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Charles


 

 

Robert Ewin Hartcliff nasceu em Londres, Inglaterra, em 1845, numa família de posses, estudou nas melhores escolas europeias fazendo diversos cursos de aperfeiçoamento na área de engenharia, na qual ele se formou. Aos 20 anos de idade já integrava a equipe de uma grande companhia de instalação de vias férreas e dois anos depois já estava nos Estados Unidos trabalhando na instalação de uma malha ferroviária naquele país. Robert era extremamente inteligente e esforçado, e graças a isso foi subindo de cargo rapidamente e cinco anos depois passou a comandar a sua primeira instalação de uma ferrovia no continente africano.

 

 

Lá conheceu Constance, uma enfermeira australiana que trabalhava numa equipe de missionários ingleses que estava prestando ajuda humanitária naquele local. Eles começaram a namorar e passado pouco mais de um ano já estavam casados. Dessa união nasceu Charles Ewin Hartcliff, que ao chegar à fase escolar foi enviado a um colégio interno na Inglaterra para prosseguir seus estudos, enquanto seus pais permaneciam no continente africano.

 

 

Algumas vezes quando Robert e Constance voltavam de férias para Londres, eles faziam questão de ficar ao lado do filho e para compensar a ausência enchiam o pequeno Charles com todas as coisas e mimos que ele poderia imaginar e assim foi crescendo. Também se tornou um engenheiro como seu pai, mas ao contrário dele preferia as noites de boemia em companhia de belas donzelas e amigos fanfarrões, gastando a boa soma de dinheiro que seu pai enviava todo mês de algum lugar distante onde estava trabalhando.

 

 

Mas, a essa boa vida que seu pai lhe oferecera não durou por muito tempo, pois durante uma das empreitadas, Robert teve um ataque fulminante do coração e alguns meses depois sua mãe também morreu de uma estranha doença tropical. Com a morte de seus pais, Charles herdou algumas das posses que seu pai havia conquistado como uma bela casa em Londres, uma casa de campo, algumas obras de arte e uma boa soma em dinheiro depositado num banco londrino, o suficiente para que Charles pudesse levar uma vida não rica, mas confortável se bem aplicadas.

 

 

Charles, porém ao contrário de seus pais, sempre foi um garoto muito egoísta, mimado, com sonhos mirabolantes na cabeça e sempre a olhar somente para o seu umbigo. Tinha um ar arrogante, gostava de mandar e sempre fazia questão de liderar seus amigos, mesmo não tendo competência para isso. Todo o dinheiro que recebia de seus pais, quando ainda vivos, foram gastos em farras ou em negócios sem futuro e com isso sempre estava a faltar dinheiro, e assim vivia de empréstimos de amigos, que ele as liquidava quando da mesada seguinte. Com a herança recebida de seus pais não foi diferente. Em pouco tempo Charles havia torrado tudo, incluindo suas propriedades, passando a morar de favores na casa de alguns poucos amigos que lhe restaram.

 

 

Passado cerca de dois anos a sorte bateu novamente à sua porta quando seu tio, irmão de sua mãe, um homem bilionário que havia enriquecido com a exploração de diamantes e outros empreendimentos morrera. Não tendo filhos ou parentes próximos vivos, toda sua herança chegou às mãos de Charles, como seu herdeiro universal. Assim que sou soube de sua nova fortuna tratou de safar-se rapidamente daqueles que lhe deram abrigo, passando a simplesmente ignorá-los, tão logo a limusine que viera buscá-lo para sua nova vida chegou. Nenhum desses amigos jamais teve outro contato com Charles.

