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Outros - Viva o Paiaço


 

 

Hoje tem paiaçada.... Tem sim senhô..... E o paiaço u que é?...... É ladrão de muié..... Era amssim qui cumeçava as apresentação com muita cambaiota, barde de água jogada pra tudo quanto era lado e risadas de muntão. Esse era o circu de minha época de criança. Hoje só nos restô um circu dus pulitico, armado pelas artas esfera da capitar federar, que ninguém consegue fazê nada e num agrada mais ninguém.

 

 

Mas nem sempre foi amssim, já horve um tempo em qui u circu com seus paiaços, marabaristas, mágicu, os animar ferois, muié barbada e outras atração enchia os zoíos da gente e num era só da garotada, mais tombém dos marmanjos que lá cumparecia, cum u pretexto de levá seus fios ou os irmãozinho menó, mais era eles us quem mais se divertia.

 

 

Muitos circus percorria os lugá de mais lonjura do cafundó, do interiorzão e tombém sempre aparecia nos bairro das periferia e gerarmente se instalava nargum terreno bardio, que normarmente era usado como campinho de futebor da garotada que morava lá di perto.

 

 

Lá chegava di mansinho i em pouco tempo já levantava as lona, amuntava o picadeiro e logo dispois todas as atração do circo, como us paiaços, us marabarista, us mágicu e outros qui lá tivesse, logo saia fazendo aquele foguetório e entregando os panfreto, pruque a noite já tinha espetáculo, sim senhô!

 

 

Amssim cumo chegava, tombém ia embora de mansinho. Arguns circus mais humirde funcionava como um pequeno teatro mambembe e apresentava peça infantir ou encenava cenas histórica e inté Sunsão e Dalila tinha a sua vez. Era uns circus familiá pequeno, formado quase que apenas pelos membros de uma mema família, que desempenhava diversa função e di noitinho se transformava comu num passe di mágica, em ator ou paiaços.

 

 

Os tempus muderno chegaram e aus poucos muitos paiaços deixaram os véios circus e rumaram pra módis se apresentá no novo troço chamado tilivisão e amssim podiam agregá um publico maió de gente pra assistí e nois num via a hora deles entrá pra dá aquelas gargaiada.

 

 

Amssim muita criança, como eu já fui, pudemos assisti o Arrelia e Pimentinha, Torresmo, Piolim e o Carequinha, que além de paiaço cantava uma purção de músicas que inda hoje estão na lembrança de muita pessoa, e tombém tinha aqueles, cujos nome agente nem si lembra mais, mais está lá, nargum lugá perdido dos nosso coração.

 

 

Era tempo de Arrelia e Pimentinha chegandu cum “Cumivai cumuvai cumuvai....”. Noutro picadeiro era a vez du Piolim, e toda vez que ficava sem jeito, enfiava o rosto pra dentro de sua imensa gola, cumo uma tartaruga faiz cum sua cabeça. Torresmo tombém tinha o seu lado do parco, sempre acumpanhado de seu fio, que o ajudava nas bricadeira. O Carequinha, além de diverti toda a mulecada, inda passava bons conseio através de muitas canção e gargaiada.

 

 

Os véio moço di hoje deve se alembrá do paiaço Bozo, que fez um sucessão e que conseguiu diverti uma geração. Tombém a Xuxa, a Mara Maravia, a Eliana e inté Angélica nunca deixava fartá um paiaço no prugrama pra alegrá a mulecada. O paiaço era a peça chave chamada diversão e sem ela a coisa num funcionava.

 

 

Somente o paiaço tinha a capacidade de chegá inté us sentimento mais ingenu dagente. Sabia cumo ninguém captá u momento certo de dá aquela cambaiota, de iscurregá, de dá um puntapé no trasero de seu culega e inté puxá as zoreias de uma das criança do oditório, sem machucá é craro, apenas pra criança podê sortá aquele sorriso bunito.

 

 

U paiaço era antes de quarquer coisa, a arma da criança, arma essa que com u passá du tempo foi si endurecendo com us probremas dessas vidas agitada e se transformando num bichinho mais amargo, crentes sabedores de verdades que nem eles tarvez credita, verdaderos guardadô de fortuna, um home que gosta de sê chamado di vencedô, etc e tar.

 

 

Pra o mundo de hoje, cheios dessas máquina de progressio num tem mais lugá para o véio circu du paiaço. Cada vez mais ele vai ficando longe de tudo e de todos nóis, inté o momento que ele será apenas uma véia e amassada futografia amarelada, perdida no fundo darguma gaveta.

 

 

I quando argúem encontrá, ispantado certamente preguntará: “Quem é esse danado com a cara todinha pintada, com a boca esticada e aberta mostrandu os dentis e usando uma roupa muito isquisita?"... E amssim di outro arguém escuitarão: “Era um home lá do passado, dizem que si chamava paiaço, morava num tar de circu junto com uma purção de gente, dibaixo de uma grande lona e tinha como prufissão insiná as criança rir, sorrir”.

 

 

U paiaçu era a parte mais ingênua do nosso sê. É inquela parte meió de nois mesmos, que inda permanecia pura, capaz di sorri com as coisas mais banar do mundo, qui num possuia inda nenhum insinamento bestiar do homem ou falava com supostas sabedoria, a parte que inda num foi atingida pelas mágoa da vida, o lado mais sincero de todos nois, e donde diziam que morava inté a tar filicidade.

 

 

Hoje em dia u termo paiaço infilizmente passou a ter uma outro intendimento. Um paiaço é a mema coisa que bobo, indiota, imbecir, mais num faiz tanto tempo amssim, ele tinha um significado fraterno, era caloroso e muito importanti. Ser chamadu de paiaço significava ser simpático, alegre, joviar, bem humorado, que gustava de divertí as pessoas, que nus fazia somente o bem.

 

 

Nargumas veiz que eu vô pra quaqué lugá vejo os úrtimo circu cá e acolá, tentando sobrevivê com suas véias lonas, surradas e encardidas, i justamente nessas horas nem de longe me passa pela minha cabeça, di lá vortá e assisti o véio circo passá. Deus do céu, ma que diacho está acuntecendo cumigo, proquê num quero mais ao circu retorná, e isso já é arguma coisa pra eu pensá. Falá du circu era tão facir, viraram apenas palavra, um palavrão, só pra rimá com meu refrão.

 

 

Será que o circu do paiaço está acabando proque argumas coisas tombém está morrendo dentro de nois e muito pouco inda nos resta? U qui Eu andei fazendo com Eu mesmo, qui não acho mais graça na ingenuidade, nas coisas faceiras, no gesto angelicar, na simpricidade da vida e dos conversê de papo pro ar. Nunca mais tomei suco de groseia, num sei mais chupá cana e nem nu pé da goiabeira eu tombém nunca mais lá trepei.

 

 

Tô currendo tanto pra modis de quê? Pra no fim descobri que já tinha tudo que pricisava e dizê pra todo mundo que num sabia?... Intão, deixa pelo menos eu escrevinhá deste jeito, não pra ficá gozando do jeito caipira de falá, mas pra eu podê alembrá do meu pená, das coisas ingenuas do pessoar da terra, da sabedoria do caboclo chucro e amssim podê assuntá e tentá resgatá um pouco da minha inocença, que inda pode ser que me reste, pra modis podê vê novamente um dia, u circu passá. Inté.

 

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