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A Criação do Mundo


 

 

Por volta dos anos 70, se não me engano, uma editora passou a vender livros por um “sistema de clube” conhecido como Circulo do Livro, onde a pessoa era indicada por algum sócio e, a partir disso, recebia uma revista trimestral com dezenas de títulos para serem escolhidos. O novo sócio tinha que comprar pelo menos um livro a cada período e depois as suas escolhas eram enviadas para sua residência. Isso se tornou popular naquele tempo e isso fez com que muita gente passasse a comprar livros.

 

 

Naturalmente que também aderi a esse sistema e assim comprei muitos exemplares, que em sua maioria ficaram mesmo para enfeitar a prateleira. Mas, apesar disso eu bem que tentei ler alguns e já no inicio, depois de folhear algumas páginas ela acabava simplesmente voltando para a estante, e muitos assim acabaram lá esperando a poeira baixar sobre eles.

 

 

Porém, um livro chamado A Importância de Viver, escrita por um chinês chamado Lin Yutang me chamou bastante atenção e esse foi um dos que consegui ler até o fim. Neste livro Lin descrevia o modo de viver dos antigos chineses e fazia comparações com os costumes ocidentais, num contexto bastante humorado e interessante.

 

 

Entre outras coisas, Lin nos contava algumas das formas de encarar a vida. Numa delas, por exemplo, conta que a primeira coisa que faz ao visitar a casa de alguém é tirar os sapatos e colocar os pés sobre a outra cadeira. Se o dono da casa ficar satisfeito com a minha atitude é porque ele me quer à vontade, como se sua casa fosse também a minha. Eu então saberei que estou na casa de um amigo. Mas, se o dono achar que sou muito presunçoso e mal educado, logo saberei que sou apenas uma visita. Calçarei meus sapatos e irei embora o mais breve possível.

 

 

Em outra parte citava que uma das coisas mais importantes da vida era ter jogo de cintura, noutra contava que não conhecia ninguém que já tivesse provocado guerras lendo Tio Patinhas. Também mostrava conclusões interessantes em resolver soluções atuais e na antiguidade. Numa delas contava que, hoje em dia para se construir um túnel os engenheiros colocavam uma porção de gente de um lado da montanha e iniciavam a escavação. Mas, no tempo de Confúcio a coisa era bem diferente. Eles colocavam metade de um lado da montanha e a outra metade do outro lado. Caso eles se encontrassem teriam um túnel. Caso contrário, teriam dois.

 

 

Lá pelo meio do livro, Lin mostrava um antigo poema chinês de autoria desconhecida, que falava da criação do homem, vista de um modo peculiar e muito legal, a qual eu sempre tive vontade de decorar, tentei, mas nunca consegui. Com o tempo acabei até perdendo o livro e aí a coisa se escafedeu mesmo.

 

 

Há pouco tempo atrás me veio a lembrança do livro novamente e tentei lembrar daquele poema, mas infelizmente consegui somente uma pequena parte inicial onde falava em Deus criando os homens manipulando um punhado de barro e o resto simplesmente evaporou da minha mente. Passado um tempo surgiu uma outra estória na minha cabeça com o conteúdo um pouco semelhante ao do poema, mas completamente diferente em seu todo. E assim ficou:

 

 

Houve uma vez há milhares de anos atrás no nosso tempo, época em que Deus já havia criado o universo, os planetas, as estrelas e mais ou menos tudo que existe atualmente, até que um dia ele resolveu dar umas voltas entre as suas criações para umas férias depois de ter tido todo esse trabalhão. Andou por lá e acolá, até que finalmente apareceu aqui na Terra, onde por esse tempo ele já havia criado as montanhas, os mares, colocado o ar que respiramos, alguns animais, florestas, etc. etc. etc.

 

 

E ao passear por um caminho, de repente se deparou com uma poça de água e perto dele um grande lamaçal. Deus então pegou um punhado do barro e resolveu brincar criando algumas figuras, e assim ele fez a cabeça, o tronco e os membros e juntou tudo numa só estrutura e deixou ao lado, e como havia gostado da brincadeira, resolveu logo em seguida fazer uma segunda, e ao acabar colocou ao lado da primeira. Ao fazer isso percebeu que a cabeça de um pendia para a do outro e vice-versa, pois o barro ainda estava bem mole.

 

 

Ele pegou os bonecos e afastou um pouco mais, arrumou a cabeça dos dois, mas pouco tempo depois as cabeças voltavam a pender-se um em relação ao outro. Intrigado, novamente arrumou suas cabeças e desta vez colocou mais longe ainda, mas logo percebeu que nada adiantava, pois por mais longe que ele as colocasse, as suas cabeças sempre acabavam pendendo um em relação ao outro.

 

 

Isso deixou Deus muito encafifado e então, pensou e repensou e depois de um certo tempo de reflexão ele pegou um boneco de barro e deu-lhe o nome de Mulher, e encarregou-a de direcionar os fardos da vida com a sua sabedoria. Depois apanhou o outro boneco e deu-lhe o nome de Homem para que a espécie tivesse como ter a sua continuidade, e prover os seus descendentes em tudo que ela necessitasse. E para aquela estranha e persistente atração de um pelo outro, Deus a chamou de.... Destino.

 

 

Lin Yutang foi um poeta, escritor e tradutor que nasceu na China em 10 de outubro de 1895 e fez seu bacharelado em Xangai e mais tarde obteve uma bolsa para doutorar-se na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. Ficou um tempo em Harvard e logo se mudou para a França e depois para a Alemanha onde completou os requisitos para um doutorado na Universidade de Leipzig.

 

 

Entre 1923 a 1926 lecionou Literatura Inglesa na Universidade de Pequim. Também passou a estudar com profundidade a literatura clássica chinesa, principalmente a maneira como os antigos chineses viam a vida.

 

 

Em 1928, passou a morar nos Estados Unidos, onde realizou transcrições de textos chineses, através de livros que acabaram se tornando populares durante vários anos. Seus diversos trabalhos são considerados como uma tentativa de eliminar a lacuna existente entre o ocidente e oriente.

 

 

Lin Yutang foi indicado ao Prêmio Nobel de Literatura por diversas ocasiões. Entre suas obras estão Minha Terra e meu Povo (1935), A Importância de Viver (1937), Entre Lágrimas e Risos (1943), Momento em Pequim (1939), O Portão Vermelho (1953) e Dicionário de Chinês Moderno de 1973, entre outras. Lin morreu na cidade de Taipé, em Taiwan, no dia 26 de março de 1976, e a sua casa é atualmente um museu.

 

Texto - Pesquisa - Criação = Osamu Nakagawa

 


 

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