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Luz e Sombra


 

 

Há milhares de anos atrás, Deus deixou sua marca nas rochas através das mãos dos homens das cavernas com a intenção de que mais tarde, através dos séculos o ser pensante pudesse finalmente compreender quem realmente ele é e entender de vez, que ele, Deus, não é tão poderoso assim como dizem, pois quem tem a sabedoria não precisa desse poder. O Hulk provavelmente é bem mais forte e poderoso que ele, sem falar naturalmente no Superman, pois esse é indestrutível.

 

 

Deus passou aos homens das cavernas a noção de luz e sombra, que é à base de todo o pensamento do universo. É através da luz e sombra que podemos definir toda e qualquer coisa existente em qualquer lugar. É mediante as suas intensidades é que podemos definir as suas várias modalidades. Quando desenhamos qualquer coisa é através da luz e sombra que damos o seu significado.

 

 

Se carregarmos na luz ou diminuirmos a sombra podemos fazer com o objeto desenhado possa adquirir a capacidade de parecer belo, feio, romântico e até horripilante. É a sua intensidade, o seu contraste que determina o belo e o feio, o bom e o ruim, o positivo e o negativo, e assim por diante, ou seja, luz e sombra é a essência de todas as coisas. Nós seres pensantes precisamos da noção de luz e sombra, sem a qual não podemos existir.

 

 

Luz e sombra podem também ser traduzidas como certo e errado, ético e antiético, baixo e alto, feio e bonito, grosso e fino, enfim é um desequilíbrio que existe entre um lado e outro. Quando nós ou alguma coisa interferir na luz e sombra podemos dizer que seu equilíbrio foi modificado e isso é que faz com que tenhamos noção das coisas. Enquanto a luz e sombra estiverem em perfeita harmonia, equilibrada, ela simplesmente não faz sentido pra nós, pois assim é Deus.

 

 

Somente quando ocorre uma interferência nela é que começam os significados. A luz e sombra em equilíbrio perfeito é apenas uma tese, uma teoria impossível de ser compreendida, somente a hora em que colocamos nossos dedos nela é que ela passa a fazer parte do universo. Se não cutucarmos o universo ela não existe. Se não cutucarmos os nossos pensamentos ela não existe. Se não cutucarmos o outro ser ele simplesmente não existe.

 

 

Portanto, existir significa interferir com a luz e sombra, ou seja, cutucar Deus. Se ele não desejasse que assim o fizéssemos, jamais nos teria dado o dom do pensamento, e pelo menos por enquanto e até que surjam os extraterrestes com as mesmas capacidades, nós seres humanos podemos nos considerar como os únicos a recebemos essa permissão de Deus. E foi assim pensando que provavelmente nasceram as religiões, ou seja, uma maneira que o homem encontrou para cutucar Deus com as suas contradições, uma forma de mexer com o equilíbrio da luz e sombra.

 

 

Muitos acreditam que pensar em Deus é religião, mas nada tem a ver, pois ele é somente luz e sombra em estado de perfeito equilíbrio, portanto ser ateu ou agnóstico é pura falta do que fazer. Além disso, Deus não está nem aí com tudo isso e permite inclusive ser questionado pela sua própria criação, aceitando críticas e elogios, e até ser ignorado. A única coisa que ele jamais permite é que estejamos sem ele, porque nós somos ele e ele é nós. Não há como separar um do outro, nem como livrar um do outro.

 

 

Quando alguém ou alguma coisa morre temos a impressão que a luz e sombra se apagaram, portanto o cordão umbilical com Deus acabou, que o contrato com ele findou-se, mas não é nada disso, apenas retornamos a ele em sua essência. É um círculo sem fim, morremos e nos tornamos deuses, e depois voltamos em forma de luz e sombra novamente. Este círculo nunca se quebra e tudo isso está representado nas pinturas das cavernas com apenas luz e sombra.

 

 

Por isso mesmo a ideia de fim de Deus ou ele não existir é inconcebível, pois é o mesmo que pensarmos no fim do universo, onde tudo se transformará no nada, e o nada é uma ideia totalmente inaceitável para nós, já que em nosso mundo, no nosso universo não existe o nada. Aliás, pelo contrário, visto que o nada significa uma porção de coisas, é impossível ser nada, pois ele é sempre algo. Quando o buraco negro absorver todo o universo o que sobrará, o nada ou ele apenas nos levará para o outro lado que ainda não conhecemos?

 

 

Evidentemente que eu não tenho a menor ideia e também por outro lado temos tempo de sobra para questionarmos isso até o final dos tempos, e assim provavelmente o homem continuará em seu eterno pensamento sobre ele. Portanto, falar de Deus é no mínimo um sinônimo de liberdade, e o dia em que formos impedidos disso, certamente não será um bom dia e estaremos em maus lençóis. E nesse instante já não mais será a hora de falarmos dele, mas sim de recorrermos a ele, como muita gente já anda assim fazendo.

