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Clandestino


 

 

Duas semanas antes de partir para o planeta Taktrix situada no quadrante norte da Constelação de Orion levando suprimentos e maquinários na nave Jubileu, um cargueiro de médio porte da qual eu comandava auxiliado por mais 20 homens, fui procurado em minha casa por um velho homem, quase um maltrapilho que me pedia, ou melhor, me implorava para que o levasse ele como clandestino em minha nave para Taktrix, pois tinha um encontro e segundo ele a mais importante em sua vida. Perguntei e insisti que me ele me fornecesse melhores e contundentes explicações para tal viagem, mas ele simplesmente se negava e não me dava maiores informações, apenas ficava insistindo e persistindo nessa maluquice.

 

 

Evidentemente que recusei o seu pedido, não porque ele não tivesse como me pagar, assim como também já em outras ocasiões havia levado clandestinos ao destino desejado, mas com ele havia algo que me intrigava principalmente no seu silêncio em dar-me maiores detalhes de sua ida até Taktrix, além de ser uma pessoa completamente esquisita e totalmente fechada. Assim sendo neguei-lhe o pedido e ele foi embora, mas nas semanas seguintes o tal sujeito começou a praticamente me perseguir aparecendo em quase todos os lugares que eu ia ou estava. Ele não falava comigo e nem se aproximava, mas ficava o tempo todo olhando para mim de longe como se estivesse implorando para que eu o levasse. A insistência era tanta que eu passei a ter pesadelos com isso e assim sendo certo dia resolvi investigar sobre aquele estranho homem.

 

 

Felizmente uma das câmeras de minha casa havia registrado a sua imagem e então com a posse dela passei a pesquisar pelos diversos meios digitais possíveis, mas nada consegui encontrar e então resolvi sair a campo e perguntar por vários lugares se alguém o conhecia, pois como ele estava em diversos locais onde eu costumava estar me atormentando com o seu olhar, portanto não deveria morar longe, porém curiosamente quando eu passei a procurá-lo ele simplesmente desapareceu da minha vista. Por horas perguntei para diversas pessoas, mas infelizmente ninguém o conhecia, foi então que resolvi percorrer a periferia da cidade onde diversos mendigos e pessoas mais pobres viviam.

 

 

Após várias horas perguntando e quase muito perto de desistir de tudo aquilo, finalmente alguém disse conhecê-lo e me levou até onde ele vivia, numa pequena casa caindo aos pedaços. Perguntei se sabia quem era ele, mas a pessoa que lá me levou só sabia dizer que ele saia de vez em quando para mendigar somente para conseguir alimentos, e depois voltava para casa e não saia mais, ninguém sabia seu nome, nem de onde veio e isso já fazia muitos anos. Bati a porta de sua casa e logo a me ver à sua frente se ajoelhou aos meus pés agradecendo desde já ter atendido seu pedido.

 

 

Pedi que levantasse e disse que iria levá-lo desde que ele desse maior informação sobre sua vida e o que tinha de tão importante assim em Taktrix, mas ele continuava teimosamente a não me responder, apenas lágrimas começaram a escorrer pelo seu rosto. Diante da sua turra em não me dar mais nenhuma informação resolvi ir embora, mas algo que não sei explicar me fez retornar e aceitá-lo a levá-lo, por mais maluco e arriscado aquilo fosse. Solicitei que ele encontrasse comigo logo à noite em minha casa para que eu pudesse infiltrá-lo na nave e dentro de um pequeno compartimento utilizado apenas em ocasiões muito especiais quando não havia mais acomodações em outros locais. Como nesta viagem o local não seria utilizado e ficava num lugar de difícil acesso resolvi acomodá-lo naquele local, porém com a condição de que lá ele deveria permanecer durante toda a viagem, por mais incômodo que fosse e não sair em hipótese alguma até que eu permitisse, passasse fome, calor ou sede, e ele concordou plenamente.

 

 

Cinco horas da manhã seguinte eu e minha tripulação partimos da Terra com destino a Taktrix, uma viagem prevista para dois anos e levando clandestinamente aquele estranho homem que nem seu nome sabia e sem nada contar ao resto da tripulação. Durante essa viagem, de vez em quando enquanto meus amigos dormiam eu ia até o local e deixava algo para beber e comer para algum tempo, assim como tentava retirar mais alguma informação dele, mas como sempre sem sucesso e assim a viagem prosseguiu e dois anos depois estávamos dentro dos limites de Taktrix.

 

 

Incrivelmente aquele estranho sujeito havia transformado aquele engradado em seu lar por longos dois anos de viagem, mantinha o local sempre limpo para não atrair a atenção dos outros e durante toda a viagem obedeceu cegamente todas as minhas instruções e assim manteve-se longe de atrair qualquer suspeita. Algum tempo antes de descer com a nave fui até o local e retirei o misterioso homem e levei-o para minha cabine, onde ele permaneceu escondido. Também deixei com ele um sinalizador-transmissor para ele saber o momento exato de deixar a nave sem que ninguém o percebesse seguindo as instruções que lhe dera.

 

 

Depois de todo o carregamento ser retirada da nave emiti o sinal e o misterioso homem saiu sorrateiramente e foi para as ruas, mas a minha curiosidade sobre ele ainda permanecia e então resolvi segui-lo onde quer que fosse. Andei atrás dele por diversos locais e notei que em vários lugares aquele estranho homem procurava alguma informação, como um paradeiro de alguém ou coisa parecida, até que finalmente tomou a direção a um local chamado Capela III, uma espécie de igreja-cemitério onde são depositadas as cinzas de diversas pessoas que morreram em Taktrix ou para lá enviadas.

