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Maria


 

 

Maria ainda era uma criança quando seus pais morreram num grande incêndio num canavial, filha única de Sebastião e Josefina, dois cortadores de cana da região de Piracicaba, interior paulista. Maria foi levada e criada pela tia Neusa, viúva, irmã de Sebastião, juntamente com seus seis filhos. Como Maria era a mais velha de todas, ajudou suas primas e primos a crescerem e se tornarem pessoas de bem.

 

 

Maria também cresceu e se tornou moça, aliás, uma bela moça e certo dia Maria cruzou com Pedro e assim um amor entre eles nasceu. Começaram a namorar e dois anos depois já estavam casados e morando numa pequena casinha que Pedro mesmo construiu. Pedro era pedreiro e todo o resto das construções que em que ele trabalhava, ele ganhava e trazia para a sua casa e assim aos poucos ia fazendo as melhorias.

 

Bala Perdida - Silvia Godoy

 

Um tempo depois chegou Luiza e depois João e a alegria reinou naquele lar por alguns anos, até que certo dia Pedro adoeceu e pouco tempo depois faleceu. Maria continuou seu trabalho de faxineira e a cuidar dos seus filhos. Eles cresceram e quando João estava com 15 anos, uma bala perdida acertou seu coração e ele morreu. Maria agarrou a Luiza e os dois choraram por um bom tempo e depois a vida continuou.

 

 

Cinco anos depois, Luiza se apaixonou por Paulo e um tempo depois casaram numa festança daquelas. Maria sentiu a sua família crescer novamente, a alegria retomou seu coração, principalmente ao saber que Luiza estava grávida. Maria começou a costurar as roupinhas do pequeno que logo iria chegar. Nove meses se passaram e tudo correra a mil maravilhas, porém no dia do parto alguma coisa saiu errada e Luiza se foi na mesa de cirurgia, mas a criança vingou.

 

 

Maria ficou amargurada e jurou jamais a amar ninguém, pois todos aqueles a quem ela amara lhe deixara. Paulo morava perto da casa de Maria, mas ela nunca mais foi à casa do genro pra ver o neto que se chamava José. De vez em quando Maria cruzava com o Paulo, eles trocavam olhares, mas ela jamais lhe dirigia a palavra, não sorria, apenas olhava. O mesmo acontecia ao cruzar com seu neto José, nunca um doce ela lhe deu e nunca um sorriso lhe dirigiu, apenas olhava-o sorrateiramente pelos cantos dos olhos e continuava sua caminhada.

 

 

Assim a vida prosseguiu. Paulo, anos depois conheceu Isabel e com ela se casou e eles tiveram mais dois filhos, Tiago e Marcos. Isabel era uma boa moça, sabia do passado de Paulo, a sua história e nunca de Maria cobrou seu desapego a José. Paulo e Isabel aceitavam Maria como ela era e depois da morte da filha nunca mais passou sequer perto da casa de Paulo, assim como também nunca falou ou cumprimentou Isabel. Apenas trocavam olhares.

 

 

O povo da região passou a chamá-la de Maria Sem Coração, de A Fria Maria, aquela que não sabia amar ninguém. Muitos passaram a odiar Maria pela sua frieza diante seu neto, de seu genro e de sua nova família. Maria não tinha mais coração, assim era chamada. Se Maria sofria ou não nunca demonstrou ou comentou nada com ninguém, nem com as suas melhores amigas. Para ela era como se parte de sua família nunca tivesse existido, Maria simplesmente fechou seu coração, mas continuava a ser uma boa pessoa, a sentir a dor alheia e ajudar os outros quando estava ao seu alcance.

 

 

Certo dia, porém, Maria vinha voltando das compras na feira e lá na frente viu o seu neto José a brincar com seus amigos num futebol de rua improvisado. A certa altura quando ela estava bem próxima da garotada, a bola rolou pra bem longe da rua e José apressadamente correu pra apanhá-la. Nesta hora, Maria percebeu que pouco mais adiante da bola um caminhão se aproximava em alta velocidade.

 

 

Maria tentou gritar, mas a voz não saiu. Então, largou a sua sacola e correu para junto de José com a maior velocidade que pode, até que finalmente conseguiu alcançá-lo a tempo de empurrá-lo pra fora da rota do caminhão mas, Maria não teve a mesma sorte e o caminhão apanhou-a em cheio. Maria virou apenas uma poça de sangue esparramada pelo chão, nem sentiu a dor de sua morte.

 

 

Todos do lugarejo começaram a dizer que a morte de Maria foi remorso por não ter dado a devida atenção ao seu neto e essa história assim permanece até os dias de hoje. No entanto, anos depois, Paulo e Isabel levaram os restos mortais de Maria para um terreno no cemitério que ele comprara e lá juntou com a de Pedro, João e Luiza. Até hoje os quatro ali permanecem, e de vez em quando Paulo, Isabel, José e seus dois irmãos vem trazer uma flor e a deixam pra eles. Essa é a história de Maria.

 

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