 

 

Dizem que Charles era muito parecido ao seu tio, arrogante, sonhador, aventureiro e extremamente ganancioso, e que conseguiu fazer sua fortuna passando a perna em seus sócios e amigos. Morreu sozinho isolado em sua imensa mansão cercado apenas de seus empregados. Assim que Charles chegou a sua nova morada, toda sua arrogância e ganância vieram novamente à tona. Logo ao chegar despachou todos os antigos empregados casa, mandou redecorar a casa, pois não queria nada que lembrasse seu velho tio, que confiava sua fortuna em cinco grandes executivos, que se responsabilizavam de encaminhar toda a sua fortuna e a criar novos empreendimentos lucrativos.

 

 

Como Charles não entendia de negócios algum, especialmente as do falecido tio, ele continuou a ser assessorado por estes cinco senhores que continuaram a manter os empreendimentos. Charles logo sentiu o poder do dinheiro e passou a dar imensas festas tendo como convidados às pessoas mais ilustres da África do Sul, onde ficava a grande mansão em que seu tio morou. Naturalmente que todas as pessoas que conhecera no passado ficaram completamente esquecidas por ele. Passou a fazer grandes viagens ao redor do mundo, a se misturar com as pessoas famosas e ricas do jet-set internacional.

 

 

Algum tempo se passou e num certo dia, ao se reunir com seus cinco assessores, perguntou a eles o que todo a sua fortuna poderia comprar e um deles, brincando naturalmente, disse que se ele quisesse poderia até comprar uma cidade inteira ou até mesmo um pequeno país. Dias depois, os assessores foram novamente convocados e Charles pediu para eles procurarem uma cidade que estivesse à venda. Um dos assessores tentou argumentar que isso era somente uma brincadeira, que um absurdo fazer isso com sua fortuna e assim acabou sendo despedido sumariamente na mesma hora.

 

 

Diante disso os outros quatro acharam por bem ficarem com suas bocas bem fechadas e a providenciar aquilo que Charles queria. Após certo tempo, eles apareceram com algumas alternativas e que achavam que ao invés de comprar uma cidade, seria interessante comprar terras e neste local construir uma nova cidade e assim atrair compradores. Poderia ser um bom investimento se bem planejado e aplicado.

 

 

Charles adorou essa ideia e mandou seus assessores a pesquisar a quantidade de terra que a metade de toda sua fortuna pudesse comprar. Os assessores ficaram espantados, mas não ousaram a discutir as ordens de Charles e partiram à procura da solicitação. Pouco tempo depois, eles se reuniram novamente, trouxeram alguns mapas que mostravam diversas localidades e a extensão de terras marcadas em diversos círculos em várias localidades do planeta. A cada círculo que Charles apontava eles davam as condições, as metragens e todas as informações sobre o local e sua viabilidade como empreendimento.

 

 

Depois de certo tempo escutando seus assessores, Charles viu um grande círculo numa área na Arábia Saudita, apontou o dedo e um deles disse que aquilo era somente um grande deserto, um montão de dunas apenas, que lá nada havia a não ser areia e por isso custava tão barato e dai a extensão disponível da área ser tão grande. Mas, isso pareceu não incomodar Charles, sonhador como sempre fora, e assim logo ordenou que essa grande extensão de deserto fosse comprada para o espanto de todos.

 

 

Os assessores tentaram em vão convencê-lo do contrário, mas Charles não arredava o pé, pois ele tinha em mente construir neste local uma grande cidade turística, um verdadeiro oásis no meio do deserto, e assim atrair gente de todas as partes do mundo, uma maravilha arquitetônica, com todas as comodidades no meio do deserto. Não tendo outra saída, os assessores fizeram um acordo com um sheik árabe e adquiriu aquelas terras no meio do deserto.

 

 

Logo em seguida Charles ordenou que com a outra parte de sua fortuna dessem início as obras para edificação da cidade. Dois dos assessores ainda tentou argumentar sobre os custos dessas obras num lugar daqueles, que seria um grande desperdício de dinheiro, mas também acabaram sendo despedidos sumariamente. Os dois assessores que ficaram continuou a fazer o que Charles solicitara, pegou a outra metade do restante de sua fortuna e passou a investir na construção da cidade no meio do deserto.

