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Outros - Rima - Rico, Famoso, Feliz


 

Pintura de Josinaldo Ferreira Barbosa

 

 

Já faiz muito tempo,

lá atrais.

Num daquelis momentos,

dito astrais.

I qui não vortam,

nunca mais.

Eu i outros dois amigos,

muito leais.

Fiquemos a brincá,

nos arrozais.

 

 

 

I tombém a falá di causos,

banais i sensuais.

Bestiais i di loucuras,

sempri celestiais.

Di qui nunca isqueceremos,

jamais.

 

 

 

Duranti um conversê,

um deles bradô.

Quandu eu crescê,

rico hei di sê,

afirmô.

Mas o outro tratô,

logo di discordá.

 

 

 

Dizendo qui era mió,

a muito famoso ficá.

Pois amssim rico,

tombém iria sê.

I a tudo podê fazê,

Já qui nunca ouvira dizê,

da fama na riqueza perecê.

 

 

 

Amssim a discussão,

prosseguiu.

Cada quar a sua teoria,

proferiu.

I eu só a escuitá,

i sem nada falá.

Pois num conseguia,

nem pensá,

em quem podê acreditá.

 

 

 

Inté qui um delis,

mi preguntô,

quar dus dois,

eu haveria di querê.

Issu mi assustô

i mi aporrinhô,

pois as duas coisas,

eram di temê.

 

 

 

Num sabendo,

a quar iscolhê.

Eu tratei di logu,

isclarecê.

Qui era mió a genti

podê,

a tudo aquilu,

isquecê.

 

 

 

Mais us dois,

num quis sabê,

di intendê,

u meu cunversê.

Intão falei di precurá,

a Zabelê,

qui haveria di sabê,

u qui fazê.

 

 

 

Lá chegando,

ela nus mandô,

Falá cum u velho professô.

Pois só ele saberia dizê,

a quar merecê.

Já qui todos defendia,

u seu parecê.

 

 

 

Fumus intão us treis,

au velho cunhecê,

pra destas formas sabê,

i logo arresorvê.

I só amssim a discussão,

logo si dissipá.

Du cuntrário nóis ia xingá,

inté a brigá.

 

 

 

U velho mestre a nóis,

atentamente zouviu.

Us dois num tardou,

di logo argumentá.

I cada quar a sua opinião,

isbravejá.

Mais u sábio nem uma,

palavra proferiu.

 

 

 

Ficô muitos momentos,

a cuntemplá.

Inté qui si alevantô,

i pra nóis si dirigiu.

Mais logu num tardô,

dele a mi preguntá.

Qui eu estaria fazendo,

naqueli pobri lugá.

 

 

 

Disse qui num sabia,

quar das duas escolhê.

Si rico sê ou famoso torná,

i amssim eu vivê.

Ele mi zolhô e disse,

se eu num conseguia vê.

U qui u meu pobri curaçao,

haveria di dizê.

 

 

 

Quem sabe amssim,

uma resposta eu ia tê.

Sem precisá di ninguém,

a mim isclarecê.

Já qui a mió coisa du mundo,

é escuitá.

U qui us nossus sentimentus,

tem pra falá.

 

 

 

Nóis fumo crescendo,

cada quar tomou seu rumo.

Eu continuei nus arrozais,

amssim era o meu prumo.

Um foi pra sua fama buscá,

e o outro a si enricá.

Jamais eu pudi imaginá,

us dois indu imbora dilá.

 

 

 

U tempo foi passando,

nem percebi as zoras voá.

Eu cresci i um homi tornei,

sempri feliz a sonhá.

Culhendo u meu feijão,

lá no meu milhará.

Aqueli era u mió lugá,

Dadondi eu nunca quis deixá.

 

 

 

Mais um certo dia,

uma notícia mi intristeceu.

Ao ler num jorná,

que um dos amigos faleceu.

Como um famoso bandido,

a quar ele si tornô.

