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Lampejos


 

 

Não sou um filósofo, poeta, cantor e também nenhum literato, sou apenas talvez um blefador, um especulador que vive vasculhando as entranhas da vida, dos outros evidentemente, já que se considera o melhor de todos e isento de qualquer coisa desprezível, coisas essas naturalmente que somente os outros têm, eu jamé, é claro. E foi assim pensando, que numa noite chuvosa cheguei a diversos questionamentos sobre a vida do homem sobre a Terra e o porquê de sua existência e cheguei à conclusão que ele é apenas um acidente da natureza ou talvez uma “cochilada” de Deus.

 

 

Na verdade eu não passo de apenas mais um pertencente a essa gama de seres vivos existentes neste planeta e também conhecida como seres humanos, ou seja, nada mais do que um espermatozoide que certo dia ganhou uma corrida, durante uma brincadeira na cama entre duas pessoas de diferentes sexos, quando fui involuntariamente jogado para dentro de um longo canal, onde todos diziam que no fim dela havia uma coisa deliciosa, por isso todos estavam a correr desesperadamente em sua direção, pois somente ao vencedor caberia a honra de desfrutar da tal gostosura, e somente lá chegando que você descobre que tudo isso não passou de uma grande mentira e assim você aprende a sua primeira lição, que a vida começa por uma mera tapeação, uma fofoca de muitos outros espermatozoides a correr atrás de uma coisa que ele nem sabe dizer o que realmente é.

 

 

Assim sendo, Eu o mais egoísta e ganancioso dos espermatozoides cheguei naquela grande bola e Eu o único a encontrar a porta sorteada, por onde Eu entrei e foi onde todo o pesadelo teve início. Pouco tempo lá dentro dessa grande bola, sozinho, o meu corpo começou a transformar-se rapidamente e completamente e logo em seguida me transformei numa imensa massa de carne, provida de braços, pernas, boca e diversas outras coisas que ainda não tinha a menor ideia de sua utilidade.

 

 

Sinceramente esse foi o melhor momento de minha vida, apesar de muitos dizerem que é a infância, mas isso é um grande engano, pois a melhor fase de sua vida é a intrauterina, onde você não precisa trabalhar e ainda mora de graça, tem comida na hora que bem entender, não precisa sequer respirar e passa o dia inteiro numa imensa piscina aquecida, sem ter que pagar pela sua manutenção ou ser sócio do clube. Quer coisa melhor que isso?

 

 

Lá permaneci por alguns deliciosos meses até que certo dia alguma coisa aconteceu com o sistema de tubulação e toda a água da piscina começou a sair pelo ralo e assim fui enxotado do meu paraíso naquele turbilhão, e logo ao chegar do lado de fora comecei as minhas primeiras descobertas deste mundo hostil, quando um sujeito muito mal encarado, vestido de jaleco começou esbofetear-me violentamente a minha bunda e eu naturalmente em sinal protesto gritei com todas as forças que consegui naquele momento.

 

 

Neste instante, as duras penas, descobri uma grande lição fora do paraíso, de que a felicidade não dura para sempre e que você começa a vida já sendo violentamente hostilizado. Poucas horas depois você começa a dar conta em que fria se meteu quando pela primeira vez começa a ver caras monstruosas a sua frente, ora te chupando as suas bochechas, ora fazendo caretas idiotas, ou então a falar baboseiras do tipo dadá gugú, como se eu fosse um imbecil qualquer.

 

 

E o pior disso tudo é que todos esses idiotas também já passaram por aquilo que estou passando, mas parece que se esquecem e quanto mais o tempo passa vão apagando de sua memória a suas lembranças do passado, até o dia em que ficam completamente gagás. Agora neste mundo absurdo tenho com conviver com uma porção de sujeitos esquisitos, brigar pela minha comida, tenho que fazer coco e tenho frio e calor, e de vez em quando solto um gás muito fedido, por um buraco nos meus fundilhos.

 

 

Não sei por que grande parte das pessoas vive enfatizando que a infância é o melhor ano de nossas vidas, nunca vi tamanha imbecilidade. Eu diria exatamente o contrário, que são os piores anos de nossas vidas, pois é quando começamos a passar pelos nossos maiores apuros. Descobrimos muitas coisas não agradáveis, que chutar a parede provoca muita dor, que não posso comer aquilo que todos estão comendo na mesa, que preciso ficar tomando essa porcaria de mamadeira e logo descubro, após certo tempo que até o leite delicioso, vindo especialmente da fonte pra mim, já não tenho mais direito e assim começam a me encher com todas aquelas porcarias constituídas de água, celulose cheias de agrotóxicos e resto de cadáveres de outros seres vivos, assim como eu, e que eles chamam de carne ou de proteínas.

