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Francisca


 

 

Francisca do Nascimento Pereira nasceu na cidade de Ituporanga, interior de Santa Catarina, numa pequena e humilde família muito religiosa, e desde criança foi crescendo frequentando fielmente a igreja da cidade, em quase todos os finais de semana junto com seus pais e irmãs. Francisca era uma menina muito tímida desde a infância, própria de sua natureza, mas convivia com suas amigas que moravam perto de sua casa em suas brincadeiras. Diferente das outras coleguinhas de escola, Francisca sempre ficar quietinha em seu canto, sem chamar atenção, mas mesmo assim não se isolava dos outros quando convidada a participar.

 

 

 Assim foi crescendo e ao chegar a adolescência resolveu ser professora primária e assim o fez. Depois começou a lecionar na escola lá mesmo em Ituporanga e depois veio para a capital catarinense onde fez a faculdade formando-se em pedagogia. Passou a atuar na área de pesquisa na própria faculdade que se formara e assim foi levando a vida. Sempre tímida e por isso mesmo dificilmente arranjava um namorado, até que certo dia se encantou com um ator que na época estava encenando uma peça nas escolas da cidade. Ele ao contrário de Francisca era totalmente extrovertido, eloquente e também muito engraçado e charmoso e que aos poucos foi se aproximando dela e assim passaram a namorar.

 

 

Depois de dois anos de namoro, casaram e tiveram quatro filhos. Eles continuaram suas carreiras profissionais, ela na faculdade e ele a sua vida de ator, viajando sempre com as companhias teatrais em que trabalhava. Essa vida do marido, quase sempre longe de casa, fez com que Francisca praticamente assumisse as funções de pai e mãe dentro da casa. Ela se triplicava em suas funções e assim foi levando a vida, mas o tempo também fez com que Francisca passasse a preocupar-se apenas com seus filhos, seu marido e quase nunca com ela mesma.

 

 

Vivia sempre agitada, correndo de um lado para outro para suprir as necessidade dos filhos e do marido, e quando sobrava algum tempo muitas vezes ficava tendo como companheira apenas a solidão, a angústia e muitas vezes tomava remédios contra a depressão, que muitas vezes tomava conta cada vez mais de sua vida. Quando ela chegou aos seus quarenta e cinco anos de idade, as marcas em seu rosto já eram visíveis, seus cabelos começando a ficarem brancos, várias rugas em seu rosto magro e angelical, vestindo sempre de modo muito sóbrio, enfim, uma mulher que passava sempre despercebida por onde passava.

 

 

E, foi durante esse tempo que começou a ficar próximo de um colega da faculdade chamado Paulo, que sempre a socorria quando envolvia algum problema relacionado com a parte de cálculos, já que a área dele era a de economia. Com o passar do tempo as suas afinidades começaram a crescer, assim como começaram a ficar cada vez mais juntos, ora resolvendo um problema ora saindo pra tomar um lanche, entre outras. Quase três depois, num certo dia Francisca teve um problema com vazamentos em sua casa, um cano havia estourado num final de semana prolongado e justamente no dia em que seu marido estava fazendo um grande turnê com uma peça pelo nordeste e seus filhos viajado aproveitando os dias de folga.

 

Sem ter a quem recorrer, já que não se encontrava encanadores e pedreiros disponíveis naquele momento por mais que procurasse, foi quando se lembrou de seu amigo da faculdade Paulo e resolveu ligar para ele para ver se ele conhecia alguém que resolvesse esses problemas, mas ele não sabia, entretanto resolveu vir até a casa dela para ver o que podia ser feito, já que ele dizia conhecer um pouco disso. Algum tempo depois ele chegou e começou a mexer aqui, ali, a subir no telhado, colocar massa, vedar, enfim, depois de umas três horas o problema estava finalmente resolvido, e Paulo completamente sujo, quase todo molhado. Francisca vendo a tudo aquilo resolveu fazer com que ele tomasse um banho e arranjou uma camiseta do marido, já que a dele estava completamente suja.

 

 

Depois de Paulo tomar um banho rápido, Francisca insistiu para que Paulo tirasse a camisa suja e colocasse a camiseta e durante essa discussão de usa ou não usa, Paulo e Francisca acabaram aos beijos, rolaram no sofá e acabaram ambos gozando felizes da vida. Depois daquele dia outros encontros furtivos começaram a acontecer entre eles, toda vez que Francisca ou Paulo se sentiam perdidos em suas solidões. Esse relacionamento durou sem que ninguém percebesse durante quase dois anos, mas certo dia uma colega chamada Neusa, também da faculdade ao sair de um motel com seu namorado, viu de seu carro Francisca e Paulo chegando. Discretamente Neusa saiu rapidamente do motel e algumas semanas depois comentou isso com outra amiga da faculdade e em pouco tempo a notícia se espalhou como um rastilho de pólvora entre o pessoal da faculdade.

 

 

A situação de Francisca e Paulo começou a ficarem complicados com todos aqueles comentários, aqueles olhares furtivos de crítica por partes dos amigos e colegas mais próximos. A partir de então Paulo e Francisca resolveram não se encontrar mais, passavam pelo corredor, cumprimentava rapidamente e assim permaneceram por um longo tempo, até que os comentários começaram a diminuir, mas infelizmente o caso acabou chegando aos ouvidos de um de seus filhos que também tinha muitos amigos que lá estudavam. Logo a notícia se espalhou pela família, menos ao pai que continuava alheio a toda essa história. Toda vez que o pai viajava numa nova turnê, a discussão recomeçava na casa, com todos a criticar as atitudes da mãe, mesmo ela não tendo mais encontros com Paulo.

 

 

Francisca começou a ficar cada vez mais depressiva e numa certa noite no desespero acabou tomando uma mistura de diversos remédios. Na manhã seguinte quando o marido chegou após um espetáculo encontrou a mulher caída no quarto. Rapidamente socorreu levando-a ao hospital mais próximo, mas tarde demais para que qualquer coisa pudesse ser feita por ela. Algumas horas depois Francisca deixava o convívio de todos. Paulo algumas semanas depois do enterro dela, saiu da faculdade e voltou para sua cidade natal de onde nunca mais saiu. Também algum tempo depois o marido de Francisca soube de toda história entre a Francisca e Paulo, mas incrivelmente não esboçou nenhuma reação, apenas ouviu calado, em silencio quando o filho Carlos lhe contou toda a história.

 

 

Passado um tempo, Carlos o filho que contou ao pai todo o acontecimento entre a mãe e o colega da faculdade, perguntou ao pai porque ele ouvira toda a história de forma tão calada, com resignação e sem praticamente não mostrar nenhuma raiva ou coisa parecida em relação aos dois. O pai respondeu-lhe que durante o tempo que esteve casado, por algumas vezes também tivera casos com outras Franciscas, que ele as compreendia e tal qual o Paulo, também encontrou conforto junto a elas, pois assim é de certa maneira a vida, uma repetição de fatos e às vezes de acontecimentos, cujos remendos são sempre mais fáceis quando os problemas estão ligados a casos de outros e jamais aos nossos. Assim, nunca mais os dois voltaram a esse assunto.

 

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