Todu mundo do rincão,

tombém num acreditô.

Qui um menino tão bão,

naquilo si transformô.

 

 

 

Mais qui haver di fazê,

si esse caminho aculheu.

Naquela hora alembrei,

do sonho qui escolheu.

Quandu issu aconteceu,

minhas pernas inté tremeu.

Intão fiquei a pensá,

naqueli outro amigo meu.

Qui tantu queria enriquecê,

u qui será qui assucedeu.

 

 

 

Amssim a vida foi passando,

a família armentando.

I eu nas terra continuando,

sempri roçando i trabalhando.

A todos sustentando,

i acalentando.

Sonhandu um dia podê,

a outrus lugá tombém a sabê.

 

 

 

I levá u meu bem querê,

pra amssim ela podê,

a muitos lugá cunhecê.

I amssim satisfazê,

u qui ela fez a merecê.

Desdi aquelis tempus,

qui nóis arresorvemus,

a nus pertencê.

 

 

 

Inté qui um dia u nossu fio,

um dinheirinho ajuntô.

I amssim logo cumprô,

duas passagi e nus presentiô.

Intão fumos passeá du jeito,

qui a gente sempre sonhô.

 

 

 

Certo dia estava eu a caminhá,

lá pros lado di Maringá.

Quandu cruzei cum pobri homi,

cum frio a mendigá.

Apanhei logo arguns trocados,

pra sua fome a saciá.

Quandu olhei praquelas mãos,

na minha direção a esticá.

Vi qui era u outro amigo meu,

qui amssim fora,

sua riqueza procurá i ajuntá.

 

 

 

Mi arrepiei a vê,

num martrapilho,

si torná i si rastejá.

Assustado logo tratei,

a ele assuntá,

i preguntá como fora pará,

naquele miseravi lugá.

Seus zóios di lágrimas,

si encheu,

I amssim começou.

a relatá.

 

 

 

Diz qui muito rico si tornô,

mais tudo perdeu,

escafedeu.

I na manhã seguinte,

nem a sua família u acolheu.

Dispois daquilo nunca mais,

conseguiu se alevantá.

Amssim começô,

a cada veiz mais a piorá,

nada a miorá.

Inté qui num dia acordô,

i na rua foi morá,

a farejá.

 

 

 

Nunca mais seus fios ele viu,

sua muié tombém sumiu.

Muita fome i miséria passô,

mais finarmente u dia chegô,

quandu o destino nus colocô.

Naquela mesma carçada,

Dadondi eu tinha di passá,

i a ele podê encontrá.

Abracei i peguei pelo braço,

i consegui trazê ele di vorta.

 

 

 

Para o seu roçado desesperado,

qui ele havia abandonado,

somenti agora retornado.

Amssim sua vida recomeçô,

i tudo vortô a florescê.

Os velhus amigos reencontrô,

alegre pra lhi vê e a recebê.

A vorta pra terra do fio pródigo,

do menino abençoado.

Nunca mais di riqueza falô,

nem di como fora destronado.

 

 

 

Sorri de novo aprendeu,

i nunca mais ele partiu.

Uma nova família construiu,

a outra nunca mais viu.

Dizem que tombém faliu,

pelo mundo sumiu i fugiu.

 

 

 

Qui sina mais disgranhenta,

a genti um dia proferiu.

Si rico ou famoso sê,

a custa da felicidade perecê.

Nunca podê a vida renascê,

nem vê um novo amanhecê.

 

 

 

Mais qui bão di Deus,

bondosamente lhi cuncedê.

Mais um novo revivê,

amssim di novo si erguê.

 

 

 

Inda bem qui tudo acabô,

mais qui farta inda sinto,

Du amigo qui um dia sonhô,

di muito famoso si torná.

Qui nunca mais retornará,

mais ficaremo a ti abençoá,

i eternamente a lhi amá.

 

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Criação: Osamu Nakagawa

Julho de 2011


 



 

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