 

 

Também me fazem engolir coisas esquisitas que, geralmente vem voando em forma de aviãozinho até chegar a minha boca, até me deixarem completamente viciado naquele treco chamada de comida e assim sendo nunca mais conseguindo me libertar daquilo pelo resto da minha existência. É na infância também que descubro as piores coisas do mundo, que não posso comer sozinho todo aquele bolo gostoso, somente um pedaço, que não posso chupar todas as balas gostosas que eu vejo, somente uma ou duas, que o chocolate tem que ser dividido com todos e assim por diante.

 

 

Para nos tapear nos compram um montão daquilo que eles chamam de brinquedos, que é na verdade uma prévia daquilo que eu terei que enfrentar mais tarde quando adulto, ou seja, a infância é apenas uma preparação, um vestibular para a vida adulta, e isso não faz da infância a melhor parte de nossas vidas e com o passar do tempo me passam a ideia que o melhor ainda está por vir, o que nunca acontece. Passamos a vida inteira a correr atrás dessa conversa fiada e por fim morremos depois de tanto sacrifício e descobrir que tudo aquilo foi um grande engodo.

 

 

Mais tarde chega aquela chamada fase escolar, coisa que apenas os seres humanos passam. Os outros mamíferos como nós vão caçar junto com a mãe, aprendem a pescar, buscar frutinhas gostosas e outras coisas pelos exemplos que eles passam, mas nós os humanos vamos para as tais escolas aprender a ganhar dinheiro, a ser alguém na vida como se isso representasse alguma coisa, a sermos melhores do que os outros, e dependendo do lugar que você esteja até ser esperto e levar vantagem em tudo. Essa é a grande lição que aprendemos nas tais escolas, também aprendemos a ler as besteiras escritas por outras pessoas e a escrever as nossas bobagens, difundindo e perpetuando assim a nossa imbecilidade pelo resto de nossos tempos.

 

 

É nesta fase que aprendemos as piores coisas de nossas vidas e que carregamos para o resto de nossa existência. Aprendemos, por exemplo, que certas palavras existem apenas como fantasias, sonhos ou pesadelos, e que muitas delas não tem seu sentido próprio, mas geralmente dizem o contrário do que pronunciamos, ou seja, gentileza significa esperteza, bondade significa puxar o saco, honestidade ser trouxa, virtude significa aquilo que somente eu tenho e os outros não, e assim por diante.

 

 

Aos poucos vamos aprendendo nestas tais escolas que tudo aquilo que nos falam é pura balela, que tudo aquilo que lá falam não encontramos em nossas casas, tais como harmonia, paz e felicidade, ao invés disso, somente tapas e beijos. Logo você descobre que os seres humanos são diferentes de outras espécies que ensinam seus filhos através de exemplos, os humanos somente através das palavras ocas e sem sentido, ou seja, dizem uma coisa e fazem coisas completamente diferentes. E assim com o passar dos anos nós vamos ficando cada vez mais com os nossos pensamentos afiados, passamos a justificar todos os nossos atos e achar que somos o topo da cadeia animal, quando não passamos de simples engano da natureza, um espermatozoide que correu mais que os outros.

 

 

Na escola também passamos a acreditar em diversas coisas inacreditáveis, que somos felizes, que vivemos em paz com a nossa consciência, que somos sinceros e bondosos, coisas que geralmente somente descobrimos que tudo é falso quase perto do fim dos nossos dias, que tudo isso não passou de palavras que foram enfiadas em nossos pensamentos, talvez não por maldade, mas pela total incapacidade que os seres humanos têm de compreenderem a si próprios, uma máquina mortífera.

 

 

Depois de mais alguns anos chegamos à idade chamada de adolescência, quando ocorre uma verdadeira mudança em nossos corpos, pensamentos e vontades. É o momento mais próximo da nossa vida pouco antes da uterina, quando éramos óvulos e espermatozoides, o momento da continuação da espécie, da repetição de todo o drama desta vida. Os machos da espécie humana ficam com seus hormônios a flor da pele e a única coisa que ele consegue se concentrar é na fornicação, onde o macho da espécie mostra o seu verdadeiro instinto, o de violentador, o de estuprador.

 

 

No reino animal principalmente dos mamíferos é o momento que o macho através de sua agressividade passa a violentar a fêmea e nos seres humanos a coisa não é muito diferente disso. A única diferença é que no mundo humano as fêmeas, que nasceram melhores desenvolvidas mentalmente, aprenderam com o passar dos anos a lidar com essa violência machista e passou a impor-lhes certas condições para a sua entrega, ou seja, deixa o macho pensar que conseguiu com sua perspicácia comer a mulher, mas não é verdade, é a mulher que deixou e isso tem um preço, a servidão masculina.