 

 

Enquanto isso, Charles continuava a sua vida, viajando pelo mundo ao lado de belas mulheres e frequentando festas badaladíssimas e cada vez mais a mostrar sua arrogância, a sua opulência a todos. Quanto as suas obras no deserto nem a preocupar-se, além de nunca lá estar nem mesmo para acompanhar o andamento das coisas, simplesmente deixava por conta de seus dois assessores que desesperadamente tentavam mantê-lo informado de tudo, mas na realidade ele nem os escutava o que eles diziam, apenas ficava sentado em sua bela poltrona a sonhar e sonhar com o dia da grande inauguração de sua cidade.

 

 

Depois de algum tempo o empreendimento ficou pronto com o orçamento proposto por Charles e assim foi marcado o dia da inauguração. Charles ordenou que a inauguração acontecesse de forma a ser um grande surpresa para ele, por isso nunca se preocupou em saber nada do projeto da cidade, segundo suas justificativas obviamente. Assim sendo Charles foi levado à noite, no meio da escuridão para ele nada ver num helicóptero, e lá chegando seus olhos foram vendado e levado a um luxuoso aposento especialmente preparado para ele, onde todas as portas e janelas que davam acesso a parte de fora, foram acortinadas para não estragar a surpresa.

 

 

Na manhã seguinte, Charles deu uma rápida lida em seu discurso de inauguração da cidade denominada "Charle´s Paradise", e logo mais foi encaminhado para o grande corredor que dava acesso a uma grande sacada de onde ocorreria a abertura do grande acontecimento. Naturalmente que todo esse local estava protegido com grandes cortinas como ele mesmo ordenara. Vários convidados importantes do mundo foram convidados para a cerimônia de abertura, inclusive todos os líderes importantes daquela região, além de artistas, grandes atrações, uma grande festa regadas a caviar e champanhe, tudo conforme o figurino.

 

 

Charles atravessou o grande saguão central e se dirigiu até a grande sacada onde seria feita o discurso. O local já estava previamente preparado e ao seu sinal todas as cortinas se abriram e ele pode ver pela primeira vez a sua tão sonhada cidade. Por um breve segundo o forte brilho do sol ofuscou por alguns momentos a visão de Charles, mas logo após ele viu do alto da sacada da mansão um imenso jardim tropical com uma imensa piscina, grandes coqueiros a sua volta, e além dela apenas areia, dunas e mais dunas uma seguida da outra. Charles ficou parado e espantado, não entendendo nada, chamou os seus assessores e perguntou sobre a sua grande cidade.

 

 

Os assessores explicaram que os custos para trazer cada bloco de tijolo e outros materiais ficaram imensamente caros, que o restante de toda sua fortuna na verdade só deu mesmo para fazer isso, ou seja, uma imensa mansão em que ele estava rodeava daquele jardim, uma cidade que os assessores cansaram de tentar mostrar nas diversas reuniões que ele nunca comparecera ou que não dava ouvidos.

 

 

Charles ficou pálido repentinamente na frente de todos os seus convidados, deu dois passos para trás e caiu morto ao chão, tivera um ataque fulminante no coração como seu pai. Após a sua morte, o sheik que lhe vendera todas essas terras, transformou aquela mansão no meio daquele deserto num mausoléu onde Charles permanece enterrado até os dias de hoje, um lugar aonde muitos poucos vão, tampouco poucos acreditam que ela exista.

 

 

Com o passar do tempo apenas alguns nômades em seus camelos, de vez em quando atravessam ao lado das ruínas da mansão praticamente coberta de areia, onde de vez em quando pode ser vistas algumas estruturas principais praticamente destruídas e uma sepultura em mármore preta, que ninguém se atreve chegar perto, pois dizem que lá uma grande maldição existe. Na lápide dessa sepultura uma pequena inscrição diz “Aqui jazz aquele que sonhou a dar ouvidos somente a grandeza de suas próprias convicções

 

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