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Novela à Brasileira - Parte 1


 

 

Eu nasci no tempo em que diziam que novela era coisa de marica e homem que é homem assistia futebol e tá acabado! Novelas eram coisas de jovenzinhas deslumbradas ou de donas de casa, que assistiam nas horas vagas entre os seus afazeres domésticos, como se elas tivessem tempo de terem os ditos momentos de lazer.

 

 

Havia tanta coisa a se fazer dentro de casa, que nem em seus devaneios passavam pelas cabeças dos homens como era complicado e difícil cuidar das crianças, preparar o almoço, a janta e ainda deixar a roupa pronta para que ele pudesse ir trabalhar todo cheiroso e engomado no dia seguinte.

 

 

Nos anos 50 aos 70, os homens trabalhavam fora e as mulheres ficavam em casa cuidando do lar e as regras eram ditadas por eles, sempre com a alegação de quem traziam o sustento da casa eram eles. As suas esposas cabiam apenas cuidar do resto, pois a parte mais trabalhosa sempre era a deles, assim eles pensavam.

Somente depois de todos os afazeres domésticos e se ainda restasse um tempinho, era a elas permitidas assistir as suas novelas preferidas na televisão, desde é claro que não fosse dia de futebol, caso contrário que fizesse outra coisa ou que adiantasse o seu trabalho para o dia seguinte, ora bolas!

 

 

Vocês podem estar indignados, mas é assim que o mundo funcionava naqueles anos na maioria dos lares. Os homens se achavam o tal e imaginavam que tinham as mulheres sob controle. Mais que nada, que grande fantasia! Eram elas as mulheres que inteligentemente faziam-nos crer que o mundo era controlado por eles. Pobres coitados!

 

Com seu jeitinho amável, muitas vezes parecendo submissas e com uma boa conversa iam levando seus maridos “durões” para onde elas queriam. Assim pouco a pouco elas foram tomando conta da situação e quando eles acordaram já haviam perdido o reinado. 

 

 

Erasmo Carlos em tempos passados já nos alertava:

 

 “Dizem que a mulher é o sexo frágil

mas que mentira absurda!

Eu que faço parte da rotina de uma delas

sei que a força está com elas..

Vejam como é forte a que eu conheço

Sua sapiência não tem preço

Satisfaz meu ego se fingindo submissa, mas no fundo me enfeitiça...

 

Quando eu chego em casa à noitinha

Quero uma mulher só minha

Mas prá quem deu luz não tem mais jeito

Porque um filho quer seu peito..

O outro já reclama a sua mão

E o outro quer o amor que ela tiver

Quatro homens dependentes e carentes da força da mulher...

 

Mulher! Mulher! do barro de que você foi gerada

Me veio inspiração

Prá decantar você nessa canção...

Mulher! Mulher! na escola em que você foi ensinada

Jamais tirei um 10 / Sou forte mas não chego aos seus pés...

 

 

Foto - Janete Clair

 

Em um pouco mais de 50 anos as mulheres conseguiram aquilo que durante séculos e séculos pareciam inatingíveis. Baseado nas minhas teorias que não devem ser levadas muito a sério, cheguei a conclusão que no Brasil a grande “revolution” feminina aconteceu graças as telenovelas, que na sua grande maioria eram escritas por mulheres guerreiras como Janete Clair, Dulce Santucci, Ivani Ribeiro e Glória Magadan, entre outras, que terminantemente se negavam a servir de copeiras para os homens.

 

Foto - Ivani Ribeiro

 

Aos poucos sutilmente, na entrelinhas que os homens nem percebiam, essas valentes roteiristas foram mostrando o caminho das pedras às companheiras mulheres e abrindo novas formas de pensar e agir, e elas naturalmente, logo perceberam que suas qualidades eram bem superiores a todas aquelas que há séculos foram submetidas.

 

 

Todas as novas conquistas das mulheres no mundo em diversos setores eram trazidas pelas telenovelas para dentro dos lares, mostrando-as e abrindo os olhos delas. Inteligentemente as mães logo trataram de fazer suas filhas estudarem tanto quanto os filhos. Aos poucos foram nascendo à nova e grande geração de mulheres ganhando mais espaço, antes ocupado apenas pelos homens.

 

 

Chegaram as mulheres dentistas, operárias, as motoristas, as executivas, as atletas e aos poucos começaram a disputar palmo a palmo com os homens. Elas também perceberam suas qualidades tridimensionais, ou seja, a de fazer várias coisas ao mesmo tempo e descobrindo a cada dia que a desvalorização do trabalho feminino não era algo natural, simplesmente biológicas.

 

 


 

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