 

 

É através do sexo que a mulher domina os homens em todos os sentidos, e é durante a época da adolescência que tanto o macho como a fêmea descobre os seus aparelhos genitais e também que ela não serve somente para fazer xixi, mas também os prazeres carnais que elas proporcionam tanto para um como para outro, só que com intenções diferentes. No homem apenas por vaidade pessoal e a mulher por inteligência, mas de qualquer forma sempre será um ato violento por parte do homem em relação a elas, e é por isso que as mulheres sempre ficarão com um pé atrás para com eles, guardando uma mágoa pelo resto de suas vidas.

 

 

A única coisa que faz com que a mulher não se livre do incomodo homem é porque o sexo simplesmente vicia, se torna uma esquizofrenia, uma doença incurável, daí ela ficar eternamente a manter o macho perto de si, pois ele serve apenas para isso, manter a continuação da espécie. Se isso fosse mentira a mulher já teria a tempos se livrado da espécie macho, pois ela é a única a conseguir sobreviver sozinha. Se não acreditas observe quando o homem fica viúvo, ele fica simplesmente imprestável, um caco, enquanto a mulher remoça, volta a ter vaidade, começa a aprender novas coisas, sua vida torna-se mais alegre. Para o homem a mulher é uma necessidade, a sua sobrevivência, mas para mulher o homem é apenas um incômodo da qual ela não consegue se livrar espontaneamente.

 

 

É nessa fase de adolescente que o homem descobre que não basta apenas ter um bom pingolim, mas também uma série de outros atributos como um bom papo, charme, perspicácia e outras coisas senão o pirulito nada vale, um instrumento apenas para fazer xixi. Por outro lado o descobrimento da vagina pela mulher tem outro significado, o do Poder, descobre que é através desta pequena parte do corpo que ela pode controlar o macho, que pensa que sabe tudo, mas no fundo é apenas um pobre coitado a mercê do encantamento feminino.

 

 

Aos poucos ela vai descobrindo que é através daquela minúscula parte do corpo que pode controlar o mais valente e atrevido dos homens, que nada mais sabe fazer na vida do que pensar naquilo. O homem quer ser rico para ter todas as mulheres que quiser, pelo menos assim dessa forma ele imagina que conseguirá dando tudo para elas e conseguir o que quer, entretanto para a mulher a riqueza tem outros valores, por isso mesmo não gasta seu precioso dinheiro correndo atrás de nenhum homem, mas sim fazendo com que eles corram desesperadamente atrás delas.

 

 

A idade vai avançando e a espécie humana chega ao seu apogeu, também chamada de fase adulta, onde dizem que ele chegou a sua plenitude, ao seu juízo, e é quando ele faz as piores burrices e burradas de sua vida. Ficam doidos para casar e entram nessa instituição falida a mais de 20 séculos, repetindo os mesmos erros de geração em geração, sempre tentando consertar aquilo que nunca dará certo. Todos pensam que o homem e a mulher casam por livre e espontânea vontade, mas isso tem certo exagero e isso acontece somente de uns tempos para cá, quando o homem e a mulher conquistaram mais liberdades.

 

 

Em tempos passados todos os filhos já eram previamente preparados pelos pais para o matrimônio e para repetirem os mesmos erros eles também cometeram. Era quase que uma vingança, tudo que ele passou tinha que ser transmitida aos outros como uma desculpa de conhecimento e experiência, mas no fundo era apenas uma tirania. Mais de 2000 anos se passaram e o homem, independente de sua fé ou religião, ainda não encontrou uma fórmula menos dolorida de prejudicarem a si próprios.

 

 

Entram naquilo que se chama de casamento, mesmo sabendo previamente que logo tudo vai virar um angu sem caroço. O casamento começa sempre com uma taça de vinho que ao longo do tempo vai azedando, azedando até virar vinagre. Todos conhecem a história e todos cometem sempre o mesmo engano achando que com ele vai ser diferente e não é, mas dizem que toda regra tem sua exceção e de vez em quando em algum lugar do planeta surge um que dá certo, e assim acaba contaminando o resto da humanidade, que neles se espelham e começam a achar que com eles também vai ser a mesma coisa, mas logo descobrem a verdade, que o casamento é apenas uma ilusão social, um acordo judicial, uma sociedade entre dois sócios e seus empregados, seus filhos.

 

 

Raros são as pessoas que se juntam nesses laços e descobrem com o passar do tempo que se tornaram bons amigos, o melhor dos amigos, ao invés disso começam a travar verdadeiras batalhas judiciais para se livrarem da melhor possível do incômodo. Nesses quase vinte séculos de casamento, poucos foram os pensadores a tratar o caso seriamente e por isso essa instituição permanece quase que inalterada durante todo esse tempo e toda vez que alguém surge com um novo tipo de relacionamento, ele é rapidamente rechaçado e banido da sociedade, pois ninguém aguenta ver o outro feliz. A felicidade alheia incomoda a gente, quanto mais ele estiver na pior, significa que eu estou melhor, portanto assim somos felizes e os outros não sabem o que fazem.