 

 

Lá chegando o homem misterioso entrou e algum momento depois se ajoelhou a um local onde continham diversas urnas encrustadas na parede com seus devidos nomes. Nesse momento distrai um pouco com um animal passando na rua e foi nesse instante que escutei um estampido e ao olhar para dentro da Capela vi aquele homem caído ao chão, logo após ter dado um tiro contra ele próprio. Corri para ele, porém nada mais podia fazer e depois liguei para as autoridades e inventei tê-lo encontrado morto quando passava de frente a Capela e escutado um estranho estampido. Felizmente eles engoliram a história e a coisa terminou por ai, mas antes de seu corpo ser levado percebi que havia uma estranha tatuagem em seu braço que eu nunca havia percebido antes e aquilo estranhamente ficou na minha cabeça.

 

 

No dia seguinte retornei a Capela e fiquei exatamente no local em que ele morrera para poder entender aquilo tudo que havia acontecido e, depois me ajoelhei exatamente como ele o fizera e ver o que enxergava naquela posição, e espantosamente notei que aquela estranha tatuagem no braço daquele homem também era a mesma defronte a urna de uma mulher chamada Zula. Assim sendo procurei o encarregado do local e pedi algumas informações sobre essa mulher que gentilmente procurou nos arquivos e disse que Zula fora a segunda esposa de um importante e rico homem de negócios de Taktrix, e que ela se suicidara um ano após seu casamento e somente isso constava em seu cadastro.

 

 

Também perguntei se ele tinha como obter maiores informações a respeito dela e para conseguir isso inventei que ela poderia ser a minha mãe desaparecida quando eu ainda pequeno e que eu estava a sua procura. O encarregado ficou emocionado com a minha história e resolveu me ajudar e disse que assim que ele conseguisse levantar maiores dados dela me enviaria para a minha nave. Cinco dias depois chegou uma mensagem no painel da minha nave e dentro dela todas as informações que o encarregado da Capela III pode conseguir sobre essa tal Zula.

 

 

Comecei a prestar atenção e descobri que ela era uma simples trabalhadora da colônia agrícola de Darkvar e ao crescer se tornara uma linda mulher e se apaixonou loucamente por um colega de escola, também trabalhador da mesma cidade que nutria os mesmos sentimentos por ela, mas a família dela queria um destino melhor para sua filha e logo tratou de arrumar um bom casamento com um importante e rico negociante e obrigou-a se casar com esse milionário. Depois do casamento Zula e seu marido vieram para Taktrix, mas ela nunca se sentia feliz por ainda continuar apaixonadamente louca por seu amigo de escola e quando não mais suportou viver dessa forma suicidou-se e assim tragicamente terminava o relato sobre a pobre Zula.

 

 

Apesar dessas informações alguma coisa continuava não batendo e eu ainda ficava a me perguntar quem seria aquele estranho homem. As minhas primeiras suspeitas recaíram sobre aquele colega a quem Zula tanto amara e então resolvi investigar e descobri que após quatro anos o rapaz também se casou e continuava vivo e tinha dois filhos. A partir de então fui tentando descobrir a vida de todas as pessoas que tivera contato com ela, antes e depois do casamento e não encontrei praticamente nada de estranho, a não ser o misterioso desaparecimento de seu pai alguns anos depois da morte da filha, provavelmente devido a um sinal de progressivo problema mental. Certo ao sair de casa nunca mais retornou.

 

 

Também procurei imagens sobre ele, mas nada pode ser encontrado e assim sendo passei a acreditar que aquele estranho homem era o pai da moça. Trinta anos se passaram e minha vida mudou completamente e hoje eu tinha uma bela família e filhos que me enchiam de orgulho, mas ficava muito tempo fora com as minhas viagens, e assim sendo resolvi requerer à aposentadoria que minha mulher tanto sonhava há muito tempo. Assim passado alguns dias procurei meus contratantes para entregar-lhes a minha solicitação de aposentadoria. Ao chegar ao edifício da sede fui entrando e nunca havia reparado tão grande era aquele salão de espera. A secretaria mandou que eu aguardasse um pouco e eu sentei numa poltrona confortável que lá existia enquanto reparava naquele imenso salão.

 

 

Pouco depois levantei meio irritado com a demora e resolvei olhar algumas pinturas maravilhosas que havia dependurada estrategicamente em meio a algumas outras fotos. De repente algo me chamou a atenção ao cruzar com uma foto, rapidamente voltei meu olhar para olhar mais atentamente e desesperadamente procurei a secretária e perguntei quem era aquele homem apontando o meu dedo para aquela imagem. A simpática moça começou a contar-me que ele foi um dos fundadores dessa companhia, um rico homem de negócios que certo dia se apaixonou por uma linda mulher que se suicidou por tê-la tirado do homem que ela amava. Algum tempo depois ele voltou a casar novamente na tentativa de esquecer a grande paixão de sua vida, mas não conseguiu e todos acreditam que ele tomou o mesmo caminho de sua amada suicidando-se, pois esse homem simplesmente desapareceu largando tudo e nunca mais foi encontrado, e desde então a empresa é tocada pelos seus antigos sócios e descendentes.

 

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