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Outros - Crônica sobre o Natal


 

 

Nos anos 80 conheci um grupo de amigos, que assim como eu gostavam muito de pintar quadros e desenhar de forma amadora logicamente, mas como a maioria das pessoas havia problemas de espaço para fazer isso, pois muitos moravam em apartamentos ou até mesmo em casas que não disponibilizavam espaço para tal, então resolveram se reunir e alugar um local somente para essa finalidade.

 

 

No começo eram alguns poucos, mas com o passar do tempo foram agregando outras pessoas, até mesmo para customizar e baratear o aluguel e assim o número de pessoas foi aumentando, e numa dessas também lá cheguei a convite de um amigo. O local ficava na rua Cincinato Braga, próximo a Avenida Paulista, no centro nervoso da capital paulistana, num velho casarão que hoje não existe mais, e lá todos nós, uma turma de 25 a 30 pessoas reuníamos de vez em quando para batermos um papo, pintar, fazer festas, enfim o que desse na telha.

 

 

O pessoal que criou o espaço deu o sugestivo nome de Atelier Confraria, afinal todos tínhamos em comum o gosto pelas artes em geral e também não deixava de ser uma confraria de amigos. Justamente no ano em que lá cheguei, no fim do ano, algumas pessoas manifestaram a vontade de passar o Natal por ali mesmo na Confraria, todos nós reunidos, pois isso jamais havia acontecido. Geralmente nessa época, todos se debandavam com seus familiares e amigos para algum lugar, e por isso naquele ano a maioria achou que seria interessante reunirmos o Natal por lá e assim foi resolvido.

 

 

No dia 24 de dezembro daquele ano, que eu não me lembro qual, a maioria das pessoas lá se reuniu, cada um trazendo alguma coisa pra beber e comer, assim como alguns presentes para dar aos amigos. Lá pelas tantas, a festa já estava muito animada, quando um dos nossos amigos chamado Roberto lembrou-se que tinha que fazer algo muito urgente em sua casa, que ele havia esquecido, com a correria daqueles dias.

 

 

Roberto falou sobre o motivo de sua urgência em ir para sua casa e contou-nos que há alguns anos atrás, nesse mesmo dia, lá pelas 22 horas, o telefone da sua casa tocou e ao atender percebeu logo que se tratava de duas crianças, que logicamente haviam ligado para o número errado, pois queriam falar com o tio deles.

 

 

Ao ser indagado pelas crianças de quem estava do outro lado telefone, Roberto sem querer disse para as crianças que era o Papai Noel e elas realmente acreditaram tratar-se dele e assim ficaram a conversar por um bom tempo. Um ano se passou e novamente naquele mesmo dia e naquela mesma hora, o telefone tocou. Ao atender, para a surpresa de Roberto, eram justamente aquelas duas crianças do Natal passado, querendo falar com o Papai Noel novamente, e assim Roberto virou o velho Noel pela segunda vez.

 

 

E, assim vinha acontecendo todos os anos naquele mesmo dia e hora, e isso já fazia uns quatro anos, e por isso ele precisava ir para sua casa para esperar o telefonema das crianças. Assim Roberto foi correndo para sua casa e lá pelas tantas ele retornou a festa novamente. Alguns achavam que o Roberto havia inventado essa história, outros pensavam que ele tinha lido isso em algum lugar.  Se a história que ele nos contou era verdadeira ou não, ninguém nunca soube dizer, mas numa coisa todos nós concordávamos, de que fora a melhor desculpa que havíamos escutado para dar uma escapadinha.

Boas festas e inté o ano que vem.

 

 

 

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