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Claudete, a feia


 

 

Claudete era a primeira filha do casal Antônio e Mariana, que moravam na cidade Petrópolis, no Rio de Janeiro, num pequeno sítio em que o casal plantava algumas coisas pra sobreviver e também vender nas localidades. Quando Claudete nasceu foi uma festança daquelas, afinal era a primeira filha e isso encheu de felicidade o casal. A pequenina Claudete começou a crescer, e assim que ela ia crescendo os pais e os vizinhos começaram a perceber o quanto a menina era feia, e à medida que crescia essa feiura inacreditavelmente acentuava cada vez mais.

 

 

Inexplicavelmente Claudete era feia e ninguém entendia o porquê, já que nem o seu Antônio e nem a dona Mariana eram feios, até que eles eram bem apanhados, não de chamar a atenção, mas até que eram bem simpáticos. Um ano depois, chegou a segunda filha que eles a batizaram de Laura, que ao contrário de Claudete, à medida que ia crescendo ia se tornando cada vez mais linda e simpática com todos e completamente oposta a irmã.

 

 

Quando Claudete estava com três anos de idade e Laura com dois, a diferença entre eles era marcante, gritante. Laura amável, risonha e simpática com todos, Claudete emburrada, antipática e muito, muito feia, horripilantemente feia, além do que tinha uma voz fanhosa, que mal se compreendia e parecia até que desafinava até quando falava. Poucas eram as pessoas que conseguiam ouvir o que ela dizia sem sentir arrepios, pois sua voz era também tremendamente horrorosa de se escutar.

 

 

Assim as duas foram crescendo. Entre Claudete e Laura sempre houve uma amizade sem igual, e apesar de Laura ser muita bonita, nunca destratava a irmã, e nem deixava que ninguém fizesse algum mal a Claudete. Ela protegia a irmã aos ataques de outras pessoas, mas ela não podia protegê-la da ignorância das outras pessoas, que nem se aproximavam de Claudete, que apenas ficavam a olhar aquela figura feia e pensando como é que alguém podia ser tão horrível daquele jeito.

 

 

Na escola daqueles tempos, as carteiras eram duplas, ou seja, sentavam duas crianças em cada carteira, somente Claudete sentava-se sozinha, pois ninguém queria ficar ao lado dela. As outras crianças só não gozavam dela porque a professora não permitia que isso acontecesse, mas até ela própria pouco se aproximava da menina, pois sua feiura, a cara emburrada, tímida e a voz fanhosa eram de lascar.

 

 

Laura e Claudete cresceram, tornaram-se moças. Laura se tornou uma das moças mais cobiçadas pela rapaziada, enquanto na Claudete nem cachorro chegava perto de tamanha era sua feiura. Nos bailes, Claudete ia com Laura e sentava num canto e lá ficava até o fim da festa, sempre sozinha, sem amigas e rapazes então, nem pensar. Havia até apostas entre os rapazes de quem era corajoso suficiente para tirá-la para dançar, mas mesmo assim ninguém se atrevia, era feiura demais pra uma pessoa só.

 

 

Laura veio para a capital paulista para trabalhar, já que se formara como professora de corte e costura. Aqui arranjou um lugar para morar e logo depois chamou a irmã Claudete para lhe fazer companhia. Por um momento Laura chegou a se arrepender, pois assim que a irmã chegou, as suas colegas sumiram e os seus pretendentes também desapareceram. A feiura de Claudete espantou a todos, mas com o passar do tempo, Laura arranjou outras amigas e também novos namorados.

 

 

Claudete, como sempre, a ficar chupando o dedo, sempre sem amigo ou namorado. Certo dia, porém, Claudete resolveu comprar um lote completo de bilhete de loteria, somente para se livrar do insistente vendedor, e pela primeira vez a sorte grande sorriu para Claudete, pois ela acertou em cheio e como tinha todo o lote de bilhetes, faturou uma grana preta, coisa sem igual, nunca imaginada.

 

 

Claudete pensou, minha sorte está mudando, e assim seguindo o conselho da irmã, Claudete procurou um cirurgião plástico e se submeteu as diversas intervenções para mudar seu aspecto, e depois de duas ou três cirurgias, aqui e acolá, Claudete começou a ficar com uma aparência melhor. Não ficou linda, mas melhorou um bocado, apesar da sua voz permanecer a mesma.