 

 

Quando Deus nos concedeu o poder de questionar sobre todas as coisas, inclusive sobre ele próprio, também fez com que todos nós nos tornássemos seres extremamente perigosos aos pensamentos alheios, até a ideia dele. Perigoso porque quando passo a pensar e questionar começo a colocar as suas ideias em conflito com as minhas e isso passa a incomodar muita gente, principalmente a qualquer autoritário.

 

 

Neste sentido podemos até dizer que pensar, refletir e questionar é o melhor instrumento para sermos homens livres. O único problema é que ele tem um custo e uma consequência, e diante disso, muitos simplesmente preferem ser politicamente correto, pois é mais seguro, e aqueles que assim agem estão muito próximos a cometer o seu maior engano.

 

 

Outro dia na televisão uma grande discussão se fez. Debateram se Jesus voltaria a ser crucificado se reaparecesse nos dias de hoje, e dentre as muitas opiniões, uma em especial acabou chamando a minha atenção, quando um deles disse que se ele voltasse hoje fatalmente acabaria degolado por nossas mãos. Mas, não por sermos seres ruins ou sujeitos maldosos por natureza, porém pela figura polêmica que Jesus representa, ou seja, um filho de Deus capaz de pensar, refletir e questionar.

 

 

Assim sendo, provavelmente incomodaria não somente a igreja e os religiosos, mas sim a todos nós, pois cutucaria a vida de todos, diria coisas que não gostaríamos de ouvir a ponto de não mais o suportarmos. Tornar-se-ia extremamente perigoso, a incomodar a todos nós já cômodos em nossas próprias verdades, uma ameaça as convicções alheias e as nossas. É isso que a arte também faz, incomoda os outros. Um filósofo que não incomoda ninguém é apenas um palestrante, um bufão, porém cuidado pra não confundir incomodar com agredir.

 

 

Naturalmente que toda essa discussão sobre Deus é mera casualidade, é apenas mais um livre pensar, um questionamento que nada tem a ver em chegarmos a uma verdade ou tentar-se acreditar numa outra possibilidade. Na realidade toda essa falação sobre Deus é apenas uma desculpa pra começarmos a pensar, refletir, questionar, já que isso se tornou uma coisa primordial nos dias de hoje, com o desenvolvimento de novas tecnologias como os computadores, os celulares, a Internet e toda sua gama de ferramentas.

 

 

Um mundo novo onde todo o conteúdo estará cada vez mais disponibilizado pela rede e significando que ela não está correta nem errada. Apenas lá estará e caberá a cada um dos navegantes a determinar a sua aceitabilidade ou não. O mundo das verdades e mentiras, do certo e errado já é coisa do século passado. No mundo atual o homem terá que aprender a distinguir por si só aquilo que lhe convêm, portanto quanto maior for sua capacidade de pensar, refletir, questionar, maior será o ponto que determinará seu sucesso ou fracasso.

 

 

Para tanto é necessário também aceitarmos a ideia da discordância. Discordar é amar outra pessoa, mas cuidado com aquele que discorda de tudo e a toda hora, pois esse não passa de um chato de galocha, um imbecil. Também devemos fugir daquele que sempre concorda conosco, aquele que chora facilmente, aquele que vive pedindo desculpa a todo o momento. Discordar não é simplesmente contrariar, mas sim fazer o outro despertar.

 

 

Um bom amigo discorda do outro, não para contrariá-lo, mas sim porque ele quer bem a esse amigo. Ele apenas deseja despertar seu amigo pra aquilo que ele não está conseguindo enxergar, mas cuidado pra não confundir discordar com criticar. Criticar é apontar coisas nas outras pessoas das quais não somos capazes de fazer, mas cobramos dele essa capacidade que nos falta, como gostaríamos que assim fosse como lembra o professor e filósofo Mario Sergio Cortella.

 

 

Pensar, refletir, questionar tampouco significa duvidar, ela está mais no campo do esclarecimento, em tornar as questões abertas, em obtermos uma melhor compreensão, e por ai afora, enquanto que duvidar está diretamente ligada a não admitir, não acreditar, não confiar, suspeitar. Por tudo isso, penso que deve ser por isso que Deus nos permitiu todas essas incômodas capacidades, a de ousar até diante dele, a de tornarmos extremamente conflitantes a nós mesmos, e durma-se com um barulho desses.

 

 

Texto - Pesquisa - Criação = Osamu Nakagawa

 


 

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