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Esse Admirável Mundo Novo


 

 

Toda vez que eu penso ou imagino sobre o admirável mundo novo que parece estar batendo a nossa porta, não sei por que me vem à mente a palavra “inevitável”, que segundo o pai dos burros, tem como sinônimo fatal, infalível, irremissível, aquilo que não se pode evitar, o que fatalmente acontecerá. A impressão que me passa é que diante das rápidas mudanças que vem acontecendo no mundo ou das coisas que estão a nossa volta atualmente, é que nada podemos fazer, alterar ou tentar buscar novas soluções, parecendo-me que o destino das coisas já estão seladas deixando-me inerte e sem rumo.

 

 

Ao sentir tudo isso penso que todas os alertas quanto ao aquecimento global, as nossas florestas, rios e tudo aquilo que a natureza nos ofereceu acabará “inevitavelmente” virando cinzas ou apenas uma velha foto amarelada no fundo de alguma gaveta, e nem mesmo todos os gritos de seus defensores nada significará diante do “inevitável”. Naturalmente que pensar assim não é nada agradável e até promíscuo, mas tudo indica que as mudanças que vem por ai deverão mesmo acontecer, é claro que nem tudo será desastroso ou catastrófico,e nem um mar de rosas como queremos imaginar.

 

 

O mundo passará a conviver com os novos problemas que nem sequer temos noção do que ela realmente é, pois o tempo está passando tão rápido, que pensar já está se tornando um artigo de luxo, sendo que o razoável é simplesmente aceitar, aceitar e aceitar, sem pestanejar. Talvez tudo isso seja fruto de uma política mal aplicada por nós mesmos, pois deixamos cada vez mais de pensar, aceitamos passivamente tudo, questionamos quase nada, estamos mais preocupados com a ação, com o fazer, o dia-a-dia, e onde o pensamento é apenas mais uma questão filosófica, coisa para falarmos quando não temos mais nada de útil pra dizer.

 

 

Estamos atravessando uma época muito estranha, talvez a primeira desde a evolução da humanidade que não mais sabemos o que fazer, o que dizer, o que pensar, o que sonhar ou lutar. Tudo parece certo e ao mesmo tempo errado, temos liberdade, mas não sabemos o que fazer com ela e até podemos comprar coisas que nem mesmo precisamos enquanto falta para outros, e assim por diante. A tecnologia, mais do que nunca, aparece como um porta-voz das nossas consciências, outrora função talvez ou provavelmente desempenhada pelas artes, que conduziam os nossos destinos.

 

 

Certa vez um professor me disse que a melhor definição de arte que ele podia me dar era que, arte é tudo aquilo que a nossa inconsciência nos dita sobre aquilo que sonhamos ou desejamos. Através da arte, o homem manifesta suas verdadeiras vontades, apresenta-nos seus sonhos e suas esperanças, ou seja, e por intermédio dela que todas as nossas mais puras das vontades mostra a sua verdadeira cara, um espelho de nossa alma, o sonho.

 

 

Também alguns autores em psicologia, por exemplo, mencionam a necessidade de dormirmos um pouco mais para podermos entrar em contato com o nosso inconsciente, que tem como algumas de suas benesses a capacidade de nos fornecer algumas respostas na resolução das soluções do dia-a-dia, ou iluminar algum novo caminho e quem sabe assim fazer melhor as nossas escolhas. Agora, isso também não é desculpa para ficar na cama até mais tarde. Acontece, porém, que as regras atuais são outras, quem dorme fica no caminho, alerta sempre, rapidez e competição. Crianças já nascem adultas, os adultos querem virar novamente adolescentes e os velhos não querem mais morrer.

 

 

A infância está morrendo, pois acredite ou não, ela é uma invenção do homem. Nos anos anteriores ao século XX, a criança era vista apenas como um adulto pequeno, e assim que ele conseguia caminhar por suas pernas ele era jogada a sua própria sorte em busca de sua própria sobrevivência. Na época mais recente, o homem criou a infância e permitiu ao adulto pequeno brincar, imaginar e sonhar. O homem sábio e dorminhoco permitiu ao pequenino ter sua infância, infância essa que parece que a tecnologia está novamente tomando-o dele.

 

 

Crianças querem ser adultas logo, falam como adultos, agem como adultos, só não respondem pelos seus atos como adultos. Pais não querem ser mais pais, somente amigo de seus filhos, o melhor amigo que ele possa ter, não dando ao pequeno o direito de fazer a sua própria escolha. O único problema é que o pequeno precisa da identidade do pai e da mãe, dos tios, dos avós e até dos vizinhos, por pior que tudo isso seja. Amigos ele mesmo tem a capacidade de escolher e aquele que melhor lhe convier. Todos só querem ser amigos e as funções antes exercidas pelos adultos são entregues agora as entidades como as escolas e aos psiquiatras, que nada podem fazer, pois não nasceram para fins paternais.

 

 

Com tudo isso a acontecer, somente consigo pensar na palavra que vem sempre a minha mente “inevitável”, o que será, será, e está acabado. Microsoft, Google, Facebook, Twiter, outrora vista como a fonte libertadora das nossas mais profundas consciências, agora já são vistas por diversos autores como vilões, os imperialistas, os ditadores da nossa mente e das nossas vidas. Até onde isso está certo ou errado eu não sei, aliás, hoje eu nada mais sei, apenas como, durmo, faço... respiro.

 

 

Dentro desse admirável mundo novo que nos aguarda espero ainda acreditar na utopia do pensamento, como a única forma de escolhermos aquilo que queremos ou sonhamos, não simplesmente pela imposição tecnológica, dos modismos ou indo pra onde todos querem caminhar sem mesmo questionar, para o “inevitável”.

 

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