 

 

Nessa fase adulta o homem e a mulher se casam, tem uma porção de filhos, sem pensar na encrenca que estão arrumando para suas próprias vidas, começam a trabalhar como doidos para manter a burrice feita, pois uma vez acontecido não tem mais remédio, não tem como devolver o produto, mesmo que estragado e assim iniciam a preparação deles para que sejam a sua imagem ou daquilo que eles imaginam que são, ou seja, tão belos e perfeitos.

 

 

Os pais de hoje, além disso, encasquetou na cabeça que os filhos deverão ter tudo aquilo que eles não tiveram quando crianças, e assim enchem rapidamente dos mais belos prazeres como ter um bom brinquedo, roupas de marca e quem sabe até um belo carro, para eles não passarem por tudo aquilo que eles passaram. Mas como eles podem dizer isso, pois se a maioria deles próprios afirma de pé junto que a sua infância foram as melhores coisas de suas vidas. Tem alguma coisa que não bate nessa história.

 

 

Para manter todo esse conforto aos filhos, trabalham, trabalham e trabalham até não puderem mais, pois toda essa luxúria tem um preço e alguém terá de pagar por elas, mas esse é o papel dos pais, assim eles pensam e agem, e esquece-se de diversas outras coisas como permanecerem mais próximos aos seus filhos e de dar carinho sincero e principalmente educação e prepará-los para a vida. Ao invés disso, e como troca a tudo aquilo que eles fazem por eles, querem a fidelidade deles, afinal é uma troca justa, dou um computador ou um carro e mereço sua lealdade para comigo. Educação é papel da escola, é pra isso que eu pago meus impostos ou então as mensalidades escolares, assim muitos pensam.

 

 

A vida continua e aos poucos a idade vai avançando e o pobre coitado não vendo lá na frente tudo aquilo que lhe foi ensinado, de que a felicidade tarda, mas não falha e assim aos poucos ele vai se decepcionando com tudo aquilo que lhe foi ensinado pelos diversos livros que leu, pelo convívio com outras pessoas e pelas suas próprias experiências. A vida começa perder o seu sabor, as doenças começam a tomar conta de seu corpo já degenerado pelo tempo e uso, e a sua aposentadoria é apenas pura licença poética.

 

 

Muitos dizem que ser idoso é a chegar à sabedoria, mas poucos são aqueles que realmente passam pela vida e aprendem alguma coisa que preste. Muitos e muitos se tornam pessoas ranzinzas, mal humoradas e a reclamar de tudo e de todos, e continuam a cometer as mesmas burrices que fez por toda sua vida. Porém, também existem muitas pessoas que chegam à sabedoria sem necessariamente se tornarem idosos, simplesmente observando e refletindo o seu caminhar pela vida e não somente questionando coisas alheias. Por fim, após muitos anos de luta e labuta ele chega finalmente a triste conclusão que mais nada nesta vida a não ser entregar os pontos e jogar a toalha, e assim como recompensa ganha a sua cota na eternidade.

 

 

Conclusão: acredito que é uma grande fraude afirmarmos que a infância é a melhor parte de nossas vidas, só porque é a única que conhecemos e que não faz parte do presente momento, do agora que é tudo uma merda e o futuro que ninguém sabe como vai ser. Na verdade a melhor parte de nossa vida é a intrauterina, o resto é apenas uma forma que encontramos para justificar a tal da felicidade, que nada mais é do certos lampejos em nossas vidas, o resto é apenas sofrimento ou passar pela vida sem nexo e sem destino. Ninguém passa o tempo todo sendo feliz, generoso, bondoso e até maldoso ou sem-vergonha, todos nós apenas vamos tocando a vida da melhor maneira que pudermos na esperança de um dia melhor, que naturalmente nunca chega.

 

 

Isso não é pessimismo, mas sim uma realidade que não gostamos de ver e preferimos acreditar que somos lindos, maravilhosos, felizes, bondosos e cheios de virtudes, enfim coisas que estamos longe de ainda atingirmos. Se o homem vai dar certo ou não, ninguém sabe, pois seu caminho está apenas sendo traçado, apesar disso certas coisas já dá pra gente começar a desconfiar que, quem quer que tenha nos criado cometeu algum engano em sua fórmula ou talvez foi um jeito que natureza encontrou de dizer que nada é perfeito, até mesmo ele, e assim gerou a exceção, o homem.

 

 

Texto - Pesquisa - Criação = Osamu Nakagawa

 


 

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