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O que esperar do futuro?


 

 

Há alguns anos passados quando pensávamos no futuro, quando tínhamos os nossos 40 ou 50 anos de idade, ficávamos a imaginar em trabalhar duro por mais alguns anos até completarmos a idade prevista pela lei para aposentarmos e assim ficarmos tranquilos vendo os nossos netos crescerem, ir a praia ou ao sítio com maior frequência, comer e dormir a hora que bem entendermos e de resto ficar de papo pro ar balançando na nossa rede da nossa varanda, entre umas beliscadinhas no salaminho e uma cervejinha bem geladinha pra acompanhar. Isso sim é que é vida ou pelo menos era o que pensávamos.

 

 

Mas, o mundo foi mudando, novas tecnologias foram surgindo e aos poucos tudo aquilo que eu acreditava que sabia foram ficando superado e eu tendo cada vez mais que aperfeiçoar-me para não ficar a ver navios, e não correr o risco de ser enxotado para o olho da rua. Toda aquela minha experiência de anos e anos a fio, naquele servicinho chumbrega de nada valeram, pois de uma hora pra outra tudo mudou, e aquilo que eu achava eu sabia, que eu dominava foi tudo pro buraco, pro brejo.

 

 

Aos poucos fui ficando mais velho sem que eu percebesse e de repente quando acordei já faltavam somente apenas alguns anos pra aquela bendita aposentadoria que eu tanto sonhara a vida toda, e foi nessa hora que comecei a perceber que viver daquelas migalhas que eu iria receber da tal da Previdência, não daria nem pra mais uma cervejinha. Eu teria que viver contando centavo por centavo pra que o dinheiro suportasse até o fim do mês, e isso não é nada justo, afinal trabalhei a vida inteira pra realizar esse sonho, que agora começou a virar um pesadelo.

 

 

Meus filhos estão crescidos, mas também estão passando com apertos financeiros, pois criar seus filhos nos dias de hoje também não está sendo mole não e hoje conseguem chegar ao fim do mês às duras penas, portanto se eu precisar contar com eles não poderei assim esperar e nem seria justo, afinal ele é um bom filho, batalha para poder dar coisa melhor a sua família, é muito esforçado e depois do serviço ainda vai para a faculdade terminar o curso que tanto sonhou.

 

 

Minha mulher, agora se queixa de tudo. Dói aqui, dói ali, não passa sequer uma semana sem ter que consultar um médico, que por sua vez receitam remédios que custam o olho da cara, sem falar no meu plano de saúde que cada vez mais cobre porcaria nenhuma. Por causa dos meus netos, que não saem lá de casa, tenho que ter televisão a cabo e a tal da banda larga para eles poderem usar os seus celulares e notebooks, sem esquecer naturalmente da geladeira sempre cheia. E, isso custa o olho da cara, uma verdadeira fortuna.

 

 

Fui um bom pai, dei estudo aos meus filhos, tratei o melhor que pude a minha mulher, fui o único dos irmãos a cuidar dos meus pais até a morte, sempre fui honesto, batalhador e trabalhador, nunca tive uma mesa farta, mas não deixei faltar nada de essencial, fiquei aturando essa porcaria de empresa por mais de 30 anos, nunca fiz uma greve sequer, todos progrediram e somente eu fiquei aqui como chefe deste maldito departamento, a aguentar todos os desaforos e resolver todos os problemas sem reclamar. Eu não merecia isso.

 

 

Agora já na casa dos 60 anos tenho que aprender a lidar com essa porcaria de computador, entrar na Internet pra resolver tudo, mexer em todas essas ferramentas que mudam a toda hora, sempre tenho que pedir favores a um e a outro para poder entender um pouco que seja desta nova tecnologia, que eu simplesmente detesto. Bom mesmo era no meu tempo, em que tudo eram resolvido e arquivado nas pastas A/Z e quando tínhamos dúvidas bastava recorrer ao manual de instruções, que guardávamos com todo o cuidado. Que tempo bom aquele!

 

 

Hoje em dia entra um desses pivetes aqui no departamento e em pouco tempo está dominando tudo, já sabe todas as rotinas, resolve todos os problemas em questão de minutos diante do seu computador e além de tudo isso fica a me olhar com aquele risinho irônico estampado na cara toda vez que estou remexendo as minhas papeladas e tentando resolver os meus problemas. Depois de seis meses ele é transferido para outro departamento, naturalmente ganhando mais e sempre elogiado pelos seus superiores. Que merda de vida!

 

 

Geralmente assim são os discursos de uma vida inteira de labuta e perseverança. O que se há de fazer? Pois é. Senhoras e senhores sejam benvindos ao mundo moderno. Entramos no limiar de uma nova era, a era do conhecimento, da informação, do mundo virtual. O século XXI é uma nova era de um novo tempo que já começou, tudo aquilo que vínhamos fazendo virou coisa do passado, uma sucata que acabou ficando para trás e nem tivemos tempo de sentir saudades ou dizer adeus. Ser vamos pra melhor ou pra pior ainda ninguém sabe.

