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Cleonice


 

 

Cleonice dos Santos Pereira nasceu em Barretos, interior paulista numa família de quatro filhos, dois homens e duas mulheres, que viveram até certo momento de suas vidas de um pequeno salário do senhor Alceu, o pai operário e de dona Sofia, que fazia doces e bolos de aniversário para ajudar o marido no sustento da casa. Apesar de ser um dinheiro contadinho todos pôde ter uma boa escolaridade, o suficiente para conseguirem tocar suas vidas.

 

 

O irmão mais velho João tornou um próspero comerciante após seu casamento e foi morar em Minas Gerais, e lá criaram seus três filhos com muita prosperidade e fartura. Já Cleonice, a irmã Isabel e o irmão caçula Felipe, viveram uma vida modesta, porém sem passar maiores necessidades. Cleonice foi a única deles que não se casou e com o decorrer dos anos passou a cuidar de seus pais na velhice.

 

 

Ela era professora de música numa escola próxima de sua casa e sempre sonhou ter um piano para ela poder tocar as músicas que gostava e também para dar aulas particulares em casa, e assim aumentar um pouco mais seus ganhos. Sempre que conseguia guardar um dinheirinho e prestes a comprar o seu tão sonhado piano, acontecia algo e ela acabava tendo que gastá-lo nas necessidades urgentes. Seus pais já estavam idosos e vira e mexe sempre estavam a precisar de remédios, umas consultas médicas, dentista, entre outras coisas, e assim o piano acabava sempre ficando para depois e depois.

 

 

Os outros irmãos nunca deram muita pelota para os seus pais, até mesmo o João que tinha uma boa situação financeira, mas como Cleonice sempre conseguia se virar sozinha, nunca precisou recorrer a eles, caso uma vez ou outra, mas mesmo assim de forma rara. No decorrer dos anos seguintes seus pais acabaram falecendo e Cleonice passou a morar sozinha, as despesas diminuíram e ela voltou a novamente sonhar com o tal piano.

 

 

Começou a juntar novamente um dinheirinho para concretizar o seu sonho, mas novamente quando próximo de sua realização, seus sobrinhos, filhos de seu irmão João que morava em Minas, devido aos estudos numa faculdade próxima a cidade acabaram por vir morar com ela. Os seus três sobrinhos sempre tiveram uma boa vida e estavam acostumados a ter do bom e do melhor, e mesmo o pai enviado o dinheiro das despesas, sempre acabava faltando para uma coisa e outra e assim novamente seu sonho do piano ia por água abaixo.

 

 

Mais alguns se passaram até que o seus sobrinhos finalmente se formaram, encontraram lugar em suas carreiras e foram cuidar de suas vidas, assim Cleonice voltou a ficar sozinha novamente e toda vez que isso acontecia seu sonho renascia. Lá ia novamente ela a guardar um pouco para comprar seu piano, até que finalmente seu sonho se concretizou. Cleonice encontrou um piano de segunda mão, em boas condições e a um preço acessível e resolveu comprá-lo e colocou no centro de sua sala, e foi quando um outro sobrinho, filho de sua irmã Isabel também resolveu estudar música e assim pediu a tia para emprestar o piano para ele poder fazer o seu treinamento, e o instrumento foi levado para a casa de Isabel e lá permaneceu até ele se formar e finalmente ter o seu próprio.

 

 

Quando o piano retornou a casa de Cleonice, quase pouco do instrumento permanecia, pois ele retornou praticamente quebrado por ter permanecido por longo período em local de muita umidade deteriorando grande parte de suas partes vitais. A essa altura do campeonato, Cleonice já não podia mais dispor de dinheiro, pois estava sempre passando por alguns problemas de saúde que a faziam gastar praticamente o que ganhava com seus remédios, não sobrando muito para que ela pudesse consertar o seu piano, pois custava muito caro.

 

 

Certa noite, Cleonice ficou horas olhando o seu piano mudo encostado no canto de sua sala, depois apanhou algumas partituras, sentou-se ao piano e mesmo não escutando nenhuma nota começou a tocar e imaginar a música em seus pensamentos. Assim Cleonice passou alguns meses, quase que diariamente a sentar em seu velho piano e a tocar as partituras de Bach, Beethoven e Chopin, seus músicos prediletos, até que certo dia ao iniciar a tocar uma música, ela começou a escutar um belo som vindo do piano. Ela ficou assustada e deu um salto para trás, voltou novamente ao piano tocou apertou algumas teclas e escutou o som extraordinário que dela surgia. Cleonice ficou maravilhada e passou a acreditar que tanto era o seu desejo de tocar aquele piano, que por algum milagre ela havia se consertado, e assim feliz da vida passou a tocar todos os dias as suas canções prediletas.

 

Certo dia, porém, Ana sua sobrinha veio visitá-la e Cleonice rapidamente sentou-se ao piano e começou a tocar Chopin para ela. Ana ficou assustada ao ver a tia tocar naquele piano completamente muda, mas apesar disso a sobrinha ficou calada ouvindo-a dedilhar cada nota em seu piano. Ao terminar a música, aplaudiu, abraçou a tia e disse que ela havia tocado maravilhosamente, acreditando que Cleonice estive já ficando caduca de tanto sonhar com o tal piano, e assim achou por bem deixá-la em seu devaneio.

 

 

Logicamente que a notícia se espalhou pela família e todos que apareciam para visitar Cleonice ficava, na maioria das vezes, horas a observá-la a teclar aquele velho piano mudo, alguns até choravam, nas Cleonice acreditava que eles assim o faziam pela emoção da música. Mesmo com o passar dos anos ninguém teve a coragem de dizer a Cleonice que o piano estava completamente mudo, que ela estava a somente imaginar o som sair daquele instrumento.

 

 

Em seu piano Cleonice tocou todas as músicas que teve direito até o final de seus dias, assim como ficando conhecida como uma mulher maluca que dedilhava num instrumento mudo. Cleonice viveu até os 92 anos de idade e certa noite morreu tocando o seu piano. Ela estava sozinha naquela noite e quando a encontraram ela estava com seu rosto encostado no piano e com as suas mãos sobre os teclados, como se apenas pegasse no sono tocando.

 

 

Durante o seu velório diversos vizinhos que moravam próximas a sua casa disseram ter escutado um magnífico som de piano durante aquela noite em que ela morreu, e diziam ter certeza absoluta que a música de lá provinha. Alguns meses depois do enterro de Cleonice, o piano acabou sendo vendido para ser consertado e talvez ser novamente colocado à venda, mas inacreditavelmente todos que tentaram consertá-lo, por mais que tentassem fracassaram, ninguém nunca mais conseguiu fazer com que ela tocasse mais outra nota sequer.

 

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