 

 

Claudete podia agora não se considerar uma moça feia, mas uma pessoa como qualquer outra, nem feia, nem bonita e também não mais chamava a atenção de ninguém. Agora, Claudete tinha dinheiro, e assim passou a morar com Laura num casa muito bonita, num dos melhores bairros de São Paulo. Também tirou seus pais da roça e trouxe para morar com eles na cidade grande e dar-lhes o conforto merecido.

 

 

Laura, por esse tempo já namorava firme com um rapaz e resolveu se casar. Fizeram uma grande festa de casamento e Laura e seu marido foram viver suas vidas. Claudete começou a ter as suas primeiras amigas, que passou a apresentar os rapazes e assim chegou ao seu primeiro namorado, que não durou muito, pois apesar dela não ser mais assim tão feia, continua a ser sem graça, tímida, emburrada e sem assunto nenhum pra conversar com quer que seja.

 

 

Assim foi passando de namorado para namorado, que dificilmente passavam da semana seguinte. Até que certo dia conheceu Eustáquio, num sujeito de boa conversa, um espertalhão, que apostara com seus amigos que ele seria o primeiro a levá-la para cama. Apostou uma nota preta no seu taco. Eustáquio chegou, levou uma conversa daqui, outro de lá, e apesar de aturar o papo chato de Claudete, fazia qualquer coisa pra ganhar a aposta, até que de tanto lutar por ela, finalmente conseguiu persuadir Claudete a finalmente deixar a sua virgindade pra lá.

 

 

Eustáquio conseguiu emprestado o apartamento de um de seus amigos, e para lá levou Claudete para sua primeira noite, e foi assim que ela perdeu sua virgindade. Mas, Claudete nada sentiu, aliás, sentiu um asco, uma coisa nojenta a tomar conta de seu corpo. Foi uma noite horrível. Mais, tarde conversando com sua irmã Laura, que a acalmou dizendo que a primeira vez geralmente era assim, mas com o passar do tempo às coisas iam melhorando até chegar o momento de não se poder mais viver sem ela.

 

 

Claudete então tentou outras vezes com outros rapazes, mas sempre era a mesma coisa, continuava a ser uma coisa tremendamente desagradável. Consultou um psiquiatra, ou seja, vários médicos e psiquiatras, mas com nenhum deles conseguiu obter sucesso e continuou a não sentir nenhum prazer sexual por mais que seguisse seus conselhos. Depois de muito tentar, desistiu.

 

 

Claudete se afastou dos homens e com o passar do tempo, também das amigas e quando queria conversar procurava Laura ou então seus pais, e assim foi levando a vida, empurrando a vida. Claudete era uma boa administradora do seu dinheiro, por isso sempre proporcionou um bem estar a todos de sua família. Dinheiro nunca foi problema, mas Claudete se sentia vazia, não tinha alegrias, sem prazeres carnais, apenas vivia, respirava.

 

 

De vez em quando ela se lembrava de seus tempos de feiura, e pelo menos naquele tempo ela sabia por que era infeliz, mas agora nada se justificava. Ela não era mais assim tão feia, tinha dinheiro, vivia numa bela casa, mas sua vida era oca, totalmente sem graça, e assim Claudete viveu o resto de sua vida. Apesar de toda essa vida sem esperança, sem alegria, sem porcaria nenhuma, ela permaneceu viva até os 90 anos de idade e morreu de causas naturais.

 

 

Muitos contam que em seu leito de morte, esboçou pela primeira vez um grande momento de prazer, morreu sorrindo, como se agora sim a sorte grande tivesse chegado, ir embora dessa vida sem graça, de onde nunca deveria ter vindo. Assim foi e é a vida de algumas Claudetes, uma coisa inexplicável, inimaginável, uma coisa sem sentido, pessoas que apenas passam por essa vida, um verdadeiro mistério da natureza. Alguns dizem que até Deus comete seus enganos e Claudete provavelmente deve ser uma delas. Que fazer, não há o que fazer, portanto que assim seja.

 

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