 

 

Os pessimistas dizem que teremos uma sociedade cruel, de uma mediocridade sem tamanha, nunca vista até agora, que tudo vai girar em torno de modismos e todos nós seremos superficiais, uns homens máquinas de cérebros pequenos, pois já não mais a usaremos. Tudo estará pronta para ser usada num mundo totalmente "fastfood" e o coração apenas mais um órgão musculoso a bombear sangue para outras partes do corpo, e pra aqueles que disso duvidam ainda um olhar de arrogância nos mostram e deixam o seguinte aviso: quem viver verá!

 

 

Entretanto alguns outros homens, e eu quero estar entre esses, tem uma visão otimista e acreditam num mundo melhor em todos os sentidos, que teremos novas formas de aprendizado, que tentaremos viver de uma forma mais transparente onde ninguém poderá se dar a luxuria de suas hipocrisias e falsidades. Viveremos num mundo de probabilidades e possibilidades, não de certezas, aliás, certeza será uma coisa extirpada do vocabulário e onde as coisas terão que ser sempre pensadas e repensadas a todo o momento, dando assim fim ao absolutismo.

 

 

Teremos de ir vivendo questionando todas as coisas e assim criando novas possibilidades, que serão modificadas surgindo outras de novas probabilidades através das ferramentas cada vez mais aperfeiçoadas e de fácil acesso. Um mundo onde todos os nossos sentidos, os sentimentos, as dúvidas terão necessariamente que ser equacionadas a todo instante, dentro de um imenso módulo de compartilhamento e onde todos terão de participar. Ficar em cima do muro, nem pensar.

 

 

De outro lado não deixaremos de sermos tão diferentes do que somos atualmente, logicamente que as possibilidades aumentarão e isso não é uma coisa tão espantosa assim, pois desde que o mundo é mundo estamos a procura e utilizamos as ferramentas de novas tecnologias para realizarmos melhor as nossas necessidades. Usar uma flecha para caçar um animal pra sua alimentação, não é muito diferente de utilizarmos as novas técnicas para o aumento da produção alimentícia. Continua a ser apenas mais um instrumento e uma ferramenta a serviço do homem.

 

 

Por detrás de toda essa tecnologia ou instrumentação sempre estará o homem com suas vaidades, suas angústias, seus medos e toda gama de sentimentos que passados séculos e séculos permanecem praticamente as mesmas. Sócrates e Platão continuam tão atuais quanto os pensamentos de Steve Jobs, Bill Gates ou Mark Zuckerberg. Todos eles continuam a praticamente discutir a mesma coisa e a chegada de apenas novas instrumentações ou ferramentas não vai mudar nada disso, apenas aumentarão as probabilidades e possibilidades.

 

 

Dentro dessa utopia da qual não tenho nenhuma certeza ou pressentimento, mas apenas palavra vazia a oferecer gostaria de lembrar pelo menos, de um belo pensamento que certo dia eu assisti no programa da Marília Gabriela na televisão, com o entrevistado Silvio Meira, um grande pesquisador brasileiro da área de Engenharia de Software, que disse: "Todos nós deveríamos nos preparar para o futuro aprendendo coisas que ainda não sabemos, desaprendendo coisas que sabemos e que não queremos mais saber, porque de certa maneira são inúteis, e reaprendendo coisas que já sabemos e que voltaram a ser conhecido"

 

 

Duvido que o homem melhore ou piore com a chegada das novas e melhores ferramentas, apenas vestiremos novas roupas, usaremos novos penteados, cheiraremos e falaremos de outros modos, mas no fundo sempre seremos a mesma coisa em sua essência, um macaco tentando evoluir-se. Mas, por outro lado, pode ser também, que o mundo idealizado por John Lennon em sua canção "Imagine" talvez esteja próximo de sua concretização, uma quimera a tornar-se realidade.

 

Imagine - John Lennon

 

Imagine que não há paraíso

É fácil se você tentar

Nenhum inferno abaixo de nós

Acima de nós apenas o céu

Imagine todas as pessoas

Vivendo para o hoje

 

Imagine não existir países

Não é difícil de fazê-lo

Nada pelo que lutar ou morrer

E nenhuma religião também

Imagine todas as pessoas

Vivendo a vida em paz

 

Você pode dizer

Que eu sou um sonhador

Mas eu não sou o único

Eu tenho a esperança de que um dia

você se juntará a nós

E o mundo será como um só

 

Imagine não existir posses

Me pergunto se você consegue

Sem necessidade de ganância ou fome

Uma irmandade de homens

Compartilhando todo o mundo

 

Você pode dizer

Que sou um sonhador

Mas eu não o único

Eu tenho a esperança de que um dia

Você se juntará a nós

E o mundo viverá como um só

 

 

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