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Carlos


 

 

Carlos morava na cidade de Campinas, interior paulista, era casado e pai de dois filhos, um chamado Luís o outro Pedro e levava uma vida comum a muitas outras pessoas de classe média regular que vivia de seu salário e de sua esposa, que muitas vezes tinha de fazer economias para passar o mês, mas nada que o impedisse de ter uma vida plena e conseguir satisfazer pelo menos as necessidades primordiais da família. Carlos trabalhava como contador numa empresa de médio porte que ficava no centro da cidade, juntamente com outros contadores que prestavam serviço de auditoria em diversas empresas as quais eles eram chamados.

 

 

Certo dia Carlos resolveu ficar até mais tarde, como fazia de vez em quando para adiantar um pouco o serviço do dia seguinte. Ficou no escritório até às nove horas da noite, depois fechou tudo e foi para o ponto de ônibus, pois dificilmente vinha de carro ao serviço devido ao grande congestionamento. Esperou alguns momentos até o seu ônibus chegar, entrou e encontrou um banco vazio e lá se sentou, e depois de alguns momentos começou a dar uma pequena cochilada até ser acordado por um esbarrão de um passageiro que passava ao lado no corredor. Olhou para fora do ônibus para verificar se já estava próximo a sua casa e de repente começou a reparar que tudo lá fora estava completamente diferente e estranho, ele nunca havia visto aquele lugar, que parecia ser o centro de uma grande metrópole, mas que obviamente para era a sua Campinas que ele a conhecia tão bem, pois nascera naquela cidade.

 

 

Rapidamente desceu no ônibus na primeira parada e logo reparou que até a cor do transporte que ele sempre usava estava pintada com cores completamente diferente do que costumava ser. Olhou em volta do lugar em que estava e nada reconheceu, parecia estar numa outra cidade, totalmente irreconhecível. Parou alguns transeuntes para perguntar que lugar ele estava e todos respondiam que era o centro comercial de Campinas, e a mesma resposta ele obteve nos bares, restaurante e nas bancas de jornal que encontrou. Tentou ligar diversas vezes para sua casa, mas o telefone somente chamava e ninguém atendia. Parou um taxi e pediu para ele levasse ao endereço de sua casa, mas todo o motorista dizia não conhecer tal localidade, alguns chegavam inclusive a procurar em seu GPS, sem obter respostas.

 

 

Carlos começou a ficar apavorado, começou a pensar que estava tendo delírios ou sofrendo de algum problema mental desconhecido, talvez uma doença que se nele se manifestara, talvez um bloqueio ou então uma amnésia temporária, enfim pensou em todas as hipóteses possíveis e ficou horas e horas a vagar de lugar a outro sem encontrar nenhum ponto de referência que fosse comum à cidade que ele conhecia tão bem. Horas depois cansado encontrou um banco numa calçadão de frente as diversas lojas também de nomes estranhos que ele nunca ouvira falar e lá se sentou cansado e apavorado.

 

 

Passou as mãos pelo rosto, fechou os olhos e assim permaneceu por alguns instantes, até que sentiu alguém bater as suas costas. Quando olhou para trás era um velho amigo que há muitos ele não via. Rapidamente levantou-se e deu-lhe um grande abraço e ao fazer isso olhou novamente para a cidade e viu exatamente a sua Campinas, como sempre fora. Feliz da vida sentou com o amigo no banco e começou a narrar tudo aquilo que havia acontecido com ele naquela noite, olhou para o seu relógio e reparou que haviam se passado apenas duas horas depois de haver fechado o escritório.

 

 

O amigo de Carlos disse para ele consultar um médico, pois poderia estar com um algum grande problema de saúde desconhecido e que somente agora estava de alguma maneira se manifestando. Despediu-se do amigo, logo depois o seu ônibus chegou e foi para casa onde contou toda a sua história para sua mulher que não acreditou em nada do ele dissera, mas fez com Carlos procurasse um médico rapidamente. Logo ao acordar no dia seguinte Carlos marcou uma consulta, fez todos os exames necessários, mas nada foi diagnosticado. O médico receitou-lhe alguns comprimidos para se relaxar, e com o passar dos dias Carlos foi se recuperando do susto e alguns meses depois já estava quase refeito e passou a crer que havia sofrido de algum tipo de alucinação pelo excesso de serviço, talvez.

