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Oceania


 

 

Eu sou um dos engenheiros que foi encarregada da construção da primeira cidade colônia denominada Oceania no planeta Marte, que foi uma das formas mais proveitosas concebidas ao longo dos anos para resolver o problema da superpopulação humana da Terra. Esse projeto teve início a cerca de sessenta anos quando as primeiras colônias começaram a surgir na Lua. Com o sucesso das primeiras tentativas outras também foram surgindo ao longo dos anos, de tal forma que o satélite da Terra tornou-se pequena para a sua ampliação, assim sendo um novo projeto foi incrementado no planeta vermelho, também com bastante sucesso e esperança.

 

 

Quando esta nova colônia de Oceania ficou pronta como prêmio a que eu tinha direito pelos meus serviços prestados resolvi requerer uma viagem para mostrar o empreendimento a minha mulher e filha que moravam na colônia de Tristão na Lua. Assim no dia 24 de agosto de 2096, nós três partimos com a espaçonave Capitanea, situada na Lua com destino à Oceania e assim conhecer o projeto em que fiz parte. O tempo estimado da viagem era de aproximadamente 2 anos, onde a maior parte do tempo passaríamos hibernados nas câmaras de sustentação biológica, que permitia que os passageiros pudessem dormir grande parte da viagem para não se cansarem e também para que seus corpos não envelhecessem.

 

 

A viagem prosseguia calmamente quando num certo dia quando o meu grupo de passageiros estava se exercitando para amenizar os efeitos das câmaras de sustentação, um sinal de alerta começou a soar, pois a nave detectou uma chuva de meteoros vinda naquela direção e assim tivemos que voltar rapidamente para as câmaras, e essa é a ultima coisa que eu me lembro. Quando reabri os olhos novamente, ainda com as minhas vistas embaçadas pude perceber que eu estava deitado em algum local e alguns vultos de pessoas a minha volta colocando uma série de tubos e aparelhos e logo cai no sono novamente.

 

 

Da segunda vez que acordei pude finalmente ver com exatidão e logo me vi cercado por uma série de aparelhos que emitiam fortes luzes sobre o meu corpo e instantes depois surgiu a primeira pessoa, uma mulher toda vestida de modo estranho a olhar-me curiosamente, assim como eu a ela, e logo depois outras pessoas também muito estranhas começaram a aparecer e a me olhar ora com espanto ora com um olhar bem sério e compenetrado. Assim passei por muitos dias dormindo e acordando e toda às vezes me deparava com pessoas, instrumentos e um local completamente diferente de tudo que eu já havia visto em minha vida.

 

 

Depois de algum tempo finalmente uma pessoa surgiu e através de um aparelho que falava começou a se comunicar comigo, perguntando se eu estava me sentindo bem e se precisava de alguma coisa. Respondi que estava bem e a cada resposta que dava mais pessoas apareciam e ficavam espantados como se eles nunca tivessem visto uma pessoa falar, aliás, esse também era o motivo deles utilizarem aquele estranho aparelho que emitia vozes, pois de alguma maneira essas pessoas já não possuíam mais a capacidade de comunicar com o som das suas cordas vocais, pois não mais a necessitavam.

 

 

Com o passar do tempo fui me interagindo com o local que estava assim como descobrindo diversas outras coisas. Descobri por exemplo, que eu fora encontrado vagando pelo espaço dentro de uma câmara de suspensão biológica que permaneceu intacto talvez por anos ou séculos, mas ninguém tinha as respostas. Estávamos na época que eles intitulavam de Era IV e cujos registros das Eras passadas devido aos conflitos e guerras acabaram se perdendo no tempo, portanto não havia como determinar quantos anos eu fiquei a vagar pelo espaço.

 

De qualquer forma era fácil perceber que muitos séculos se passaram, pois esta sociedade era muito organizada, quase todas as suas necessidades provinham das imensas câmaras de luz postadas em diversos locais, onde as pessoas retiram aquilo que necessitavam para o seu dia-a-dia. Eles não precisavam mais comer assim como não necessitavam de diversas coisas como trocar a roupa, fazer suas higienes, enfim diversas coisas que nós os humanos do século XXI fazíamos, mas por outro lado ainda mantinha laços afetivos uns para com os outros numa fraternidade impressionante, passando a impressão que eles precisavam apenas de afeto uns dos outros para sobreviverem, o resto vinham daquelas máquinas que emitiam luzes de diversas cores.

