra entre irmãos de quase mesma espécie, pela supremacia do poder ou de algo que não tem a mínima importância, mas que fazemos tanta questão de preservar, ou então uma luz se acenderá e surgirá uma grande amizade e afetividade entre os dois povos, como cita aquela antiga lenda que um dos navegadores lembrou como o último sonho e esperança de sobrevivência.

 

Retornar/Outros

 

 


 

 



 

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