 

 

Cerca de dois meses depois novamente Carlos ao sair do escritório de noite deparou-se com as mesmas circunstâncias estranhas que o envolveram naquela primeira noite apavorante. Carlos estava novamente numa outra cidade totalmente desconhecida, diferente em diversos aspectos com a anterior, assim como todas as pessoas que perguntavam respondiam ser a cidade de Campinas. Entrou num lanhouse, fez uma pesquisa sobre a cidade, viu fotos que eram as mesmas daquilo que ele via lá fora, e assim ficou horas a vagar de lugar a outro, até que muito tempo depois encontrou novamente aquele estranho banco, logicamente que num outro local, mas era com certeza aquele mesmo banco que ele havia sentado da última vez.

 

 

Carlos se aproximou, sentou-se e como fez da última vez, passou as mãos pelo seu rosto, fechou os olhos por alguns instantes e incrivelmente de novo sentiu alguém bater as suas costas. Era uma amiga dos tempos de escola que ele há muitos anos não a via, estava pouco mais gorda, mas era ela. Rapidamente se levantou abraçou-a e novamente voltou a ver a sua cidade que ele conhecia a sua frente. A partir de então Carlos consultou médicos, padres, frequentou diversas religiões e rituais e todos tinham a sua explicação, mas nenhuma delas o convencia e de tempos em tempos continuava a passar pelas mesmas e estranhas circunstâncias.

 

 

Também com o passar do tempo, Carlos foi se acostumando a vivenciar aquelas coisas fantásticas e com o decorrer de outros acontecimentos determinadas situações começaram a mudar como a encontrar inimigos do passado, ex-namoradas e diversas outras pessoas que cruzaram com ele pela vida, que por lá apareciam ou então Carlos a encontrava sentado ou passava casualmente diante daquele banco, ao invés de bater as suas costas como acontecia anteriormente. No decorrer desses acontecimentos passou a ter encontros com as pessoas que também já se foram desta vida, como um encontro com seu pai que morrera quando ele tinha apenas sete anos de idade e com quem teve novamente a oportunidade de conversar e a brincar com uma bola que ele havia trazido de presente.

 

 

 Encontrou com a sua mãe falecida recentemente e a ela pediu desculpas pela sua falta de atenção quando mais necessitara, também encontrou novamente com seu irmão falecido há muitos anos atrás num acidente automobilístico, assim como muitas pessoas que o maltrataram quando estava na escola, aqueles valentões que viviam sempre dando empurrões ou humilhando na frente de todos, aqueles que ele pediu emprestado dinheiro e nunca mais devolveu, diversas pessoas a qual foi grosseiro, mal criado, enfim uma gama imensa de pessoas que iam atravessando o caminho de Carlos nestas ocasiões ao longo do tempo.

 

 

Carlos também parou de contar seus casos aos seus familiares, colegas de trabalho e amigos mais chegados, pois todos já estavam começando a desconfiar que estivesse ficando maluco ou coisa parecida. Passou a agir normalmente como se aquilo nunca mais acontecesse, bem como a encarar todos esses estranhos acontecimentos como um fato normal em sua vida. Nunca pensou em explorar esses fantásticos encontros como diversas pessoas fazem por se acharem portadores de dons divinos e milagrosos, mas sim a aproveitá-los para um acerto de contas com ele próprio e com isso passou a mudar também sua atitude em relação às outras pessoas.

 

 

Aos poucos foi se tornando mais próximo aos seus filhos, sempre presente em momentos importantes, a educá-los com maior atenção ao invés de apenas ficá-los premiando com seus presentes, tornou-se não apenas um marido, mas um amigo para sua esposa e não era difícil encontrar ajudando-a em seus serviços domésticos. Passou a ter mais paciência com seus colegas de trabalho, a compartilhar mais os problemas com eles e assim foi vivendo sua vida até o fim de seus dias tendo seus encontros especiais da qual ele tentava tirar o melhor proveito possível, sem que ninguém soubesse naturalmente, a não ser eu que relato sua história ao reencontrá-lo novamente certo dia sentado também naquele mesmo banco.

 

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