 

 

Também pude perceber que havia homens e mulheres especializadas, alguns provavelmente eram dedicados a ciência, outras aos estudos diversos, havia músicos e também poetas que faziam suas performances através de diversas mímicas. Gradativamente fui aos poucos me adaptando a esse mundo, porém a única que realmente ainda me incomodava era o fato de onde quer que eu esteja às pessoas paravam e ficando me olhando com curiosidade e espanto. Eu era algo como um homem pré-histórico que de repente viesse parar em tempos modernos, ou seja, algo que fomentava a curiosidade deles no intuito de tentar compreender aquilo que eles viam e podiam até tocar. Por tempos passei a me senti como uma cobaia de laboratório ou um animal em exposição num zoológico, apesar de ter a liberdade de ir aonde bem entendesse e mexer em tudo que desejasse, só não podia escapar dos olhares das pessoas.

 

 

 Mas, o tempo é a nossa maior amiga e assim com o andar da carruagem fui me acostumando, assim como também a gostar de ser assediado e admirado com curiosidade. De outro lado eu também tentava me comunicar com eles e toda vez que eu tentava falar alguma coisa com eles, as pessoas ficavam completamente atônitos e admirados, pois eles podiam escutar, porém não mais conseguiam usar suas cordas vocais, que através do tempo parece que foi atrofiando pela falta de uso, pois se comunicavam somente através dos gestos e dos afetos.

 

Como eles não precisavam mais de alimentos sólidos para o seu dia-a-dia, os homens da ciência criaram determinadas substância que eu as ingeria e que possibilitava a minha sobrevivência. Passei a me vestir como um deles e até a aprender a fazer pequenas tarefas e muitos também passaram a utilizar aparelhos que falavam para comunicar comigo. Também perguntei para muitas pessoas se outras pessoas como eu foram encontradas ao longo dos anos, mas parece que eu era a única pessoa a sobreviver do acidente da Capitanea.

 

 

Sentia saudades da minha mulher e filha e isso me deixava angustiado e muitas vezes com vontade de dar fim a minha vida, mas o extinto de sobrevivência sempre falava mais alto e assim eu permanecia. O tempo foi passando e fui aos poucos esquecendo as coisas passadas e a interagir com essas pessoas que eram incrivelmente afetuosas e carinhosas. Certo dia quando estava a caminhar por uma das muitas estradas que levava a diversas localidades do complexo, cruzei com uma pessoa que era tremendamente semelhante e parecia estar diante novamente de minha filha. Tentei rapidamente e desesperadamente me aproximar dela, mas ela se espantou com isso e saiu correndo desaparecendo em meio às outras pessoas.

 

 

Desde aquele dia passei a dedicar grande parte do meu tempo a sua procura até que finalmente consegui encontrá-la e conhecê-la, e assim com o passar do tempo tornamos grandes amigos, e de alguma forma a lembrança que ela trazia me alegrava. Algum tempo se passou e também encontrei uma pessoa muito semelhante a minha esposa, mas apesar delas terem aquela aparência, elas não eram tais pessoas e tinham a sua forma de agir e personalidade.

 

 

Foi então que voltei a rever os meus amigos da ciência para ver se eles tinham alguma explicação para isso e após diversos estudos aos bancos de dados, eles também começaram a ficar intrigados ao descobrir que, de tempos em tempos todas as características físicas de algumas pessoas lá existentes se repetiam e as pessoas nasciam exatamente a outras de época diferentes e que não mais estavam com eles, pois eles haviam optado por morrer, já que neste tempo e sociedade morrer deixou de ser uma coisa casual, mas uma livre escolha, uma opção de cada tinha após completar um determinado ciclo de vida.

 

 

Essa intrigada casualidade levou os homens da ciência a se aprofundar mais nesse assunto, pois até o presente momento eles não haviam percebido que tal coisa acontecia. Somente depois da minha atenção é que um profundo estudo começou a ser realizado e onde eu também passei a tomar parte. Esses estudos avançaram por anos a fio até que se descobriu que parte da população existente era proveniente de DNA que de alguma forma foram preservados de diversas pessoas que foram sendo encontrados perdidos em algum lugar da mesma forma com o que ocorrera comigo. Depois que eles optaram pela morte após levarem suas vidas, os seus DNAs ficaram armazenados nos bancos de dados e gradativamente e repetidamente em tempos em tempos eles eram novamente retornados na forma de uma nova vida, completamente diferente da outra, porém com uma semelhança física impressionante com aquela pessoa que fora no passado.

 

 

Foi então que pela primeira vez senti alívio e conforto em meu coração ao saber que em algum tempo minha filha e esposa havia sido salvos e tiveram a chance de terem uma vida plena em algum espaço de tempo dessa sociedade em que agora eu vivia. Depois de descobrir tais acontecimentos passei mais um alguns anos nessa sociedade e depois também optei pela minha morte, onde eu finalmente pude novamente se juntar a minha filha e mulher para o resto de nossas eternidades, mas que retornaríamos de alguma forma em algum tempo, nem que fosse apenas por mera semelhança e casualidade.

 

Retornar/Outros

 

 


 

 



 

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